A estratégia de lançamentos da Sony tem se mantido relativamente consistente nos últimos meses, com uma sequência de jogos de estúdio próprio e parcerias que ajudam a sustentar o catálogo do PlayStation 5. Ainda assim, quando o assunto é desempenho comercial no “mundo real” — isto é, vendas acumuladas e tração junto ao público mais amplo — dois nomes chamam atenção: SAROS e Marathon. Em paralelo, uma parcela relevante de jogos lançados anteriormente continua acumulando números expressivos em 2026, reforçando a ideia de que, no ecossistema PlayStation, o tempo também trabalha a favor.
Títulos antigos do PS5 ainda puxam as vendas em 2026
De acordo com um relatório divulgado nesta semana por Rhys Elliott, analista da Alinea Analytics, vários exclusivos “legados” do PS5 seguem demonstrando uma capacidade incomum de manter vendas ao longo do tempo. Vale destacar que os números apresentados são estimativas e não foram confirmados oficialmente pela Sony. Mesmo assim, o padrão descrito pelo estudo é suficientemente claro para chamar a atenção de quem acompanha o mercado de games.
Ghost of Yotei, o mais recente grande projeto de Sucker Punch, aparece com desempenho sólido. Segundo as estimativas, o jogo vendeu 1,1 milhão de unidades apenas no primeiro semestre de 2026. Lançado em outubro de 2025, ele está se aproximando da marca de 5 milhões de cópias vendidas, um feito relevante para um título que ainda não completou um ano no mercado.
Gran Turismo 7 também segue no topo. O simulador de corridas da Polyphony Digital soma, de acordo com a Alinea Analytics, quase 12 milhões de unidades vendidas até aqui, com mais 835 mil cópias adicionadas ao longo de 2026. Elliott ressalta que promoções e descontos certamente ajudam, mas o ponto central é que a franquia tem apelo duradouro — algo que costuma manter o interesse do público mesmo após o lançamento inicial.
MLB The Show 26 fecha o grupo de destaque. Mesmo tendo chegado ao mercado em março de 2026, o jogo já teria alcançado 756 mil unidades vendidas no PS5, segundo os dados citados no relatório. A presença rápida de um título anual nessa faixa reforça como a base de fãs e a recorrência do gênero podem sustentar vendas mesmo em ciclos curtos.
Marvel’s Spider-Man 2, lançado originalmente em outubro de 2023, aparece em quarto lugar. O dado mais chamativo é que o jogo teria vendido mais 699 mil cópias em 2026. A maior parte dessas vendas teria ocorrido antes da chegada do título ao catálogo do PS Plus em fevereiro, o que sugere que a “janela” de preço cheio e a disponibilidade limitada no período inicial ainda pesam na performance.
Fechando o recorte dos cinco primeiros, Astro Bot aparece como um dos destaques. O plataforma da Team Asobi teria ultrapassado 600 mil unidades vendidas e gerado cerca de US$ 33 milhões em receita em 2026. Em valores aproximados, isso equivale a algo em torno de R$ 180 milhões, considerando uma conversão média de mercado. No total, o jogo já teria acumulado mais de 4,3 milhões de vendas vitalícias.

SAROS e Marathon ficam abaixo do esperado na corrida de vendas
Se os números dos títulos mais antigos chamam atenção, o contraste fica ainda mais evidente quando o foco recai sobre SAROS e Marathon. O SAROS, descrito como o mais recente lançamento first-party da Sony, aparece em uma posição mais modesta: sexto lugar na classificação da Alinea Analytics. O jogo teria vendido apenas 415 mil unidades até o momento.
Para um novo IP de um estúdio tradicionalmente associado a experiências mais “de nicho”, como é o caso da Housemarque, esse volume ainda pode ser considerado respeitável. Ainda assim, a pergunta que fica no ar é se o desempenho acompanha as ambições comerciais mais amplas da Sony — especialmente em um cenário em que títulos mais antigos continuam acumulando tração.
Elliott também havia indicado que SAROS teria vendido cerca de 300 mil cópias durante a janela de lançamento em abril, gerando mais de US$ 22 milhões em receita nas primeiras duas semanas. Em conversão aproximada, isso representa algo como R$ 120 milhões. Mesmo com esse início, o analista caracterizou o debut como “um pouco mais lento” do que o de Returnal, outro título de referência do estúdio.
Já Marathon, desenvolvido pela Bungie, aparece como um ausente relevante no topo da lista. O relatório aponta que o jogo vem enfrentando dificuldades conhecidas para atrair e manter uma base de jogadores dedicada. Também é mencionado que ele teria ficado abaixo das expectativas de desempenho da PlayStation.
Um ponto importante: o próprio recorte limita a análise. O estudo considera apenas vendas no PS5, sem contabilizar o desempenho em PC ou Xbox. Isso significa que a fotografia completa do jogo pode ser diferente quando se olha para outras plataformas.
Além disso, outro título que não aparece com força nas faixas superiores é God of War: Sons of Sparta, spin-off 2D do Santa Monica Studio. Segundo o relatório, o jogo não teria causado impacto significativo nas paradas de vendas.
Por que os “antigos” podem vender mais do que os novos
Diante desses números, é natural que parte do público interprete a situação como sinal de preocupação para a Sony. Mas, como o próprio relatório sugere, contexto é essencial para não tirar conclusões precipitadas.
Jogos mais antigos frequentemente se beneficiam de reduções de preço, promoções e eventos que renovam o interesse do público. Já os lançamentos recentes, em geral, chegam com preço premium e dependem mais de tração imediata para alcançar patamares mais altos.
Há ainda um fator de comportamento do consumidor que costuma pesar: muitos jogadores preferem esperar ofertas, bundles ou a inclusão em serviços de assinatura para experimentar títulos que, no lançamento, exigem um compromisso financeiro maior. Quando um jogo entra em um ciclo de descontos ou passa a ser mais acessível, a curva de vendas pode voltar a subir, mesmo anos depois do lançamento.
No caso de Marvel’s Spider-Man 2, por exemplo, o relatório sugere que a maior parte das vendas em 2026 ocorreu antes da chegada ao PS Plus. Isso é coerente com um padrão comum do mercado: quando o acesso se torna “mais barato” para o assinante, parte do público deixa de comprar diretamente e passa a jogar via assinatura. Ainda assim, o fato de o jogo continuar vendendo bem em 2026 — mesmo após anos no mercado — mostra que a demanda não desaparece.
Para Astro Bot e Gran Turismo 7, a história parece ser diferente: a tração contínua indica que o apelo do produto, somado a campanhas e ao interesse recorrente do público, sustenta o desempenho.
Já SAROS e Marathon enfrentam um desafio típico de lançamentos mais recentes: precisam conquistar rapidamente espaço em um catálogo já cheio de opções, enquanto o mercado observa se o jogo consegue virar “referência” para além do lançamento.
No fim, a corrida de vendas de 2026 revela uma dinâmica conhecida, mas sempre relevante: títulos que já provaram seu valor podem continuar crescendo com o tempo, enquanto novos lançamentos precisam encontrar um ritmo de adoção que nem sempre acontece no primeiro ciclo. Resta acompanhar se SAROS e Marathon vão conseguir recuperar terreno com atualizações, promoções e estratégias de distribuição — ou se a diferença para os “antigos” vai se consolidar.
Você já jogou SAROS? Acha que ele tem potencial para crescer nas próximas promoções? Deixe sua opinião nos comentários.
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Fonte: levelup



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