A disputa entre Steam Machine e PS5 parece, à primeira vista, uma briga desigual: de um lado, um “mini PC” da Valve pensado para rodar jogos no ecossistema do Steam; do outro, um console focado em entregar desempenho consistente com otimizações de fábrica. Em um teste comparativo, a conclusão geral é que a Steam Machine consegue ficar muito próxima do PS5 em vários jogos — mas também evidencia, em títulos mais exigentes, que o formato compacto do hardware cobra um preço.
O ponto central do comparativo é a forma como os testes foram conduzidos. Para avaliar o desempenho, o estudo coloca os dois sistemas em condições semelhantes, usando o modo de desempenho do PS5 (que tende a travar jogos em torno de 60 fps) e, na Steam Machine, ajustando configurações para buscar um “baseline” comparável. Ainda assim, a própria natureza do PC — com mais possibilidades de ajuste — faz com que a comparação não seja 100% direta.
Mesmo assim, os resultados ajudam a responder uma pergunta prática para quem está em dúvida: vale a pena escolher a Steam Machine como máquina principal de jogos, ou o PS5 continua sendo a opção mais equilibrada?
Consoles e PCs não jogam o mesmo jogo
Comparar diretamente PS5 e Steam Machine é difícil porque PCs permitem ajustes que consoles normalmente não oferecem. Em um console, o desenvolvedor costuma trabalhar com alvos fixos de taxa de quadros, alterando principalmente a resolução interna para manter a meta. Já no PC, o usuário (ou o próprio jogo, de forma automática) pode mexer em mais variáveis: qualidade de texturas, sombras, iluminação, efeitos e, em muitos casos, o comportamento de escalonamento via tecnologias como FSR (ou outras variações de upscaling).
Quando um jogo não suporta resolução dinâmica, a estratégia no PC costuma ser manual: reduzir qualidade para manter o desempenho acima de 60 fps. Só que, em cenas mais pesadas, mesmo assim pode haver quedas. Por isso, em hardware mais fraco, uma regra comum é tentar mirar acima de 60 fps para evitar que efeitos “estourem” e derrubem a taxa para patamares mais baixos. No teste, essa lógica aparece como pano de fundo para entender por que alguns jogos se mantêm próximos do PS5, enquanto outros não.
Como o teste foi feito na Steam Machine
Para colocar a Steam Machine e o PS5 em uma referência parecida, o comparativo ajusta a qualidade para o preset “medium” na Steam Machine. Em seguida, define a resolução de saída como 4K (3.840 x 2.160) e ativa o FSR em modo “Performance”. A ideia não é reproduzir exatamente o que o PS5 faz internamente, mas criar um ponto de comparação que permita enxergar o “quanto” a Steam Machine entrega em relação ao console.
Foram testados quatro jogos: Cyberpunk 2077, 007 First Light, Resident Evil Requiem e Death Stranding 2. A amostra é relevante porque mistura títulos com estilos e demandas diferentes, indo de mundos abertos e cenas densas até cenários com vegetação e iluminação complexa.

Cyberpunk 2077 e Resident Evil Requiem: onde a Steam Machine chega perto
Em Cyberpunk 2077, a Steam Machine alcança uma média de 68 fps no preset medium com FSR Performance em 4K. Há momentos em que o desempenho cai para cerca de 56 fps, mas, no geral, o sistema mantém uma faixa bastante suave, oscilando entre 60 e 70 fps. O PS5, por sua vez, entrega um comportamento bem previsível: no modo de desempenho, o jogo fica travado em 60 fps.
O resultado cria um contraste interessante. A versão do PS5 não tem os “picos” acima de 60 fps que a Steam Machine apresenta, mas também evita quedas mais visíveis. Além disso, o teste aponta que, ao aproximar detalhes, a versão do PS5 pode parecer um pouco melhor em nitidez — como no exemplo do brinco de Jackie, onde o PS5 mostra mais detalhes, enquanto a Steam Machine apresenta texturas mais borradas. Isso é atribuído ao preset “medium”, que tende a reduzir qualidade de texturas e, consequentemente, afeta a percepção de detalhe em close-ups.
Já em Resident Evil Requiem, a Steam Machine fica praticamente colada no console. A média fica em torno de 59,74 fps (com variações), e o teste destaca uma cena específica no começo do jogo, com uma rua chuvosa levando ao hotel. Em alguns momentos, o desempenho desce para a faixa de 50 fps, mas, no restante, o sistema sustenta algo entre 58 e 63 fps. O PS5, novamente, mantém o padrão de travar em 60 fps no modo de desempenho.
Na prática, a diferença tende a ser pequena para quem está jogando. Mesmo quando há variações na Steam Machine, o comportamento geral permanece dentro de uma faixa que não costuma “quebrar” a experiência. É justamente esse tipo de proximidade que faz a Steam Machine parecer, em parte dos testes, uma alternativa plausível ao console.

