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O mangá de The Legend of Zelda: Twilight Princess tem tudo para virar anime — e, se isso acontecer, pode até ameaçar o domínio de Solo Leveling na Crunchyroll. Dois anos após a estreia de Solo Leveling em 2024, a série segue como o maior fenômeno de anime na plataforma. Mas, em meio a esse cenário, uma ideia volta a ganhar força entre fãs: e se The Legend of Zelda finalmente entrasse no mundo dos animes — e ainda por cima com uma obra capaz de disputar atenção no mesmo patamar?
O nome que aparece como candidato mais promissor é Twilight Princess, especialmente por causa do seu mangá, adaptado por Akira Himekawa, que já demonstrou ter material, ritmo e apelo para sustentar uma produção longa.
Embora a Nintendo ainda não tenha anunciado uma adaptação oficial de Zelda para anime, a franquia já tem um caminho pavimentado no formato de mangá. E, no caso de Twilight Princess, não se trata de uma adaptação curta ou apenas “resumida”: a obra ocupa 11 volumes e foi publicada por seis anos no aplicativo MangaONE, da Shogakukan, entre 2016 e 2022. Para uma plataforma como a Crunchyroll — que vive de séries com engajamento global — esse tipo de base pode ser exatamente o que falta para transformar uma história conhecida em um produto audiovisual com identidade própria.
O que torna o mangá de Twilight Princess tão forte
Akira Himekawa é um pseudônimo usado por uma dupla feminina de mangakás, formada por A Honda e S Nagano. O estilo do grupo ajudou a construir uma base de fãs fiel ao longo dos anos, em grande parte porque suas adaptações de Zelda costumam manter o espírito dos jogos. Ao mesmo tempo, elas também oferecem leituras que expandem emoções e detalhes.
Em muitas dessas versões, a dupla adapta praticamente todos os jogos principais da franquia em volumes que, em geral, encurtam partes da narrativa original. Twilight Princess, porém, foge do padrão.
A obra é descrita como um trabalho mais amplo e “espalhado”, acompanhando a história do jogo com fidelidade, mas também adicionando camadas próprias. Um dos pontos mais elogiados nesse tipo de adaptação é o foco maior nas emoções de Link.
Nos jogos, Link é frequentemente tratado como um protagonista silencioso, quase um avatar para o jogador. Já no mangá de Himekawa, ele ganha traços de personalidade mais definidos, com motivações e sentimentos apresentados de forma mais direta.
Esse deslocamento muda a experiência. Em vez de o leitor apenas “acompanhar” o herói, ele passa a entender melhor o que Link pensa, sente e teme. Isso dá ao enredo uma densidade dramática que combina com o tom mais sombrio de Twilight Princess — um dos jogos mais maduros da franquia.
Ao mesmo tempo, o mangá mantém o que faz Zelda funcionar: monstros memoráveis, puzzles desafiadores e encontros com aliados que ajudam a conduzir a jornada.
Outro aspecto que chama atenção é como a adaptação aproveita brechas do universo para explorar lore de maneira criativa. Há momentos em que a obra aprofunda elementos do mundo de Zelda com ideias que dialogam com o que os fãs já conhecem — mas sem soar como repetição.
Exemplos citados incluem a forma como o mangá trata a história de Majora’s Mask e também uma releitura do mito de Hylia e do “primeiro herói”, antes mesmo dos eventos de Skyward Sword. Em outras palavras: o mangá não serve apenas para “contar o jogo de novo”, mas para ampliar o interesse por partes do universo.
No centro de tudo está uma narrativa de vingança e redenção. Assim como no jogo, Link parte em busca dos responsáveis pelo sequestro de um amigo de infância — e, ao longo do caminho, percebe que está sendo puxado para um plano maligno que se desenrola há milênios.
É exatamente esse tipo de estrutura, com passado sombrio e consequências que se acumulam, que costuma funcionar bem em adaptações para anime. Afinal, ela cria expectativa contínua e abre espaço para arcos emocionais.
Vale lembrar que Twilight Princess já é conhecido por ser mais escuro e “adulto” dentro da franquia. No jogo, inclusive, ele é o único título da série que recebeu classificação T (voltada a público mais velho). O mangá, segundo a leitura apresentada, intensifica essa atmosfera de forma chocante em certas cenas.
