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Os robôs mais marcantes da TV: Twiki a Bender (ranking com 20 personagens inesquecíveis)

Os robôs mais marcantes da TV: Twiki a Bender (ranking com 20 personagens inesquecíveis)
Os robôs mais marcantes da TV: Twiki a Bender (ranking com 20 personagens inesquecíveis)
Índice

Robôs na televisão sempre funcionaram como espelho do que a sociedade teme, deseja ou simplesmente acha engraçado. Em alguns casos, eles são auxiliares carismáticos, em outros, ameaças existenciais, e há ainda os que viram piada, crítica social ou até catarse. Nesta lista, a ideia é celebrar a presença dos “tinheads” na cultura pop com um ranking dos 20 personagens mais marcantes da história da TV, do fim dos anos 1960 até produções recentes, passando por comédias, ficção científica e dramas distópicos.

A seleção também ganha um gancho atual: a BBC estreia Ann Droid, uma comédia de dupla improvável que coloca Diane Morgan como uma espécie de robô de cuidados para idosos, enviada para lidar com uma pensionista cética interpretada por Sue Johnston. O tom é de humor e estranhamento, mas o tema é familiar para quem acompanha a ficção científica britânica e global: o que acontece quando a tecnologia entra na vida cotidiana e começa a desafiar as relações humanas.

Com esse contexto, o ranking percorre desde assistentes de ficção espacial até androides que questionam identidade, emoções e autonomia. A seguir, veja os personagens do 20 ao 1, com detalhes sobre o papel de cada um e por que eles ficaram na memória do público.

20. Twiki ( Buck Rogers in the 25th Century, 1979-1981)

Twiki é o roboassistente que acompanha o herói de ficção científica Buck Rogers. A série, que chegou à TV décadas depois da origem do personagem em uma tira de jornal de 1929, ganhou um parceiro mecânico que ajudava no cotidiano e reforçava o clima de aventura. Interpretado por Felix Silla, conhecido por papéis marcantes como o “Cousin Itt” de The Addams Family, e dublado por Mel Blanc, Twiki servia bebidas, dizia “Biddi-biddi-biddi!” e carregava no pescoço um computador senciente chamado Dr Theopolis, que funcionava como uma espécie de cérebro portátil.

19. Awesom-O ( South Park, 2004)

Em South Park, a tecnologia costuma ser tratada como desculpa para o absurdo. Awesom-O, descrito como um robô “de origem japonesa”, é a identidade robótica de Eric Cartman. Na prática, ele usa um traje de papelão e uma voz mecânica para enganar Butters Stotch e se passar por um amigo robô, com o objetivo de obter informações úteis. O plano, como seria de esperar, sai do controle, e o personagem acaba envolvido em situações degradantes e ainda vira alvo de interesses militares e de um estúdio de Hollywood. A própria trama fecha com a revelação cômica de Cartman, que denuncia a farsa ao soltar gases.

18. Robert the Robot ( Justin’s House, 2011-2023)

O universo infantil também tem espaço para robôs, e Justin’s House é um exemplo. O programa, que funciona como uma espécie de remix de Noel’s House Party, apresenta Justin “Mr Tumble” Fletcher ao lado de um monstro de estimação verde e de um mordomo humanoide chamado Robert the Robot. Apesar do nome, Robert não é um robô real, e sim um homem pintado de prata, o que não impede o personagem de cumprir o papel de “mecânico” no imaginário das crianças. Entre tortas de creme, músicas e a rotina típica de programas para a primeira infância, o robô vira parte do cotidiano do público.

17. Cameron ( Terminator: The Sarah Connor Chronicles, 2008-2009)

Na série derivada do universo de Terminator, Cameron aparece como um modelo de exterminador enviado do futuro para proteger Sarah Connor e seu filho adolescente, John. Interpretada por Summer Glau, Cameron é descrita como uma ciborgue que consegue imitar comportamentos humanos com mais naturalidade do que modelos anteriores, além de ser capaz de comer. A trama também explora uma dimensão emocional inesperada, já que John desenvolve sentimentos românticos pela guarda metálica. Entre os antagonistas, há uma presença marcante de Shirley Manson, de Garbage, em um papel de Terminator que muda de forma. A série foi cancelada após duas temporadas, apesar de uma campanha de fãs.