007 First Light: o ponto de estresse aparece
O cenário muda em 007 First Light. No teste, a Steam Machine apresenta uma média de 53 fps em 4K com FSR Performance e uma combinação de configurações medium e low. O PS5, por outro lado, continua travando em 60 fps no modo de desempenho.
Embora a diferença pareça “moderada” no número médio, o comparativo ressalta que existem momentos em que a Steam Machine despenca — como em cenas com explosões, quando o desempenho pode cair para algo próximo de 35 fps por instantes.
Para tentar igualar o comportamento do console, o teste mostra que ajustar a resolução ajuda. Ao reduzir a resolução final para 1.800p, a Steam Machine sobe para uma média na casa de 70 fps, com menos quedas. E, mesmo com a resolução menor, o comparativo indica que a imagem pode parecer mais limpa em alguns elementos, como barris e caixas em cenas específicas.
O PS5, nesse contexto, faz um tipo de trade-off diferente: para manter o desempenho, ele reduz a resolução interna a patamares bem baixos (o teste cita até 720p em certos momentos). Isso pode preservar a taxa de quadros, mas influencia a percepção de nitidez e detalhes. A Steam Machine, por sua vez, permite que o usuário escolha o equilíbrio entre resolução, qualidade e estabilidade — o que é uma das promessas do PC.

Death Stranding 2: a diferença fica difícil de ignorar
O teste mais duro para a Steam Machine vem com Death Stranding 2. Mesmo com ajustes agressivos — resolução em 2.160p, FSR em Performance e preset medium — o sistema registra apenas 35 fps de média. O comparativo atribui parte disso ao tipo de cena usada no teste: era uma área noturna, com muita vegetação e água, elementos que costumam pesar em iluminação e efeitos.
O PS5, novamente, mantém o padrão de estabilidade: o jogo fica travado em 60 fps no modo de desempenho. Na Steam Machine, porém, não foi possível chegar a uma estabilidade equivalente apenas com ajustes “simples”. Mesmo reduzindo a resolução para 1.440p e baixando para o preset low, o desempenho ainda ficava em torno de 45 a 50 fps.
Somente quando o teste reduz a saída para 1.080p, volta ao preset medium e ativa Dynamic Resolution Scaling é que a Steam Machine consegue manter um 60 fps estável. E isso ainda acontece em uma tela 4K, o que reforça o ponto: para jogos desse nível, o hardware compacto precisa “ceder” bastante.
Ao comparar lado a lado com o PS5, a diferença visual é descrita como “noite e dia”. Enquanto o PS5 mantém vegetação mais densa e melhor iluminação global e sombras, a Steam Machine faz o jogo parecer algo de gerações anteriores — ou até antes disso. O comparativo também lembra que Death Stranding 2 foi um dos grandes lançamentos do PS5 no ano, e que a equipe de desenvolvimento provavelmente investiu pesado em otimizações para o console. Mesmo assim, o gap permanece evidente.

Resumo rápido: semelhanças existem, mas a estabilidade pesa
Na maior parte do tempo, a Steam Machine e o PS5 ficam próximas em desempenho, com variações pequenas a favor do console em alguns casos. Porém, quando a exigência sobe, o formato compacto da Steam Machine cobra seu preço — e a diferença visual e de estabilidade pode ficar difícil de ignorar.
Vale a pena? O preço e o “trade-off” do formato compacto
Apesar das diferenças, o teste sustenta que a Steam Machine pode funcionar muito bem em alguns títulos e até surpreender pela capacidade de colocar desempenho perto do PS5. Ainda assim, a recomendação final do comparativo é clara: para quem quer uma máquina “pura” de jogos, consoles ainda tendem a ser a escolha mais segura.
Isso se conecta ao argumento de custo. O texto original menciona que a Steam Machine é extremamente cara para o nível de desempenho entregue. Embora o valor exato citado seja em dólares, a comparação editorial aponta que, para o público brasileiro, a conta precisa ser feita com conversões aproximadas. Em termos de referência, o preço de US$ 1.049 equivale a algo em torno de R$ 5.700 a R$ 6.000 (dependendo da cotação do dólar no período). Nesse patamar, a exigência do mercado por desempenho consistente em jogos pesados fica ainda mais alta.
Há também um fator prático: por ser um equipamento bem menor, a Steam Machine é descrita como quase um terço do tamanho do PS5 e, sob carga, tende a ser menos barulhenta. Para um nicho específico — quem quer um PC compacto e aceita ajustar configurações — isso pode pesar a favor. Mas, no teste, a conclusão é que a Steam Machine não entrega a mesma tranquilidade do console, especialmente quando o jogo exige mais do sistema.
No fim, a comparação deixa uma mensagem útil: a Steam Machine pode chegar perto em vários cenários, mas quando a exigência sobe, o formato compacto e as limitações de ajuste cobram seu preço.
Confira mais novidades em nosso Portal de Notícias!
Fonte: IGN



Comentários
Carregando...