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Um festival de anime na Baía de São Francisco virou alvo de críticas após circular nas redes sociais um vídeo mostrando cosplayers vendendo o que foi chamado de “fresh feet juice” (algo como “suco de pés frescos”) durante a FanimeCon, evento que aconteceu em San Jose. As imagens mostram participantes vestidos como personagens de anime oferecendo bebidas em copos, com placas de preços e, em alguns casos, a proposta de consumir o líquido diretamente dos pés dos próprios cosplayers. Segundo relatos compartilhados online, a oferta teria esgotado em cerca de uma hora.
O episódio ocorreu no contexto de uma programação de quatro dias do evento, que é tradicionalmente voltado a fãs de cultura japonesa, com atividades como exibições, painéis, torneios e convidados. Ainda assim, o que ganhou destaque nas redes foi uma “venda” considerada por muitos ofensiva e nojenta, especialmente por envolver consumo de bebida associada a pés e por transformar a experiência em algo comercializado de forma explícita.
O que aparece nos vídeos e fotos
De acordo com as publicações que circularam em plataformas como X e TikTok, cosplayers estavam sentados do lado de fora do festival em uma área do centro de San Jose, próximos a grandes caixas térmicas (coolers) com líquidos de cores azul e vermelha. Em algumas imagens, as pessoas vestidas com trajes inspirados em personagens de anime seguram placas com mensagens como “fresh feet juice” e “$5 swig” (algo como “um gole por US$ 5”).
Também foram vistas placas artesanais com preços adicionais, incluindo referências a “$10 shot” para “shots” do que estava nos recipientes. Os vídeos indicam que havia duas formas de participar: pagar para tomar um “shot” do líquido contido nos coolers ou pagar um valor maior para beber a bebida diretamente dos pés das cosplayers.
Em pelo menos um dos registros, há a impressão de que uma bebida alcoólica, como vodka, poderia estar envolvida, embora não esteja claro com precisão o que exatamente era o conteúdo dos recipientes. As imagens mostram que não se tratava de uma fila pequena ou de uma brincadeira isolada.
Há registros de homens e mulheres se aproximando para experimentar o “suco de pés”, o que ampliou a repercussão e a indignação de parte do público. Comentários nas redes variaram entre críticas diretas ao que foi descrito como falta de limites e discussões sobre a monetização de experiências em convenções.
“Park Con” e a parte não oficial do evento
O episódio teria acontecido fora do cronograma oficial do festival durante um momento associado ao que é chamado de “Park Con”, um encontro informal que ocorre à noite, quando os participantes se reúnem após as atividades do dia. A referência é feita em reportagem do San Francisco Chronicle, que descreve o “Park Con” como um evento não oficial, organizado de forma paralela e com dinâmica própria.
Essa distinção é importante porque, embora a FanimeCon seja um evento grande e com programação formal, a repercussão do “suco de pés” recaiu sobre uma ação que teria ocorrido em um espaço mais livre e menos controlado, ainda que dentro do ecossistema do encontro. Mesmo assim, a associação com o festival maior fez com que a história ganhasse alcance amplo e fosse interpretada por muitos como parte do ambiente do evento.
Segundo relatos citados na cobertura, o “suco” teria sido muito procurado e esgotado rapidamente. Participantes afirmaram que o produto teria acabado em aproximadamente uma hora, o que, para críticos, reforçou a ideia de que a oferta encontrou demanda entre parte do público.
Reações nas redes e debate sobre limites
Nas redes sociais, as reações foram majoritariamente negativas. Muitos usuários apontaram que a monetização em convenções estaria “passando do ponto”, com a transformação de qualquer elemento em produto. Outros destacaram o desconforto com a ideia de consumir algo ligado a pés, especialmente quando a proposta envolve contato direto com o corpo.
Entre os comentários, houve quem resumisse a indignação com frases como “não é algo que precisa ser dito: não beba isso, porque as pessoas tinham os pés lá”. A repercussão também alimentou discussões sobre reputação da comunidade de anime e sobre como certos comportamentos podem ser usados para generalizar o público.
Além do “fresh feet juice”, um outro vídeo citado na cobertura mostraria que, no “Park Con”, outras ofertas também estariam sendo vendidas. Em um registro do TikTok, uma pessoa exibe um cartaz com uma proposta de “dar tapas/pisar” em alguém por US$ 5. No vídeo, a mulher parece pagar para que uma cosplayer a toque ou a “pise”, reforçando a percepção de que havia um conjunto de experiências pagas com apelo sexual ou de humilhação, dependendo da interpretação do público.
O mesmo vídeo menciona outras opções em uma espécie de quadro de preços, incluindo a oferta de pagar US$ 20 para que uma cosplayer “ande como um cachorro” com o cliente. A cobertura ressalta que não ficou claro o que exatamente isso significava, já que não haveria registro do momento em que a atividade teria ocorrido.
Valores citados e conversão aproximada
Os preços exibidos nos cartazes e mencionados nos vídeos aparecem em dólares. Em termos aproximados para o leitor brasileiro, US$ 5 equivalem a cerca de R$ 30, enquanto US$ 10 ficam por volta de R$ 60. Já US$ 20, citado em uma das ofertas, corresponderia a aproximadamente R$ 120. Como câmbio varia diariamente, os valores são estimativas para dar contexto.
Evento anual, público e busca por esclarecimentos
A FanimeCon é um evento anual realizado entre 22 e 25 de maio, descrito pelos organizadores como a maior convenção de anime do norte da Califórnia. No site do evento, a programação é apresentada como uma celebração da arte japonesa e da cultura pop, com conteúdo de vídeo, trajes elaborados, música, jogos, torneios e convidados internacionais.
O encontro começou em 2019 e, desde então, teria atraído mais de 30 mil fãs ao longo das edições. Diante da repercussão do caso do “suco de pés”, a cobertura informa que o jornal teria entrado em contato com os organizadores do festival para obter comentários adicionais.
Até o momento, permanece a dúvida sobre detalhes práticos do que exatamente estava nos recipientes e sobre como a organização lida com atividades paralelas que acontecem no entorno do evento. Ainda assim, o episódio já deixou uma marca no debate público: para parte do público, trata-se de uma prática que ultrapassa limites básicos de respeito e higiene; para outros, é um exemplo de como convenções podem se tornar espaços de “experiências pagas” que nem sempre refletem o que a maioria busca em um encontro de fãs.
O caso também reacende uma discussão recorrente em eventos desse tipo: até onde vai a liberdade de expressão e de interação entre participantes, e em que ponto práticas comerciais e sexualizadas passam a ser percebidas como ofensivas ou degradantes. Com vídeos circulando rapidamente e com relatos de esgotamento em pouco tempo, a história tende a continuar alimentando o debate nas próximas semanas.
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Fonte: nypost




