A Sony tem enfrentado um período de atrito com parte do público, e a reação aparece em diferentes frentes. Entre os temas mais sensíveis estão os planos de encerrar a produção de jogos físicos no PlayStation até 2028 e a remoção de centenas de filmes e séries das bibliotecas de consumidores após mudanças em acordos de licenciamento. Nesse cenário, qualquer sinal sobre o futuro da mídia física ganha peso. E foi exatamente isso que o estúdio Santa Monica Studio fez ao abordar God of War Laufey, o próximo capítulo da franquia.
Durante a apresentação State of Play do mês passado, a Santa Monica finalmente revelou o aguardado sucessor de God of War Ragnarök, de 2022. O novo jogo, porém, traz uma mudança relevante na estrutura narrativa da série. Em vez de acompanhar Kratos, o protagonista conhecido do público, a história passa a seguir Faye, sua esposa, em um período situado após a morte dela e em paralelo aos eventos do reboot nórdico de 2018. Ainda sem data exata, o estúdio agora confirmou que o título chegará também em disco, uma informação que, na prática, funciona como resposta direta às preocupações levantadas pelo movimento da PlayStation em direção ao fim do formato físico.
O que muda em God of War Laufey
O anúncio do jogo veio acompanhado de detalhes que ajudam a entender por que God of War Laufey é tratado como um “desvio” em relação ao padrão estabelecido pela franquia. A história se desenrola no universo conhecido como Everywhen, um espaço associado ao encontro de deuses de diferentes mitologias. É nesse ambiente que Faye, após sua morte no início de God of War (2018), passa a ter papel central.
O enredo, segundo as informações divulgadas, acompanha a jornada de Faye enquanto ela tenta impedir que o destino de sua família seja definitivo. A trama se conecta ao que o público já viu na linha do tempo de Kratos, mas com foco no ponto de vista de quem, até então, aparecia mais como referência do passado. A proposta é mostrar como a personagem tenta salvar o marido e o filho depois de perceber que suas tentativas anteriores para protegê-los não tiveram o resultado esperado.
Para sustentar essa nova perspectiva, o jogo apresenta aliados e elementos próprios. Entre eles está Phranque, um cubo cósmico dublado por Jack Quaid, além de Rue, descrita como uma guardiã ligada a fitas. Esses personagens ajudam a expandir o elenco e a reforçar o tom de aventura em um mundo onde diferentes mitologias coexistem, o que tende a influenciar tanto o design de inimigos quanto a forma como o combate e a exploração se organizam.
Santa Monica confirma versão em disco após questionamentos do público
Mesmo com o anúncio do jogo, a ausência de uma data exata deixava espaço para especulações. Ainda assim, a confirmação de mídia física veio em um momento específico, quando o debate sobre preservação e “propriedade” de jogos digitais está em alta. A Santa Monica publicou um comunicado oficial no X mencionando a presença de God of War Laufey no San Diego Comic-Con, que acontece em duas semanas. O post também indicou que haverá um painel com Cory Barlog, diretor criativo do estúdio, Ariel Lawrence, diretora do jogo, e parte do elenco principal, incluindo Deborah Ann Woll, Christopher Judge, Perlina Lau e Jack Quaid.
O detalhe que chamou atenção, no entanto, foi a resposta adicionada ao final da publicação. Em meio a preocupações sobre o movimento da PlayStation de “encerrar” os jogos físicos, o estúdio escreveu que pode confirmar que God of War Laufey “estará disponível em disco”. A frase, embora curta, tem impacto porque sinaliza que o título não será exclusivo de plataformas digitais, ao menos no lançamento.
Na prática, essa confirmação reforça o que já era esperado pelo nível de detalhamento do anúncio. O jogo deve chegar no próximo ano, com forte probabilidade de ocorrer no primeiro semestre de 2027. Se essa janela se confirmar, God of War Laufey pode acabar se tornando um dos últimos lançamentos do estúdio disponibilizados em mídia física, a menos que a Sony mude de direção em relação ao cronograma de transição.
