Rise of the Tomb Raider chegou ao Nintendo Switch 2 em um momento curioso: entre o aniversário de 10 anos do console e a celebração dos 30 anos da franquia Tomb Raider. É também uma fase de transição para Lara Croft, agora sob a tutela de uma empresa que ainda precisa provar, na prática, o quanto consegue extrair de cada jogo. Nesse cenário, o novo lançamento chama atenção por um motivo simples: ele é, sim, um port — mas um port que, na maior parte do tempo, funciona bem. Ainda assim, fica no ar a impressão de que a versão para o Switch 2 poderia ter ido além.
O histórico recente ajuda a entender o sentimento. Nos últimos dois anos, a série passou por um processo de modernização que, em termos de disponibilidade, foi impressionante: a trilogia “clássica” e o reboot de 2013 ganharam novas edições e chegaram às plataformas atuais em pacotes e remasterizações. Só que, quando a conversa sai do “chegou” e entra no “chegou do jeito certo”, o desempenho da empresa responsável pelos ports nem sempre convence. E, mesmo quando Rise of the Tomb Raider se sai melhor do que outros trabalhos recentes, ainda existe um desconforto que acompanha a franquia: a sensação de que Lara está sempre sendo tratada como um produto em movimento, e não como uma experiência que merece o cuidado máximo.

No entanto, há um ponto que precisa ser dito com clareza: Rise of the Tomb Raider é, de fato, um jogo que envelheceu com dignidade. Ele é o segundo capítulo da trilogia “Survivor”, a reinterpretação mais sombria e crua das origens de Lara Croft feita pela Crystal Dynamics. Se no reboot Lara ainda era uma acadêmica sem preparo, aqui ela já se transforma em uma sobrevivente — alguém que aprende a lidar com o ambiente hostil, com decisões difíceis e com o preço de continuar viva.
A trama acompanha a busca por respostas sobre a organização Trinity e o papel que ela teve na morte do pai de Lara, enquanto a protagonista atravessa a vastidão gelada da Sibéria.
Quem jogou o reboot pode sentir que a evolução é orgânica. A Lara de Rise não é apenas mais “forte”: ela é mais pragmática, mais desconfiada e, principalmente, mais acostumada com a ideia de que o mundo não vai facilitar. E, mesmo para quem não se prendeu tanto ao primeiro jogo da trilogia, Rise of the Tomb Raider costuma funcionar melhor do que a memória pode sugerir.
Em parte, porque o pacote de jogabilidade — plataforma, combate e exploração — está bem amarrado. Além disso, o jogo sabe alternar momentos de tensão com passagens que dão respiro.
Jogabilidade sólida, mas um ritmo que parece dividido
O núcleo do gameplay é aquele tipo de sistema que parece ter sido lapidado com o tempo. A trilogia “Survivor” se apoia em uma base que lembra a lógica de outras aventuras modernas: movimento fluido, escaladas que não travam a progressão e combate com resposta rápida.
É o tipo de estrutura que, quando funciona, faz o jogador esquecer que está “aprendendo” — e apenas seguir em frente. Nesse sentido, voltar para Rise no Switch 2 é uma experiência relativamente natural, sem grandes tropeços.
O que chama atenção, porém, é a forma como o jogo parece lutar contra si mesmo. Existe uma tentação constante de transformar a jornada em algo mais “cinematográfico” e explosivo, com perseguições, tiroteios e sequências que lembram filmes de ação.
Ao mesmo tempo, a proposta de sobrevivência e exploração pede que Lara pare, observe, planeje e use o ambiente a seu favor. O resultado é uma sensação de divisão: em alguns momentos, o jogo puxa para o lado mais tático e “sobrevivência de verdade”; em outros, ele acelera para o espetáculo.
Curiosamente, essa tensão fica menos evidente do que em memórias de quem jogou a trilogia no lançamento original. Há um esforço em guiar o progresso com pistas mais claras e em manter um ritmo que evita que a exploração vire uma caminhada sem direção.
Mesmo quando a narrativa tenta equilibrar o tom, a estrutura de níveis e objetivos ajuda a manter o jogador engajado.

