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10 melhores animes de fantasia de todos os tempos (em ordem de destaque)

10 melhores animes de fantasia de todos os tempos (em ordem de destaque)
10 melhores animes de fantasia de todos os tempos (em ordem de destaque)
Índice

A fantasia nunca esteve tão em alta no anime quanto agora. A cada temporada surgem novas histórias de reinos em guerra, monstros ameaçando cidades, guildas de aventureiros e, claro, mais um isekai em que o protagonista parece “nascer” forte demais para o próprio grupo já no segundo episódio. Eu também gosto desse tipo de série. Solo Leveling, por exemplo, foi fácil de maratonar justamente pela satisfação imediata das lutas. Mas, quando a gente olha para os títulos que realmente ficam na memória, percebe que a fantasia vai muito além de upgrades, heróis invencíveis e batalhas intermináveis. Ela pode ser sobre escolhas morais, sobre construção de mundo, sobre relações humanas e até sobre como o gênero se comporta quando é colocado sob uma lente crítica.

Esta lista reúne dez animes que abordam a fantasia por caminhos diferentes. Há obras que transformam economia e negociação em tensão dramática, outras que encontram beleza no silêncio e no tempo passando, e algumas que brincam com os clichês do próprio universo fantástico sem perder o nível de qualidade. O ponto em comum é que, mesmo anos depois de lançadas, essas séries continuam justificando o hype, seja pela narrativa, pelo impacto emocional ou pela forma como renovaram o que o gênero podia entregar.

Por que confiar nesta seleção: acompanho cinema e televisão há quase quatro anos no MovieWeb e sou fã de anime desde antes disso virar trabalho. Já vi de tudo, de OVAs clássicos a épicos sombrios, de aventuras longas de shōnen a histórias centradas em personagens. Em todos os casos, o que me faz recomendar um anime é o mesmo: a sensação de que ele permanece com você depois que os créditos acabam.

01. Record of Lodoss War (1990)

Por que assistir: Record of Lodoss War tem uma origem curiosa. A história começou como uma campanha de RPG de mesa, foi registrada e depois ganhou adaptações em outros formatos, incluindo romance e, mais tarde, esta OVA. O resultado é um tipo de fantasia que lembra uma sessão de D&D no melhor sentido, com um grupo formado por arquétipos bem reconhecíveis, como cavaleiro, elfo, anão e mago, mas que ainda assim conseguem parecer distintos. Parte disso acontece porque a obra chegou antes de o isekai e vários clichês modernos se cristalizarem como fórmula. Assistir hoje é como ouvir uma versão original de uma música que, mais tarde, virou cover em todo lugar.

Quando pular: se você busca ritmo acelerado e animação “moderna” em alta taxa de quadros, vale ajustar a expectativa. Por ser de 1990, o tempo da narrativa é outro, e as cenas de ação também mostram a idade do material. A graça aqui não é a velocidade, e sim a atmosfera e a estrutura de aventura.

02. KonoSuba (2016 – presente)

Por que assistir: KonoSuba funciona porque entende que a fórmula do isekai já estava saturada quando a série chegou. Em vez de seguir o roteiro tradicional, o anime decide desmontá-lo por meio de humor e ironia. O protagonista Kazuma é enviado a um mundo de fantasia acompanhado por uma deusa tão incompetente que parece amaldiçoada, e a série usa cada clichê do “escolhido” como combustível para piadas. É como ter um amigo que te provoca o dia inteiro, mas que ainda assim aparece às 2h da manhã para ajudar quando o carro quebra.

Quando pular: se você prefere fantasia séria, com elenco “certinho” e tom solene, KonoSuba provavelmente não vai agradar. Os personagens são, em diferentes graus, egoístas, desajustados ou simplesmente fora do eixo, e o humor costuma apostar em situações de humilhação.

