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O uso de IA generativa em Ascendance of a Bookworm no ‘One Piece Remake’ virou assunto após a Wit Studio admitir oficialmente que parte de uma abertura recente passou por esse tipo de tecnologia — e a repercussão reacendeu dúvidas entre fãs sobre o remake em anime de One Piece na Netflix.
A admissão veio depois de críticas que começaram a circular na comunidade de animes quando a nova abertura da 4ª temporada de Ascendance of a Bookworm apareceu com elementos que muitos interpretaram como “arte gerada por IA”. Em seguida, o estúdio informou que realizou uma investigação interna motivada por feedback recebido a partir de 4 de abril de 2026.
O que a Wit Studio confirmou sobre a abertura
O episódio 1 da 4ª temporada de Ascendance of a Bookworm marcou a estreia de uma nova abertura. Pouco depois, parte do público apontou que os fundos animados apresentavam características incomuns, levantando suspeitas de que a produção poderia ter recorrido a ferramentas de IA para acelerar ou baratear etapas do trabalho.
De acordo com o comunicado, a abertura foi retirada e uma versão revisada seria disponibilizada mais adiante. Agora, com a confirmação oficial, a Wit Studio detalhou que a IA generativa foi aplicada especificamente na produção da arte de fundo de uma porção da abertura exibida no episódio 1.
Segundo o estúdio, a tecnologia foi usada para criar materiais empregados em “um trecho” da abertura. A empresa, porém, não descreveu o processo com profundidade técnica, limitando-se a afirmar que a decisão não deveria ter ocorrido dentro das regras internas do próprio estúdio.
Na mesma nota, a Wit Studio afirmou que a correção já está em andamento: o fundo daquela cena será redesenhado e a abertura será substituída por uma versão final que utiliza os materiais de fundo revisados. A atualização, conforme o comunicado, começa no episódio 2, quando a nova sequência de abertura passará a ser exibida com a alteração.

“Em princípio, não permitimos IA”, diz o estúdio
Um dos pontos mais relevantes do comunicado é a tentativa de contextualizar a decisão. A Wit Studio declarou que, em princípio, não permite o uso de IA generativa na produção de vídeos de suas obras, incluindo Ascendance of a Bookworm.
O estúdio também mencionou que existe uma exceção: um trabalho experimental chamado Dog and Boy, criado com a finalidade de verificação técnica. Ou seja, a empresa tenta separar “testes controlados” de uso em material que chega ao público.
Mesmo assim, a nota reconhece que o que ocorreu foi resultado de falhas na gestão e na inspeção do processo produtivo. Em outras palavras, a empresa não tratou a IA generativa como uma escolha assumida para aquela produção, mas como um desvio que passou por etapas de controle — e que agora está sendo corrigido.
O comunicado inclui ainda um pedido de desculpas aos fãs, ao autor original e às demais partes envolvidas. A Wit Studio também disse que pretende evitar repetição do problema revisando diretrizes e o sistema de gerenciamento do estúdio.
Terceirizados e artistas não seriam os responsáveis, afirma a nota
Além de confirmar a presença de IA generativa, a Wit Studio buscou delimitar responsabilidades. A empresa indicou que o estúdio terceirizado Nam Hai Art e os profissionais envolvidos na produção — incluindo o artista-chave e o responsável pelo storyboard Kazuto Nakazawa — não seriam culpados pelo ocorrido.
Essa distinção importa porque, em casos como esse, a discussão costuma se dividir entre “quem usou a ferramenta” e “quem deveria ter impedido o uso”. Ao afirmar que os terceirizados e artistas não têm culpa, a Wit Studio reforça que o problema estaria mais ligado ao fluxo de trabalho, aos controles internos e às etapas de aprovação.
Por que isso preocupa fãs de One Piece na Netflix
O impacto do caso vai além de Ascendance of a Bookworm. A Wit Studio é o estúdio por trás do remake em anime de One Piece anunciado para a Netflix, projeto que ainda não tem data de lançamento confirmada nem detalhes consistentes sobre produção.
Desde o anúncio inicial em dezembro de 2023, o público tem acompanhado uma sequência de atualizações pontuais, mas com pouca informação concreta sobre cronograma. Enquanto isso, a Netflix também tem investido em outras ramificações de One Piece, como a série live-action e um spin-off animado em formato de LEGO.
Para quem acompanha o anime original e acompanha o noticiário do remake, o silêncio sobre quando o projeto chega e como ele será feito tende a aumentar a ansiedade. E, com a controvérsia recente envolvendo a Wit Studio, parte dos fãs passou a interpretar o cenário de forma mais crítica.
A preocupação não é apenas com a qualidade visual. Para muitos espectadores, o uso de tecnologia em animações levanta questões sobre o valor do trabalho artístico tradicional, além de trazer debates sobre autoria e uso de materiais sem consentimento. Mesmo quando o estúdio diz que “em princípio” não permite, a existência do episódio recente cria um precedente que dificilmente será ignorado.
Assim, a pergunta passa a ser inevitável: se houve falha de controle em um projeto atual, o que garante que o mesmo tipo de problema não possa ocorrer em um projeto maior, como o remake de One Piece?
O que muda a partir de agora
Na prática, a correção já foi anunciada para Ascendance of a Bookworm: a abertura será substituída a partir do episódio 2, com fundos redesenhados. Isso significa que, para a obra em questão, o dano visual tende a ser mitigado rapidamente — e o estúdio tenta recuperar a confiança do público com uma ação concreta.
Já para One Piece, o cenário é diferente. Como o remake ainda não teve trailer ou janela de lançamento detalhada, a discussão tende a continuar no campo das expectativas e das especulações. Ainda assim, a declaração da Wit Studio pode servir como termômetro do que o público deve cobrar no futuro: transparência sobre processos, políticas claras sobre IA e, principalmente, mecanismos de controle que impeçam “atalhos” tecnológicos de chegarem ao produto final sem revisão.
Enquanto a Netflix segue sem anunciar uma data de estreia para o remake em anime de One Piece, é provável que qualquer nova atualização do projeto venha acompanhada de atenção redobrada. Afinal, além da promessa de adaptação, o debate sobre como a indústria está usando (ou evitando) inteligência artificial na criação de animações tende a permanecer no centro das conversas.
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Fonte: CBR.