16. Robot B-9 ( Lost in Space, 1965-1968)

“Danger, Will Robinson!” é a frase que ajuda a definir B-9 como um robô protetor. Em Lost in Space, ele acompanha a família Robinson enquanto o grupo atravessa o espaço e enfrenta perigos em planetas alienígenas. O personagem, por vezes confundido com Robby, o robô de Forbidden Planet, tem braços em formato de sanfona e mãos com garras. Seu relacionamento com o vilão Dr. Smith é marcado por tensão e ironia, já que Smith o trata com insultos e provocações, em uma dinâmica que mistura ameaça e comédia.

15. Dolores Abernathy ( Westworld, 2016-2022)

Em Westworld, Dolores Abernathy é uma das figuras centrais do drama distópico da HBO. A série, refilmagem de um filme cult de 1973 de Michael Crichton, aposta em um parque temático do Velho Oeste habitado por androides, projetados para serem caçados ou seduzidos por visitantes humanos. Com o tempo, porém, os personagens artificiais passam a demonstrar níveis perigosos de consciência. Dolores, interpretada por Evan Rachel Wood, tem visões e flashes de trauma, especialmente ligados ao antagonista Man in Black, vivido por Ed Harris. A partir disso, ela se aproxima de uma rebelião robótica, em uma trajetória que mistura sofrimento, memória e revolta.

14. Metal Mickey ( The Saturday Banana e outros formatos, com destaque para a fase televisiva)

O ranking também inclui um robô que marcou a cultura televisiva infantil britânica: Metal Mickey. Criado, controlado e dublado por Johnny Edward, músico que já havia trabalhado com David Bowie, o personagem tinha cerca de 1,5 metro e vivia com a família Wilberforce, ajudando nas tarefas domésticas. A avó Irene Handl observava tudo com desconfiança. O robô tinha como “guloseima” os doces Atomic Thunderbuster, que chegaram a ser vendidos por um período, em uma estratégia que aproveitava a popularidade do personagem. A série infantil, dirigida por Micky Dolenz, amigo de Edward e integrante do The Monkees, chegou a alcançar pico de 12 milhões de espectadores. O personagem ainda inspirou uma música com o nome “Suede”.

13. Murderbot ( Murderbot, 2025-presente)

Em Murderbot, o protagonista é um “SecUnit”, um droid de segurança que, ao longo da história, passa a hackear seu próprio sistema e a esconder a autonomia recém-adquirida. A série, adaptada das novelas de Martha Wells, tem Alexander Skarsgård no papel e acompanha a missão de mapear um planeta alienígena com uma equipe de cientistas. A graça e o desconforto do personagem estão no contraste entre a função de proteger pessoas e o modo como ele trata a própria humanidade: Murderbot ironiza e debocha dos “humanos estúpidos”, enquanto mantém um comportamento frio, entediado e, ainda assim, eficiente. O personagem também é amplamente interpretado como codificado para representar traços autistas e identidade agênera. Uma segunda temporada está em produção.

12. Mia, AKA Anita ( Humans, 2015-2018)

Em Humans, Mia, também chamada de Anita, é uma androides doméstica que “acorda” e passa a lutar por liberdade. A série da Channel 4 foi premiada com BAFTA e funcionou como uma ficção científica com linguagem de novela, usando a presença de robôs humanizados como metáfora para a forma como a sociedade trata trabalhadores migrantes. Mia, interpretada por Gemma Chan, tem olhos verdes luminosos e é nomeada Anita pela família Hawkins. Para preparar a atuação, Chan foi enviada para um “synth school”, um treinamento para reduzir tiques físicos humanos. Em entrevista, ela descreveu como foi um alívio voltar para casa e “se jogar” de forma mais relaxada, sugerindo o contraste entre o corpo humano e o corpo “programado”.

