[Crítica] O Rei (The King)

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[Crítica] O Rei (The King)
[Crítica] O Rei (The King)

O Rei (The King) lançado pela Netflix em 1 de novembro de 2019, é uma adaptação de uma peça shakespeariana “Henrique V (Henry V)” escrita provavelmente em 1599 e publicada em 1600.

A peça foi baseada nos feitos heroicos do jovem Rei Henrique V (Henry V – 1386 a 1422 – Morreu aos 35 anos) que governou a Inglaterra entre os anos 1413 a 1422.

No filme, O príncipe Henry ou Hal para o mais íntimos (Timothée Chalamet), por discordar da forma como o pai (Rei Henry IV) governava a Inglaterra, preferia ficar festejando com os amigos do que ter obrigações com a coroa inglesa. Após a morte de seu pai, ele larga a vida de farra, assume o trono e começa a buscar de forma pacifica a desfazer as desavenças que o pai fez.

Timothée Chalamet
Timothée Chalamet

Desde muito cedo, o verdadeiro Rei Henry sempre foi muito ligado as obrigações da coroa e com apenas 16 anos liderou sua primeira guerra. Tendo em vista este fato, provavelmente questões como a desavença com o pai, as farras e os amigos de farra foram adicionadas por William Shakespeare, afinal ele gostava de historias com dramas familiares e que falavam de amizades verdadeiras (Exemplo Hamlet).

Um dos assuntos mais comentados sobre o filme, esta na atuação de Robert Pattinson como do Dauphin ( Dauphin era um titulo concedido ao filho mais velho do Rei da França nos anos de 1350 a 1830) e seu inglês com sotaque francês. Particularmente eu gostei, mas está longe de ser a cereja do bolo neste filme, pois há coisas muito mais interessantes, como intrigas, traições, amizade e talvez até um pouco de romance.

Uma das grandes controvérsias da peça está relacionada com o período em que ela foi escrita. Se por um lado conta a história de forma patriótica e saudosa das conquistas do jovem Rei Henrique V, por outra lado naquele momento a Inglaterra era governada pela Isabel I (Elizabeth I, também conhecida como “A Rainha Virgem” – 1533 a 1603 – Morreu aos 69 anos).

No ano de 1600, Isabel I já tinha mais de 60 anos, era solteira e não tinha nenhum herdeiro ao trono Inglês, sendo o próximo na linha de sucessão, o filho de uma prima de 2º grau, Jaimes VI (Rei da Escócia, 1566 a 1619 – Morreu aos 52 anos).

A prima, em questão, era Mary Stuart (Rainha da Escócia – 1542 a 1587 – Morreu aos 44 anos), que por ter pretensão ao trono Inglês, A rainha Isabel I a condenou a morte por traição a coroa. Mary Stuart foi decapitada em 1587.

Em outras palavras, acredito que o clima nos anos em que a peça foi escrita, não poderiam estar piores. Tendo em vista que o próximo Rei (Jaimes VI), além de estrangeiro, era filho da mulher que foi decapitada (Mary Stuart), pela atual Rainha (Isabel I).

Neste contexto, nada melhor que uma peça shakespeariana que fale sobre um período de grande conquistas para levantar o animo dos ingleses, não é mesmo?

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