A Anime Expo 2026 começou com um dos lançamentos mais aguardados do Dia 1: I Want to Love You Till Your Dying Day. Para quem acompanha yuri e fantasia sombria, a estreia foi um daqueles momentos que justificam a espera. A adaptação do mangá de Aono Nachi chegou às telas com um clima tenso, visual marcante e um núcleo emocional que alterna entre o delicado e o inquietante. A produção, assinada pela Infinite Inc., também chamou atenção por trazer para a animação uma história que já tinha conquistado leitores pelo tom: romance entre garotas com temas sombrios, sem cair no excesso gratuito.
O episódio inicial deixa claro desde cedo que não se trata apenas de “mais um” romance escolar. A trama se passa em uma escola misteriosa onde crianças são treinadas para se tornarem armas mágicas de guerra. É nesse ambiente que conhecemos Sheena Totsuki, e o primeiro impacto vem antes mesmo de entendermos completamente o que está em jogo: a abertura apresenta uma cena brutal, com uma garota ferida à beira da morte em um campo de batalha e uma figura encapuzada observando. A partir daí, a narrativa se organiza para apresentar os personagens e, principalmente, o tipo de conflito que vai atravessar a história.
Infinite Inc. e o yuri sombrio de I Want to Love You Till Your Dying Day no episódio 1
Embora o conceito de escola de treinamento não seja exatamente novo no anime, o episódio usa esse cenário como suporte para construir um elenco forte e uma dinâmica que prende. Sheena é apresentada como alguém que tenta lidar com a rotina do lugar, mas que carrega uma inquietação própria. Ela também é mostrada em momentos de pausa, como quando está sentada do lado de fora, pensando sobre comer, enquanto o mundo ao redor segue com a frieza de quem já se acostumou com a violência.
É nesse intervalo que surge Mimi Kagari, uma garota coberta de sangue que aparece pedindo comida e demonstrando curiosidade quase infantil. A conversa entre as duas é curta, mas funciona como uma “faísca” narrativa: Mimi se mostra entusiasmada, preocupada com o ferimento recente de Sheena e, ao mesmo tempo, estranhamente interessada em tudo ao redor.
Só que, antes que a situação se aprofunde, Mimi é levada por uma enfermeira chamada Fran. Sheena fica para trás, tentando entender o que acabou de acontecer.
O episódio então segue para o ponto que define a premissa emocional da obra: Mimi acaba se tornando a mais nova integrante da turma e, apesar de ter apenas 10 anos, é designada para ser a nova colega de quarto de Sheena. A chegada da garota desencadeia rumores na escola. Há quem diga que ela pode ser a “arma lendária” enviada para a batalha — e, ao mesmo tempo, o modo como Mimi se comporta, com doçura e “fofura” que desarmam qualquer expectativa, faz com que as pessoas hesitem entre acreditar no mito e tratar a situação como algo simples.
Entre os personagens apresentados com destaque no primeiro episódio estão Ali Maud e Lizzy Seiran, que também orbitam a dupla principal. A história aproveita o contraste entre o que Mimi parece ser por fora e o que o mundo ao redor sugere que ela representa por dentro. Mimi, por sua vez, se mostra feliz por reencontrar Sheena e, conforme a convivência começa, a curiosidade dela vai além do cotidiano: ela quer entender como as pessoas vivem, o que sentem e até o que acontece quando alguém morre.
Um dos momentos mais marcantes do episódio envolve justamente esse tema. Mimi presencia (ou é informada sobre) rituais ligados ao funeral de colegas, e a cena evidencia o choque entre a inocência da personagem e a normalidade cruel com que a escola trata a morte. Esse tipo de contraste é um dos elementos que sustentam o tom da obra: não é só “dark fantasy” por estética, mas por consequência emocional.

