[Crítica] O Poço (The Plataform) – Talvez a melhor representação cinemátografica dos dias atuais

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O Poço (Netflix)
O Poço (Netflix)

Talvez estamos falando de uma perfeita parábola que acidentalmente se encaixa como uma luva nos tempos atuais, O Poço (The Plataform) tem uma premissa engenhosamente simples.

Aviso:
O Texto abaixo contém spoilers do filme

O Poço (The Plataform). 

Confira o trailer do filme:

O Poço - Goreng (Iván Massagué)
O Poço – Goreng (Iván Massagué)

Com o começo em um abrir de olhos, somos levados até Goreng (Iván Massagué) que acorda em uma sala (prisão) de concreto e também descobrimos que ele se ofereceu para entrar na prisão para parar de fumar e ler um livro. No centro do piso e do teto, há grandes aberturas retangulares, através dos quais ele pode ver outras salas idênticas se estendendo acima e abaixo, através de inúmeros andares, podemos assimilar como uma prisão vertical em um formato de torre, vale lembrar igual mencionei acima Goreng irá ler um livro ou seja cada pessoa presente nesses andares pode levar algum item pessoal para essa “prisão”.

O único companheiro de Goreng é Trimagasi (Zorion Eguileor), um velho cruel e sorridente que explica o que está acontecendo aqui (todos os andares contém duas pessoas). Todos os dias, uma plataforma desce por um grande buraco no meio da “sala”, no qual é a única chance de comida para o dia inteiro, pois na plataforma contém um banquete que vemos no começo do filme a forma como é preparado (temos uma cozinha cheia de vaidade, meticulosamente preparando um banquete, cada prato uma obra de arte intocada). No nível 1, os prisioneiros têm acesso a um banquete de pratos cuidadosamente preparados, após alguns poucos minutos a plataforma é abaixada para o andar 2 e assim cada andar irá comer o resto dos que sobraram anteriormente. Cada andar só pode comer o que o andar acima deixa. Goreng está no andar 48, e logo de cara descobrimos que ele não está nem perto do fundo.

Trimagasi (Zorion Eguileor)
Trimagasi (Zorion Eguileor)

Se formos pensar na parte mais cruel desse sistema, é, sem dúvida, a visão social mais inteligente do filme, é que os presos mudam de andar todo mês. Assim, você pode ser relativamente feliz estado presente nos primeiros andares (5º andar por exemplo), mas no próximo mês você pode acordar no andar 133.

E se você está se perguntando como essas pessoas sobrevivem quando estão nos andares inferiores, talvez você não esteja pronto para o lugar horripilante para este filme.

O Poço (Netflix 2020)
O Poço (Netflix 2020)

O filme de Galder Gaztelu-Urrutia não tenta esconder sua metáfora social em uma história mais ampla. A metáfora é simples. Se todos os andares escolhessem apenas comer o que precisam, haveria comida para todos, mas ninguém come. Os habitantes são enviados para um novo andar a cada mês, para que possam se deleitar em um mês, passando fome no próximo. Eles têm lembranças curtas. Aqueles que se vêem subitamente elevados começam a se devorar, compensando a fome anterior. Eles reclamam em voz alta dos “bastardos” que os deixaram sem nada, enquanto fazem o mesmo quando estão nos níveis acima. O indivíduo, diz ele, nunca se culpará pela disfunção social. É sempre culpa daqueles acima e abaixo deles, aceitar demais ou esperar caridade que nunca dariam.

Acreditem!!!
Não é um filme para fazer você se sentir cheio de amor pelo próximo.

O diretor claramente está fazendo acusações sobre a sociedade, mas não está abanando os dedos. O Poço transmite sua mensagem moral com a mecânica de um thriller bem enxuto. Em todos os momentos somos apresentados novas informações, tanto sobre as pessoas na “prisão” uma mistura de prisioneiros e voluntários, assinando a promessa de uma recompensa quando (SE?) São liberadas, pois ao que parece todos os prisioneiros tem um determinado tempo para ficar vivendo daquela foma até serem liberados.

O Poço ( The plataform)
O Poço ( The plataform)

Como em vários outros filmes provavelmente temos um único set, O Cubo mesmo pode ser o comparativo mais óbvio, mas você também pode mencionar A Sala. A restrição do cenário força a criatividade, que o diretor se mostra muito competente, utilizando ângulos dramáticos, mudanças de iluminação e efeitos especiais criteriosos para mantê-lo visualmente surpreendente.

Quando vemos como os presos tratam essa comida, atacam-na e socam-na na cara, sem pausa para prová-la, (acredite podemos ficar sem apetite 🙁 ). Como frequentemente lembramos, a plataforma de comida desce todos os dias. Os mais altos nunca morrem de fome, mas comem como ogros (porque eles podem é claro) .

O Poço (The Plataform)
O Poço (The Plataform)

Gaztelu-Urrutia encontra maneiras muito inteligentes de dar dicas da história de seus personagens, sem realmente nos contar muito sobre eles. Goreng é o que mais descobrimos, mas mesmo sua biografia também é escassa. Sabemos pouco mais do que ele se ofereceu para ir à torre, por uma razão completamente absurda e trivial. Mas nós o conhecemos por suas ações. Ele é fundamentalmente bom e talvez confiante demais. Quando ele vê uma mulher silenciosa descendo a torre na plataforma, ele acredita na história de que ela está procurando seu filho. Ele quer ajudar. Suas tentativas impulsionam o filme para a frente. Uma regra de que cada preso pode trazer um único item para a torre nos dá uma abreviação de quem são essas pessoas, mesmo que as vejamos por apenas um segundo. Muitos trazem armas, Goreng, claramente um otimista, traz um livro, uma mulher solitária traz seu cachorro, um tolo brevemente visto traz, surpreendentemente, uma prancha de surf. Esses itens não revelam muito, mas fazem disso uma “prisão” cheia de pessoas com vidas e pensamentos.

É um filme com várias reviravoltas impressionantes, devido ao cenário limitado, e cada um deles lança uma nova luz sobre como o filme deve refletir a sociedade.

 

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João Fagner

Bom devo dizer que é completamente diferente do que eu imaginava sobre o filme. Vou ter que assistir