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5 séries de ficção científica da Apple TV+ pouco lembradas (mas imperdíveis)

5 séries de ficção científica da Apple TV+ pouco lembradas (mas imperdíveis)
5 séries de ficção científica da Apple TV+ pouco lembradas (mas imperdíveis)
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A Apple TV+ consolidou, nos últimos anos, uma identidade bem clara no universo da ficção científica. Em vez de apostar apenas em franquias gigantes, a plataforma tem investido em ideias originais, narrativas de ritmo próprio e propostas que desafiam o olhar do público. Projetos como Severance, For All Mankind e Pluribus ajudaram a colocar a Apple TV+ no mapa como destino para sci-fi de qualidade. Ainda assim, nem tudo o que chegou ao catálogo ganhou o mesmo nível de atenção, e algumas séries que mereciam mais conversa acabaram ficando à margem.Se você acha que já viu tudo o que a Apple TV+ tem de melhor em ficção científica, talvez seja a hora de ajustar a lista. A seguir, estão cinco produções subestimadas do serviço, com boas avaliações, premissas instigantes e, em alguns casos, elencos e recursos criativos que elevam a experiência. Elas podem ter sido ofuscadas por lançamentos concorrentes, por timing desfavorável ou simplesmente por não se encaixarem no que o público esperava de uma “série de sci-fi”.

05. Calls

Calls é uma daquelas experiências que fogem do padrão, tanto na forma quanto no conteúdo. A série não mostra seus personagens em cena. Em vez disso, acompanhamos o que acontece por meio de chamadas telefônicas, transmitidas ao longo de nove episódios. Cada ligação revela um pedaço de um fenômeno estranho, vivido por pessoas em diferentes lugares, mas conectadas pelo mesmo evento, como se o tempo e o espaço estivessem, de alguma forma, alinhados.

O formato pode parecer limitado à primeira vista, mas a produção compensa com direção criativa e uma camada visual que acompanha o tom das conversas. Enquanto ouvimos as vozes, surgem imagens abstratas feitas de linhas e formas, que variam conforme a intensidade do diálogo. Também há legendas estilizadas, que funcionam como parte do desenho sonoro e emocional da narrativa. Ou seja, mesmo sem “ver” os rostos, a série constrói atmosfera e tensão com precisão.

O elenco de dubladores e atores de voz é outro ponto forte. Entre os nomes estão Mark Duplass, Aubrey Plaza, Pedro Pascal e Rosario Dawson. A presença de rostos conhecidos ajuda a dar peso às performances, mas o que realmente sustenta Calls é a sensação de que o roteiro foi pensado para explorar o que o áudio consegue sugerir. A série ganhou um Emmy de motion design, um reconhecimento que faz sentido quando se percebe o cuidado com a linguagem visual que acompanha as ligações.

Em números, Calls tem 95% de aprovação da crítica e 84% do público no Rotten Tomatoes. A repercussão, porém, não foi tão ampla quanto a de outras estreias da Apple TV+ em 2021. Mesmo assim, quem assistiu parece ter encontrado exatamente o tipo de sci-fi experimental que costuma ficar fora do radar. Em texto para o IndieWire, Steve Greene descreveu a série como uma obra que entende que “a única coisa mais assustadora do que não ter palavras para descrever o indescritível é não saber o quanto uma descrição pode estar certa”.

04. Constellation

Se você gosta de ficção científica espacial, Constellation oferece uma variação interessante do tema. A história começa com um cenário de alto risco: a Estação Espacial Internacional (ISS) é atingida por algo, e Johanna “Jo” Ericsson (Noomi Rapace) fica sozinha após os outros astronautas partirem em uma saída planejada. O problema é que o veículo que ela precisa usar para retornar à Terra está inoperante, então ela precisa consertá-lo enquanto lida com a própria sobrevivência.

Até aqui, a premissa poderia seguir o caminho mais comum de “sobrevivência no espaço”. Mas a série muda o foco quando Jo começa a perceber falhas e lacunas na memória. Ela consegue voltar à Terra, porém algo em sua vida parece fora do lugar, como se o tempo em órbita tivesse deixado marcas que não se explicam apenas por estresse ou trauma. A pergunta central passa a ser outra: o que aconteceu com ela durante o período em que esteve na ISS, e por que a lembrança não se encaixa?