Yuri sem rodeios em I Want to Love You Till Your Dying Day: tensão e constrangimento
O primeiro episódio também aposta em interações leves para não deixar o clima pesar o tempo todo. Há momentos de humor e de aproximação entre Sheena e Mimi, enquanto as colegas tentam se aproximar para entender melhor o que está acontecendo.
Os rumores sobre Mimi voltam a circular quando ela é chamada para uma batalha logo no primeiro dia, o que acelera a sensação de que a história não vai esperar muito para colocar seus personagens em situações decisivas.
Sem transformar o episódio em um resumo de eventos, a narrativa chega ao seu clímax emocional com uma cena que, para fãs de yuri, não passa despercebida. Em um momento de caminhada, Sheena vê duas garotas se beijando. Ela recua, visivelmente envergonhada, tentando processar o que viu. Só que, quando tenta explicar a Mimi que aquilo seria “magia de cura”, a situação vira ainda mais constrangedora: Mimi aparece bem atrás dela, como se estivesse pronta para testar na prática o que Sheena acabou de dizer.
Esse final funciona como um resumo do que o anime promete: um romance entre garotas que não foge do que o público quer ver, mas que encaixa isso dentro de uma história maior, com fantasia sombria e consequências reais. A produção, até aqui, parece ter capturado a essência do mangá — pelo menos no que foi possível acompanhar do material original — ao oferecer um equilíbrio entre momentos ternos e instantes perturbadores, sem que a mudança de tom pareça forçada.
Para quem gosta de yuri com atmosfera mais séria, I Want to Love You Till Your Dying Day se posiciona como uma forte aposta da temporada. E, para quem acompanha a Infinite Inc., a expectativa também faz sentido: a empresa já tem histórico em adaptações do gênero, incluindo Citrus e, mais recentemente, a adaptação de This Monster Wants to Eat Me (Watatabe), que foi recebida com entusiasmo por sua qualidade e pelo impacto visual.

Painel na Anime Expo: bastidores da Infinite Inc. e novos anúncios
Depois da estreia, a Infinite Inc. levou ao palco um painel com participação da produtora Ena Hamabe. Ela também esteve presente no ano passado em um evento relacionado à estreia de Watatabe em Otakon, e aproveitou a oportunidade para falar sobre como a empresa funciona e como a produção de anime acontece dentro de uma estrutura pequena.
Hamabe destacou que a Infinite Inc. tem apenas sete pessoas. Isso significa que, além de produzir conteúdo, o time precisa lidar com as frentes de PR e negócios. Ela também descreveu seu papel nesse processo, envolvendo desde a divulgação até etapas ligadas à criação do material apresentado ao público. A fala reforça como, em empresas menores, cada decisão e cada etapa do trabalho tendem a ter impacto direto no resultado final.
Sobre I Want to Love You Till Your Dying Day, a produtora mencionou que a produção começou em 2023. Ela disse ainda que conheceu a história anos antes, inicialmente por meio de publicações no Twitter. O que a atraiu foi a combinação de animação “fofa” com um tema de fantasia sombria. Segundo Hamabe, a ideia é justamente oferecer algo que ela mesma queria ver animado como fã: um yuri com elementos de “cura” — ainda que a obra brinque com isso ao colocar personagens se beijando e criando tensão romântica.
Outro ponto do painel foi a colaboração com a ROLL2, uma produtora que trabalha ocasionalmente com a Infinite Inc. Hamabe explicou que as duas equipes ficam no mesmo prédio, o que facilita a comunicação e permite respostas rápidas para dúvidas que surgem ao longo do processo. Essa proximidade, segundo ela, ajuda a captar conteúdo com mais agilidade e entregar ao público em prazos mais curtos.
Durante a conversa, a equipe também mostrou ao público fotos de storyboard do vídeo promocional. A intenção, segundo a produtora, é evidenciar o nível de detalhe nos desenhos e como o time tenta colocar o melhor que tem no que será apresentado no anime.
Próximos projetos da Infinite Inc.: trailers e o que vem depois
Na parte final do painel, a Infinite Inc. apresentou três trabalhos em andamento, exibindo trailers para o público. Entre os anúncios estão Now That We Draw (também com participação da ROLL2), Within the Villainess (igualmente com a ROLL2) e The Final Boss Prince is Somehow Obsessed with the Chubby Villainess: Reincarnated Me, este último produzido com a Studio Lings.
O painel ainda teve uma dinâmica com sorteio ao final, com uma brincadeira de “pedra, papel e tesoura” para escolher um fã que levou para casa um shikishi assinado. Para quem acompanha o setor, esse tipo de interação também ajuda a reforçar a conexão entre estúdio e público, algo que costuma ser valorizado em eventos como a Anime Expo.
Por fim, ficou confirmado que I Want to Love You Till Your Dying Day começa a ser transmitido no Crunchyroll a partir de 7 de julho de 2026. Com o episódio inicial já estabelecendo personagens, clima e promessa romântica, a tendência é que a série ganhe tração rapidamente entre fãs de yuri e de fantasia sombria.
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Fonte: deadrhetoric



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