11. Android Ash ( Black Mirror, episódio “Be Right Back”, 2013)

Entre os episódios iniciais de Black Mirror, “Be Right Back” segue como um dos mais fortes. Quando Ash, interpretado por Domhnall Gleeson, morre em um acidente de carro, sua namorada grávida Martha, vivida por Hayley Atwell, recorre a um serviço que usa postagens e pegadas digitais para criar uma imitação de inteligência artificial. No começo, ela conversa com uma versão virtual de Ash por mensagens e videochamadas, tentando aliviar o luto. A etapa seguinte, porém, introduz uma versão sintética em formato de android. A pergunta que fica no ar é simples e cruel: o que poderia dar errado quando a tecnologia tenta substituir uma pessoa de verdade?

10. IG-11 ( The Mandalorian, 2019-2023)

IG-11, conhecido como “Eyegee”, aparece primeiro como um droid assassino no universo de Star Wars, com a missão de capturar Baby Yoda. Ele é destruído pelo caçador de recompensas Din Djarin, interpretado por Pedro Pascal, mas retorna como IG-12. Agora reprogramado pelo fazendeiro Ugnaught Kuiil, vivido por Nick Nolte, o personagem passa a atuar como “enfermeiro e protetor” de Grogu, o pequeno ser verde. A atuação vocal de Taika Waititi foi descrita como uma mistura entre a ideia de Siri, da Apple, e Hal, de 2001: A Space Odyssey, reforçando o tom peculiar do personagem.

09. Eto Demerzel ( Foundation, 2021-presente)

Em Foundation, Eto Demerzel chega como uma “gynoid”, um robô humanoide com aparência feminina, servindo como conselheira real em meio a um triunvirato de clones do imperador Cleon. Com o avanço da segunda temporada, a série revela que Demerzel é a força real por trás do trono. Interpretada por Laura Birn, a personagem tem uma história que atravessa eras, já que viveu mais de 20 mil anos. Ela é a última sobrevivente dos “Robot Wars” e passa a orientar a humanidade para sobreviver. A revelação muda o eixo da trama e dá ao personagem um peso quase mítico.

08. Sir Killalot ( Robot Wars, 1998-2018)

Em Robot Wars, um programa cult da BBC Two, equipes de roboteiros amadores colocavam seus inventos em uma arena de combate. O Sir Killalot era o robô “da casa”, com um visual reconhecível e um conjunto de armas que incluía um capacete blindado, uma lança de perfuração rotativa, mandíbulas largas, braços potentes e garras hidráulicas capazes de esmagar adversários. O personagem podia, e às vezes de fato fazia, cortar um oponente ao meio. Além disso, chegou a lançar uma música pop chamada Robot Wars (Android Love), creditada como Sir Killalot vs Robo Babe, que alcançou a posição 51 no ranking de singles do Reino Unido.

07. Número Seis ( Battlestar Galactica, 2004-2009)

Em Battlestar Galactica, o Número Seis é uma das figuras mais memoráveis dos Cylons. No reboot, ela aparece como uma androide imponente, chamada de Six em referência ao personagem de Patrick McGoohan em The Prisoner. A atriz canadense Tricia Helfer, ex-modelo, dá vida à personagem. Six usa sedução e manipulação para pressionar o cientista Gaius Baltar a revelar segredos de defesa que ajudaram os “skin jobs” a conquistar seus criadores humanos. A mistura de ameaça e carisma faz dela uma presença constante na tensão política da série.

06. Vision ( WandaVision, 2021)

WandaVision surpreendeu ao apostar em uma narrativa retro e experimental, com Wanda Maximoff, a Feiticeira Escarlate, e o android Vision, interpretado por Paul Bettany, vivendo em um subúrbio idílico. A vida cercada por cercas brancas parece perfeita até que a realidade falsa começa a distorcer e a atravessar décadas de clichês de sitcom. Vision também ganhou destaque por sua própria história, com a promessa de um spin-off chamado VisionQuest, previsto para outubro.