Switch 2 entrega desempenho, mas a versão ainda parece “port de pressa”
Rise of the Tomb Raider fica “bom” no Switch 2 — e isso já é um elogio relevante. O jogo é antigo, tem uma década de existência, e o Switch 2 não é exatamente um equipamento fraco. Em comparação com ports anteriores da mesma empresa, esta versão mostra melhora tanto em desempenho quanto em aparência.
Ainda assim, existe um limite claro: o jogo parece ter sido ajustado para rodar bem, mas sem receber o tipo de refinamento que faria diferença em detalhes modernos. Não é um problema constante, mas é perceptível o bastante para deixar a sensação de que faltou mais um passo.
A comparação com lançamentos recentes ajuda a explicar a frustração. Quando títulos mais pesados conseguem entregar padrões elevados de qualidade em plataformas atuais, fica difícil aceitar que um jogo de 2015 (que, apesar de antigo, ainda tem boa base técnica) não consiga chegar a um patamar mais alto.
Não se trata de exigir um “milagre gráfico”, mas de notar que havia espaço para melhorias que não foram priorizadas.
Vale lembrar que, tecnicamente, Rise of the Tomb Raider é um port. Diferente de remasterizações completas, a trilogia “Survivor” não recebeu um trabalho de atualização profunda. Isso explica parte das escolhas — e também ajuda a entender por que o resultado pode parecer “meio caminho”. Alguns ports são excelentes; outros parecem apenas cumprir a obrigação de chegar ao catálogo.
Aqui, a impressão é de que o trabalho ficou mais perto do segundo grupo do que do primeiro.
No dia a dia, porém, o que importa para o jogador funciona: taxas de quadros e tempos de carregamento se mantêm consistentes. O problema aparece em áreas específicas, onde o jogo evidencia limitações em detalhes visuais.
Um exemplo citado com frequência é o cabelo de Lara. Em certas cenas, o modelo pode parecer plástico, destoando do resto da apresentação. Em um jogo que depende tanto de animações e expressões durante cutscenes, esse tipo de discrepância chama atenção — e, em alguns momentos, chega a quebrar a imersão.

Outro ponto é o comportamento de texturas. Em algumas situações, elas demoram a carregar ou “aparecem” depois. Em jogos mais novos, isso costuma ser mais difícil de perdoar; aqui, a tolerância existe porque o título é mais antigo e precisa se adaptar ao hardware.
Ainda assim, o fato de o gameplay continuar suave — inclusive em perseguições e combates mais intensos — ajuda a compensar. Em outras palavras: o jogo não falha naquilo que sustenta a diversão, mas deixa claro que não foi lapidado para o máximo.
Para quem vale a pena? Fãs vão gostar, mas port não é “novo”
Apesar das ressalvas, Rise of the Tomb Raider tem valor para fãs da franquia. A aventura entrega o que a série promete: exploração com obstáculos, combate com ritmo e uma narrativa que coloca Lara no centro de uma conspiração maior do que ela imaginava.
Para quem ainda não jogou a trilogia “Survivor”, é uma porta de entrada sólida. Para quem já conhece, é uma oportunidade de revisitar uma das fases mais interessantes da jornada de Lara com boa estabilidade no Switch 2.
O problema é que existe um cansaço natural quando o assunto é “mais um port”. A franquia tem mostrado, em outras mídias, que consegue ir além do básico — e, quando isso acontece, o público passa a esperar mais do que apenas versões reaproveitadas.
Nesse sentido, o Switch 2 recebe um jogo que funciona e que parece bem ajustado, mas que não chega com a sensação de “evento”. É um lançamento que cumpre seu papel, mas não necessariamente eleva a experiência ao patamar que o console poderia oferecer.
No fim, Rise of the Tomb Raider no Nintendo Switch 2 é recomendado principalmente para quem quer jogar (ou rejogar) a história de Lara com desempenho consistente e sem grandes frustrações. Para os mais exigentes, fica a vontade de ver a franquia receber um tratamento mais completo — algo que transforme o port em algo realmente definitivo.
Até lá, a aventura segue sendo boa, só que com aquela sensação de que ainda faltou um passo para ficar impecável.
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Fonte: cgmagonline



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