Um exemplo citado é uma sequência que lembra o impacto de Berserk — ainda que com menos explicitação — e envolve uma lesão semelhante à sofrida por Guts. Esse tipo de escolha editorial ajuda a diferenciar a obra e a torná-la mais memorável para quem busca histórias com peso dramático.
Por que um anime de Zelda poderia superar o “topo” da Crunchyroll
Se a pergunta é “dá para derrubar Solo Leveling?”, a resposta mais honesta é: ninguém sabe ao certo. Mas o argumento a favor de Zelda existe e passa por dois pontos.
O primeiro é o tamanho do público. The Legend of Zelda é uma franquia com fãs em todo o mundo, e essa base se cruza naturalmente com o público de anime. Muitos jogadores cresceram com os jogos e, ao mesmo tempo, acompanharam séries japonesas — o que reduz barreiras de entrada.
O segundo ponto é o momento. A franquia voltou a ganhar atenção com o anúncio de um filme live-action, previsto para chegar em 2027, além do burburinho em torno de um possível remake de Ocarina of Time. Quando uma marca entra em fase de expansão cultural, a chance de um novo formato (como anime) encontrar audiência pronta aumenta.
E, no caso de Zelda, há um histórico de apelo visual que conversa com a linguagem do anime, mesmo antes de qualquer adaptação oficial.
O texto também compara números de audiência e engajamento. Em março de 2026, Solo Leveling permanecia como o anime mais bem avaliado na Crunchyroll, com o maior volume de avaliações entre as séries da plataforma. Mesmo títulos gigantes como One Piece e Jujutsu Kaisen não teriam quebrado o recorde de quase um milhão de avaliações, apesar de terem mais episódios do que Solo Leveling, que tem 25.
Mas a comparação não para aí. O argumento sugere que Zelda tem desempenho consistente em plataformas de vídeo. O trailer de lançamento de Tears of the Kingdom teria cerca de 17 milhões de visualizações no YouTube, enquanto o teaser da segunda temporada de Solo Leveling estaria com 7,5 milhões na época da apuração.
Já um vídeo maior de Solo Leveling, como a luta entre Sung Jinwoo e o Rei das Formigas, teria 34 milhões de visualizações, enquanto o trailer de apresentação de Breath of the Wild teria 32 milhões. A leitura editorial é clara: Zelda consegue competir em alcance e, em alguns momentos, supera o interesse gerado por Solo Leveling.
Em termos de mercado, isso importa porque anime não é apenas “história”: é também distribuição, marketing, alcance global e capacidade de manter audiência. Se a Nintendo decidir investir em uma adaptação, a franquia já chega com uma vantagem competitiva — e o mangá de Twilight Princess oferece um caminho pronto para transformar narrativa em episódios com ritmo e clímax.
O que falta para Zelda virar anime: a decisão da Nintendo
Apesar do potencial, o principal obstáculo continua sendo a própria Nintendo. A empresa, segundo declarações atribuídas ao presidente Shuntaro Furukawa, entende que criar um anime baseado em uma propriedade da marca seria “desafiador” para chegar ao ponto de produção.
Ainda assim, ele teria indicado que isso pode se tornar possível no longo prazo, desde que a Nintendo consiga “criar obras distintas” e únicas, sem perder a identidade do que torna seus jogos especiais.
Na prática, o desafio envolve encontrar o estúdio certo e garantir que a adaptação preserve a visão do IP. Não é apenas uma questão de orçamento ou de contratar nomes grandes. A preocupação, segundo a leitura do texto, é evitar algo que pareça derivativo e, em vez disso, entregar uma obra que acrescente algo novo a uma franquia já consolidada.
Mesmo assim, a base existe. Twilight Princess funciona como um “modelo” semelhante ao papel que a adaptação em mangá teve para Solo Leveling: é uma história popular, com estrutura pronta e com elementos que podem ser traduzidos para o audiovisual sem perder o que atrai o público.
E, ao mesmo tempo, o mangá ainda tem espaço para surpreender até quem já conhece o jogo, justamente por colocar mais foco nas emoções de Link e por expandir aspectos do universo.
Se a Nintendo decidir avançar, a pergunta deixa de ser “se” e passa a ser “quando” — e, principalmente, “como”. Por enquanto, o que fica é a sensação de que The Legend of Zelda já tem o material certo para entrar na disputa do streaming. E, com Twilight Princess como porta de entrada, a franquia pode oferecer ao público algo que vai além da nostalgia: uma jornada sombria, emocional e com potencial para virar referência no gênero.
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Fonte: CBR




