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Sem trailer chamativo, sem campanha agressiva, Clevatess chegou de mansinho ao catálogo da Crunchyroll. Mas o que parecia só mais um anime de fantasia se revelou uma das maiores surpresas de 2025. Em meio a uma temporada saturada de isekais genéricos e continuações mornas, Clevatess não apenas entrega uma história densa e sombria como oferece uma das melhores dublagens em inglês do ano — sim, superior até à versão original em japonês, o que é raríssimo.
A série apresenta um mundo brutal dominado por magia, guerras e monstros, e se destaca pela qualidade de produção e uma dublagem que eleva a experiência emocional da trama. Katie Wetch, Sean Letourneau, Morgan Berry e Mike Smith entregam atuações com peso e profundidade que transformam cada episódio em um evento dramático.
A força está na voz: dublagem inglesa surpreende
Enquanto muitos torcem o nariz para dublagens que fogem do original japonês, Clevatess quebra esse preconceito com um elenco que domina cada nuance dos personagens. Katie Wetch brilha como Alicia Glenfall, uma guerreira ressuscitada em meio a uma guerra entre reinos e monstros, dando vida a uma personagem ferida, mas implacável. Sua performance transmite cada grama de dor, força e dúvida da protagonista com precisão desconcertante.
Já Morgan Berry transforma o antagonista Klen, forma humana do Dark Beast Lord, em um mistério sedutor e ameaçador. Sua voz oscila entre doçura e tensão com naturalidade, gerando uma aura de suspense que mantém os espectadores grudados na tela. É o tipo de trabalho que redefine a função da dublagem em animes, provando que ela pode ser não apenas funcional, mas superior.
Um vilão que carrega a série no nome – e nas costas
O nome do anime não é da heroína, e sim do vilão: Clevatess, o Lorde das Feras Sombrias. Dublado com ferocidade por Sean Letourneau, o personagem é imponente tanto em sua forma mística quanto em sua versão humanizada. Letourneau insere camadas de sabedoria, ódio e frustração ao monstro, criando um antagonista que não é apenas temido, mas compreendido.
E quando achamos que o vilão máximo já foi revelado, surge General Drel, o verdadeiro catalisador da tragédia. Mike Smith dá vida ao personagem com um trabalho visceral, que vai da arrogância militar à insanidade total. Sua interpretação lembra o impacto de personagens clássicos como Char Aznable e Light Yagami, mas com um toque mais humano — e brutal.
Por que Clevatess pode ser o novo cult hit da fantasia
Apesar do baixo investimento em divulgação, Clevatess está conquistando os fãs devagar, no boca a boca. Nas redes sociais, surgem comparações com Attack on Titan, Claymore e até Dorohedoro, mas com personalidade própria. A narrativa violenta, aliada à direção de arte sombria e à trilha sonora imersiva, torna a experiência profundamente atmosférica.
Mas o que realmente diferencia Clevatess é sua coragem em inverter papéis. O vilão não é só destruidor, mas reflexivo. A heroína não é pura, mas marcada por traumas. O combate não é gratuito, mas consequência. A dublagem, por sua vez, amarra tudo isso com uma execução impecável.
Vale a pena assistir?
Se você busca um anime que foge do padrão e oferece uma experiência intensa, não perca tempo. Clevatess já tem todos os 12 episódios da primeira temporada disponíveis no Crunchyroll e, com o nível de qualidade apresentado, é questão de tempo até virar uma febre cult — daqueles que você vai querer dizer que acompanhou desde o início.
Mas atenção: o hype está crescendo, e a segunda temporada pode sair ainda em 2026, dependendo da audiência. Ou seja, essa é a hora certa para entrar no universo de Clevatess e entender por que ele está sendo chamado, discretamente, de “o anime mais injustiçado do ano”.
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