O lançamento de Constellation em 2024 ocorreu em um momento em que For All Mankind, que já é referência do subgênero na Apple TV+, mantinha o público mais atento ao universo espacial. Mesmo assim, a série merece destaque porque não se limita a acompanhar um “dia na vida” de astronautas. Ela transforma a viagem espacial em um terreno psicológico e investigativo, com suspense e mistério embutidos na própria estrutura do enredo.

As avaliações refletem esse equilíbrio entre efeitos visuais e reviravoltas. No Rotten Tomatoes, Constellation registra 72% de aprovação da crítica e 62% do público. Entre as leituras mais citadas estão o impacto das imagens e a eficiência das viradas. Richard Roeper, do Chicago Sun-Times, chamou a série de “um thriller psicológico visualmente deslumbrante, muitas vezes perturbador e bastante arrepiante”.

03. Dr. Brain

Dr. Brain é uma produção sul-coreana de ficção científica que chegou à Apple TV+ com uma proposta que mistura ciência, mistério e thriller. A série acompanha Sewon Koh (Lee Sun-kyun), um cientista que tenta resolver um acidente que tem ligação direta com a própria história. Para isso, ele utiliza algo ainda mais inquietante: as memórias de pessoas mortas. A ideia é comparar o que ele encontra com sua lembrança perfeita do evento, na tentativa de chegar à verdade.

O ponto que torna Dr. Brain especialmente relevante para quem busca sci-fi diferente é a forma como a série trata memória e identidade. Em vez de usar a tecnologia apenas como ferramenta de ação, a narrativa transforma o procedimento em um dilema moral e emocional. O espectador acompanha um personagem que tenta reconstruir o passado, mas descobre que o que parece “lembrança” pode ser, na prática, um quebra-cabeça incompleto.

Além disso, a série tem um contexto próprio dentro do catálogo da Apple TV+. Foi a primeira produção coreana do serviço, e isso, por si só, já a coloca em um lugar de destaque. O problema é que Dr. Brain teve apenas uma temporada. Havia intenção de continuar com uma segunda, mas o ator principal morreu antes do início das filmagens, o que interrompeu o plano. A série também chegou em um período em que Squid Game dominava as conversas sobre produções coreanas, e, embora isso tenha ampliado o interesse do público por esse tipo de conteúdo na Netflix, o efeito não se estendeu com a mesma força para outros streamers.

Com isso, Dr. Brain acabou ficando mais fácil de ignorar, especialmente depois que a continuação não aconteceu. Ainda assim, as avaliações mostram que a série tinha consistência. No Rotten Tomatoes, ela aparece com 85% de aprovação da crítica e 77% do público. A combinação de sci-fi com elementos de mistério e suspense funciona porque o roteiro não depende apenas de “ideias grandes”, ele sustenta o suspense com investigação e reviravoltas.

RogerEbert.com também destacou o trabalho do diretor Kim Jee-woon. Brian Tallerico escreveu que Dr. Brain é um “híbrido de gêneros” desenhado para “mexer com a sua cabeça”. Para quem gosta de ficção científica que provoca desconforto intelectual, essa é uma boa porta de entrada.

02. Invasion

Invasion parte de um ponto conhecido do público: alienígenas aterrissam e tentam tomar conta do planeta. Só que a série escolhe um caminho que costuma render bons resultados em sci-fi, que é acompanhar o impacto do evento em múltiplas frentes. Em vez de concentrar tudo em um único grupo, a Apple TV+ mostra pessoas em diferentes regiões, com culturas e rotinas distintas, lidando com a invasão de maneiras próprias.

Outro detalhe que ajuda a dar sensação de imersão é a forma como os acontecimentos são apresentados em tempo “real” dentro do universo da história. Isso faz com que o espectador acompanhe a escalada do conflito enquanto, ao mesmo tempo, vê as consequências na vida pessoal de cada personagem. A invasão deixa de ser apenas um evento cósmico e passa a ser um problema cotidiano, com decisões difíceis e perdas.

