[Crítica] O Relatório

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AVISO DE SPOILER PARA QUEM AINDA NÃO VIU O FILME

A obra é baseada em fatos reais e segue a trajetória de Daniel J. Jones (Adam Driver), que foi incumbido pelo senado dos EUA para investigar as táticas de tortura implementadas pela CIA depois do 11 de setembro. Por meio de uma longa busca lendo e-mails e documentos confidenciais da CIA, o jovem acaba descobrindo uma metodologia no mínimo polêmica onde a tortura era aplicada em supostos terroristas, com a finalidade de desvendar possíveis locais de novos ataques em território americano. As práticas desumanas de tortura psicofisiologia renderam na morte de inocentes e suspeitas não confirmadas, sendo considerado um fracasso em sua execução, além de infringir a legislação norte-americana e o Direitos Humanos.

[Crítica] O Relatório 1
Daniel J. Jones (Adam Driver).

Estava saindo com alguém, mas com o trabalho no relatório não durou”, explica Jones no único momento em que o filme fala sobre a sua vida pessoal. Daí em diante o objetivo é narrar a sua cruzada de sete anos para revelar a verdade, a de que as técnicas de tortura não resultaram em nenhum conhecimento relevante na “guerra ao terror”. Essa anulação pessoal é coerente com a jornada, ao mesmo tempo em que torna o filme bem rígido ou, como o próprio nome da obra revela, um relatório dos fatos.

Mesmo com poucos momentos dramáticos para o seu personagem, Driver sustenta Jones, o que inspira confiança na versão dele sobre os fatos. Cabe a senadora Dianne Feinstein (Annette Bening) e o chefe de gabinete Denis McDonough (Jon Hamm) adicionar personalidade ao elenco, tornando mais interessante o subtexto envolvendo as administrações de Bush e Obama no caso.

[Crítica] O Relatório 2
Senadora Fleming

O filme trabalha com o discurso de “se for para proteger a vida dos americanos, não importa o que fizeram”.

Frases sobre “salvar vidas” e liberdade logo se tornam ambíguas diante do contexto. Faz pensar na frase “America first” de Trump que apesar de estar no contexto econômico, também pode ser usado para validar o uso de qualquer prática, legal ou não, quando o assunto é para proteger os civis dos EUA.

O Relatório é uma aula de quase duas horas sobre o que é democracia, o que exige disposição. Perguntas são feitas como: tudo é válido para a proteção de um povo? Táticas usadas, até mesmo pelos nazistas, devem ser aceitas para extrair a verdade? Quem é o certo e o errado no jogo político?

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