03. Spice & Wolf (2008 – 2009)

Por que assistir: é difícil explicar por que Spice & Wolf se tornou um dos meus favoritos de todos os tempos, mas a resposta passa por uma combinação rara: tensão de negociação e química entre personagens. A série acompanha Lawrence e Holo em viagens que envolvem rotas comerciais, barganhas e flutuações de mercado, e as conversas entre os dois têm uma intensidade que poucas obras do gênero conseguem igualar. Holo, o “lobo deus”, é antiga, afiada no sarcasmo, imprevisível e solitária de um jeito que a obra não precisa declarar em voz alta para ficar evidente. E, sim, ver dois personagens flertando por meio de estratégia econômica é fascinante.

Quando pular: muitas fantasias constroem mundos imersivos com magia e monstros, mas aqui, além de Holo, o foco está em guildas mercantis e no jogo de interesses. É uma fantasia mais “aconchegante” no sentido de que tenta te fazer pensar e calcular, em vez de te esmagar com ameaças o tempo todo.

04. Fate/Zero (2011 – 2012)

Por que assistir: existe uma discussão enorme na internet sobre ordem de assistir em Fate, e ela já virou assunto para debates intermináveis. Ainda assim, Fate/Zero é a série que eu mais recomendo para a maioria das pessoas. Gen Urobuchi pega uma premissa que poderia virar apenas uma batalha competitiva e transforma em tragédia. Cada personagem acredita ser o herói da própria história, e isso cria um tipo de conflito em que a “vitória” raramente parece limpa. É por isso que considero Fate/Zero uma das maiores fantasias do meio. Eu não guardo a série apenas pelas lutas, embora elas impressionem. O que fica são as conversas, as escolhas difíceis e um elenco em que é quase impossível estabelecer hierarquia, porque todo mundo ganha espaço para brilhar.

Quando pular: se você quer uma aventura leve, com pouca carga emocional, talvez não seja a melhor porta de entrada. A obra é muito centrada em diálogos e carrega sofrimento e perdas ao longo do caminho. Além disso, se você nunca tocou em nenhum outro material de Fate, a série pode te transformar em alguém que passa a acompanhar tudo com obsessão.

05. Made in Abyss (2017 – presente)

Por que assistir: muita gente recomenda Made in Abyss com o aviso “fica mais escuro”. Isso é verdade, mas a frase costuma subestimar o que a série faz de forma mais ampla. A aparência e o design dos personagens lembram algo de um público infantil, porém a trama insiste em lembrar que não é bem assim. O Abismo, em si, é talvez o melhor exemplo de worldbuilding em fantasia moderna no anime. Conforme a exploração avança, o lugar fica mais perigoso e mais desorientador, e cada camada adiciona criaturas novas, regras novas e ameaças novas. A sensação é de que a curiosidade é sempre punida, mas ainda assim vale a pena continuar olhando.

Quando pular: se você tem limites claros com body horror e situações envolvendo risco a crianças, é melhor evitar. A série não suaviza esses elementos por causa do traço “fofo”. O contraste é parte do choque.

06. Attack on Titan (2013 – 2023)

Por que assistir: poucos animes conseguem permanecer no centro do debate por uma década inteira. Jujutsu Kaisen é um exemplo recente, mas Attack on Titan foi além. Eu demorei anos para começar, achando que seria apenas um desfile de titãs destruindo paredes por episódios a fio, e estava errado. O que torna a obra uma fantasia-mestra não é só o espetáculo de romper muros, e sim a maneira metódica como a série desmonta o próprio arcabouço moral conforme o escopo cresce. Ela sai do “sobreviver aos monstros” e chega ao “encarar gerações de ódio fabricado”. E há ainda um detalhe que exige coragem: o anime faz você simpatizar com personagens que, por temporadas, você foi treinado para odiar.

Quando pular: se você desistiu cedo porque os primeiros episódios pareciam repetitivos, como um loop de survival horror, essa crítica é compreensível. O ritmo é mais lento no começo, mas a série compensa a paciência quando começa a pagar as promessas.

07. Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba (2019 – presente)

Por que assistir: Demon Slayer recebe críticas de todos os lados. Dizem que a história é simples demais, que os personagens são barulhentos, que é mais estilo do que substância, e que tudo se resume ao “garoto vinga a família, entra em uma ordem secreta”. Eu entendo de onde vem parte dessas reclamações, mas também entendo por que a série continua crescendo. A cada nova temporada, ela melhora visivelmente em animação e, principalmente, em coreografia de lutas. Mais do que isso, cada combate carrega peso emocional. Tanjiro é fácil de torcer porque a bondade dele não soa como fraqueza, e isso dá coerência ao que a obra quer provocar.

Quando pular: em termos práticos, não há muito motivo para pular. Se eu tivesse que apontar um ponto, seria a narrativa, que segue de perto convenções do shōnen mesmo quando as imagens fazem algo acima da média. Para quem busca experimentação estrutural, pode parecer familiar demais.

08. Fullmetal Alchemist: Brotherhood (2009 – 2010)

Por que assistir: existe uma regra central em Fullmetal Alchemist: Brotherhood, e ela é quase um pacto com o espectador: a alquimia depende de troca equivalente. O que torna a série especial é que ela não quebra essa regra só para facilitar a trama. Mesmo quando seria conveniente resolver tudo com um gesto, a obra insiste em manter a disciplina do sistema. É essa consistência que mantém o anime como referência para tantos shōnen de fantasia que tentam, anos depois, chegar perto do mesmo nível. Ao mesmo tempo, a série não deixa você esquecer que todo ganho tem custo. A partir daí, ela levanta perguntas sobre guerra, poder, sacrifício e, no fundo, sobre o que significa ser humano.

Quando pular: se você assistiu à adaptação de 2003 e acha que já conhece a história, atenção. Brotherhood segue o final do mangá, enquanto o primeiro anime tomou um caminho divergente. Maratonar os dois seguidos é um compromisso longo, então vale escolher um.

09. One Piece (1999 – presente)

Por que assistir: o maior obstáculo de One Piece sempre foi o número de episódios. Ver quatro dígitos ao lado do título assusta mesmo. Só que, depois de anos acompanhando, fica difícil negar que o tamanho é também a maior força. Eiichiro Oda teve décadas para construir um dos mundos mais ricos do anime, e o resultado aparece em detalhes: piadas feitas muito tempo atrás voltam mais tarde com impacto emocional real. Esse planejamento é raro. A fase atual, o arco de Elbaf, leva os Chapéus de Palha à terra lendária dos gigantes e, finalmente, entrega um orçamento de animação à altura da ambição do autor.

Quando pular: se você quer uma maratona de fim de semana, One Piece não é o tipo de compromisso que cabe na rotina de todo mundo. Ainda assim, há um argumento forte para começar agora: o arco atual sugere que a espera valeu a pena.

10. Frieren: Beyond Journey’s End (2023 – presente)

Por que assistir: antes de Frieren, Fullmetal Alchemist: Brotherhood era, sem dúvida, meu anime de fantasia favorito de todos os tempos. Frieren conquistou espaço rápido. A maioria das histórias de fantasia termina quando o rei demônio cai, mas aqui a série começa exatamente depois disso. O anime passa a maior parte do tempo perguntando o que uma elfa imortal faz com a dor de sobreviver a todos os humanos que ela amou. A ideia é simples, mas abre caminho para uma das fantasias mais cuidadosas e emocionais já feitas. Não há pressa para chegar à próxima batalha. Em vez disso, a obra encontra sentido em conversas, memórias e na passagem lenta do tempo. É contemplativo, devastador e, ainda assim, bonito.

Quando pular: se você precisa de ação constante para sustentar a narrativa, pode não ser seu tipo de experiência. Quando as lutas acontecem, elas funcionam quase como consequência do que a série realmente quer dizer. Se você não gosta de um ritmo quieto e reflexivo, é improvável que o anime mude isso por magia. Ainda assim, para quem aprecia fantasia que respira, Frieren tem tudo para figurar entre os melhores do gênero.

Qual é o seu anime de fantasia favorito de todos os tempos? A lista é longa, mas a conversa sobre o que cada obra faz de melhor costuma ser tão interessante quanto assistir.


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