Everywhen e a conexão com a saga de Kratos
Além do “quem” e do “quando”, a revelação também ajuda a responder o “por que agora”. Laufey parece funcionar como uma ponte entre o passado mítico de Kratos e a fase moderna da franquia. O Everywhen, como cenário, é descrito como o lar de deuses de diversas tradições, o que abre caminho para encontros e batalhas que não se limitam ao universo nórdico.
O próprio material exibido no State of Play já indicava essa direção. Uma sequência de gameplay mostrou Faye em ação contra Begtse, descrito como o “Deus da Guerra” mongol. O confronto evidencia que o jogo não pretende ficar preso a um único recorte cultural, e que a mitologia será tratada como um mosaico. Em paralelo, também foi apresentada Sekhmet, uma deusa egípcia, reforçando a ideia de que o Everywhen reúne figuras de diferentes panteões.
Essa escolha narrativa não é aleatória. Ela se encaixa no que o estúdio vem construindo desde o reboot de 2018, quando a franquia passou a explorar com mais profundidade a relação entre passado e presente, e como as decisões de personagens reverberam ao longo do tempo. Ao colocar Faye como foco, o jogo tende a ampliar a compreensão sobre o que levou Kratos a seguir certos caminhos e sobre como a família dele foi afetada por forças maiores do que a vontade individual.
Uma ideia antiga dentro do estúdio
Outro ponto relevante é que a história de Faye não parece ter surgido apenas como resposta ao sucesso de Ragnarök. Em entrevista concedida após a revelação do spin-off, Deborah Ann Woll, que interpreta Faye, afirmou que a ideia já era discutida desde os primeiros encontros sobre o projeto. Segundo ela, Cory Barlog teria apresentado a proposta quando o estúdio se reunia para tratar de Ragnarök, mesmo antes de o público conhecer o resultado final.
Woll também mencionou que havia um pôster conceitual com Faye ao lado de Phranque, um detalhe que sugere planejamento de longo prazo. Esse tipo de material costuma ser usado para orientar a equipe criativa, ajudando a consolidar visual e narrativa antes mesmo de a produção entrar em fases mais avançadas. Em outras palavras, a existência de um conceito desde o período de Ragnarök indica que a Santa Monica já vinha preparando a expansão do universo de Kratos muito antes de anunciar oficialmente.
Essa informação ganha ainda mais importância quando se considera o contexto atual do mercado. Em um momento em que a PlayStation tenta reduzir a dependência de mídia física, a decisão de lançar God of War Laufey em disco pode ser vista como um gesto de continuidade com parte do público que valoriza colecionar, revender e preservar jogos em formato físico. Para muitos jogadores, o disco representa não só acesso, mas também permanência, já que bibliotecas digitais podem mudar com licenças e políticas de plataforma.
O que esperar da janela de lançamento
Até o momento, God of War Laufey não tem data exata confirmada. O que existe é a indicação de que o jogo deve chegar no próximo ano, com a janela mais provável apontando para o primeiro semestre de 2027. A confirmação de que haverá versão em disco, somada ao cronograma sugerido pelo anúncio, tende a reduzir as incertezas para quem acompanha a franquia e para quem monitora o futuro do formato físico no ecossistema PlayStation.
O painel no San Diego Comic-Con, com a participação de nomes centrais do desenvolvimento e do elenco, deve trazer mais informações sobre a história e sobre o papel de Faye no Everywhen. Até lá, o que fica é a combinação de duas mensagens: uma mudança de foco dentro da saga de Kratos e, ao mesmo tempo, um recado prático sobre a disponibilidade do jogo em mídia física.
Enquanto a indústria discute preservação e acesso, God of War Laufey se posiciona como um teste de como grandes franquias podem avançar sem abandonar completamente o público que ainda prefere o formato físico. E, para a Santa Monica, a escolha de confirmar o disco agora parece menos um detalhe logístico e mais uma resposta ao clima de desconfiança que tomou conta do setor.
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Fonte: Collider



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