O motivo de Invasion ter ficado subestimada tem relação com a recepção inicial. A primeira temporada teve avaliações fracas, com notas na casa dos 40% tanto da crítica quanto do público no Rotten Tomatoes. Comentários apontavam que o ritmo não funcionava, o que pode ter afastado parte do público logo no começo.

Mesmo assim, a Apple TV+ renovou a série para uma segunda temporada e, depois, para a terceira. E aí vem a virada que explica por que vale a pena insistir. Na segunda temporada, a aprovação da crítica sobe para 64%, quase 20 pontos acima dos 48% da primeira. A terceira temporada continua melhorando, com 67% de aprovação da crítica.

Essa evolução é um dos motivos pelos quais Invasion se tornou uma recomendação frequente para quem gosta de sci-fi que cresce com o tempo. Quem desistiu após a primeira temporada pode ter perdido uma abordagem mais madura do conflito, com mais espaço para personagens e para o desenvolvimento das tramas. Em uma história com tantas linhas narrativas, há chance de o espectador encontrar pelo menos um núcleo com o qual se identifique.

01. The Last Days of Ptolemy Grey

Entre as séries desta lista, The Last Days of Ptolemy Grey tem um formato de minissérie e um foco emocional bem particular. A história acompanha um homem que usa o próprio passado para tentar resolver a morte do sobrinho. O personagem-título, interpretado por Samuel L. Jackson, vive com demência e, em determinado momento, começa a receber um tratamento que permite recuperar lembranças.

À medida que a memória retorna, o enredo ganha um componente investigativo. As lembranças funcionam como pistas sobre quem teria cometido o crime. O que poderia ser apenas um drama com elementos de saúde mental se transforma em uma combinação de ficção científica e suspense, porque o tratamento e suas consequências criam um terreno narrativo em que ciência e memória se misturam.

Por ser uma minissérie, a história tem começo, meio e fim bem definidos. Isso costuma ser uma vantagem para quem não quer correr o risco de acompanhar temporadas longas sem resolução. O espectador chega ao último episódio com a sensação de que a trama foi desenhada para fechar as pontas, algo que nem sempre acontece em produções seriadas.

O lançamento também ajuda a explicar por que a série pode ter passado despercebida. Ela estreou em 2022, bem no meio da primeira temporada de Severance, que se tornou um dos maiores fenômenos da Apple TV+. Com tanta atenção concentrada em um projeto de grande impacto, The Last Days of Ptolemy Grey acabou ficando mais discreta no noticiário.

As avaliações, porém, são fortes. No Rotten Tomatoes, a série tem 95% de aprovação da crítica e 94% do público. Samuel L. Jackson é o centro do elogio, e a atuação sustenta o tom da narrativa. Richard Roeper, do Chicago Sun-Times, afirmou que a série é “um lembrete valioso da versatilidade de Jackson”. Já John Nugent, da Empire, escreveu que o ator “raramente esteve melhor” na carreira.

Para quem procura ficção científica com peso dramático, e não apenas com efeitos e conceitos, essa minissérie é um exemplo de como o gênero pode ser íntimo, humano e ao mesmo tempo inquietante.

Por que essas séries merecem uma nova chance

O que as cinco produções têm em comum é a capacidade de surpreender. Calls transforma o áudio em experiência visual, Constellation usa o espaço como gatilho para um mistério psicológico, Dr. Brain coloca a ciência a serviço de um quebra-cabeça de memória, Invasion evolui quando o público dá tempo para a história amadurecer e The Last Days of Ptolemy Grey prova que sci-fi também pode ser um drama de investigação.

Elas não chegaram ao mesmo nível de popularidade de alguns “carros-chefe” da Apple TV+, mas isso não diminui o valor. Pelo contrário, muitas vezes é justamente o menor destaque que faz com que essas séries sejam descobertas por quem está disposto a procurar algo diferente. Se a sua fila de reprodução está cheia de títulos conhecidos, talvez seja o momento de abrir espaço para essas histórias que, apesar de subestimadas, entregam exatamente o tipo de ficção científica que a Apple TV+ vem tentando construir: ambiciosa, autoral e memorável.


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