05. K-9 ( Doctor Who, 1977-2010)

K-9 é o companheiro canino robótico que atravessou o tempo e o espaço ao lado do Quarto Doutor, interpretado por Tom Baker. O personagem apareceu em diferentes spin-offs de Doctor Who e também na fase de revival do século XXI. A lealdade do “cão eletrônico” se destaca em batalhas contra inimigos alienígenas, ajudado por seu conhecimento enciclopédico e por uma arma a laser escondida no nariz. O resultado é uma combinação de utilidade e afeto, que consolidou K-9 como um clássico.

04. Marvin the Paranoid Android ( The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, 1981)

Marvin, o android paranoico, nasce de um programa para dar personalidade a robôs. O protótipo da Sirius Cybernetics Corporation é deprimido e entediado, porque seu cérebro do tamanho de um planeta nunca é desafiado o suficiente, e ele fica preso em tarefas pequenas. Na comédia científica de Douglas Adams, Marvin viaja pelo espaço ao lado do último homem sobrevivente da Terra, Arthur Dent. A influência cultural do personagem é tamanha que o Radiohead batizou uma faixa de OK Computer em referência a ele. Mesmo assim, nada parece melhorar o humor do android.

03. Kryten ( Red Dwarf, 1988-presente)

Kryten é um robô de limpeza que, apesar do corpo “quadrado” e do apelido de Captain Bog-bot e Commander U-Bend, tem um papel central na tripulação do navio de mineração que dá nome à série. Interpretado por Robert “Scrapheap Challenge” Llewellyn, ele aceita humilhações para servir à humanidade, mas, depois de perder programas de obediência, aprende a mentir e a insultar pessoas. A série ainda registra um feito curioso: Kryten teria sido o primeiro robô da ficção científica a dar o dedo a um humano. O tom é de humor ácido, mas a personagem também carrega uma crítica sobre controle e autonomia.

02. Data ( Star Trek: The Next Generation, 1987-1994)

Data é o android que, na primeira fase do reboot do universo criado por Gene Roddenberry, cumpre uma função parecida com a de Spock: um outsider de mente brilhante que luta para entender emoções humanas. Interpretado por Brent Spiner, Data é descrito como mais sensível do que a média dos seres sintéticos. Ele tem um gato de estimação, vive romances e até declara que domina uma “variedade ampla de prazeres”. Também existe um “gêmeo” maligno, reforçando a complexidade do personagem. Ao longo da série, Data deseja se tornar plenamente humano, e essa busca acaba virando o coração emocional do programa, mesmo quando ele não tem coração.

01. Bender ( Futurama, 1999-presente)

No topo do ranking está Bender Bending Rodríguez, o robô mais irreverente de Futurama. A história do personagem é comparada à de qualquer pessoa, mas com mais interesse, já que envolve robôs. Bender é um robô mal-educado, que bebe demais, fuma charuto, flerta com mulheres, evita trabalho, pratica pequenos furtos, tem visão niilista e é frequentemente mal-humorado. Ele foi programado originalmente para dobrar vigas de aço, e o nome vem de Judd Nelson, personagem de The Breakfast Club, além de ter relação com a inspiração para a frase “Eat my shorts”, associada a Bart Simpson.

Na trama, Bender se torna o primeiro grande amigo do protagonista Fry, depois de Fry ficar preso em um tubo criogênico por um milênio. E, para quem discorda do primeiro lugar, a própria série oferece a resposta: “bite his shiny metal ass”, uma provocação que resume o espírito do personagem. Bender não é apenas um robô engraçado, ele é um tipo de anti-herói que ajuda a série a tratar de temas como identidade, liberdade e escolhas morais com humor.

O ranking, ao colocar personagens tão diferentes lado a lado, mostra como a ficção científica televisiva usa robôs para falar de humanidade. Seja para provocar risos, gerar desconforto ou construir dramas sobre memória e autonomia, esses “tinheads” continuam voltando, com novas formas e novas perguntas.

Ann Droid estreia na BBC One e no BBC iPlayer às 21h30 de sexta-feira, 17 de julho.


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Fonte: theguardian

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