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Uma das confrontações emocionais mais marcantes de toda a franquia Naruto é, sem dúvida, o duelo de Sasuke Uchiha contra Itachi Uchiha. A cena ficou tão forte porque não era apenas uma batalha: era o choque entre amor, culpa, manipulação e a busca desesperada por respostas. Agora, em Boruto: Two Blue Vortex, a obra parece querer recriar essa dinâmica — só que com um “temperinho” diferente, capaz de mudar o sentido do confronto e, principalmente, o tipo de dor que ele carrega.
O ponto de partida é simples: Sarada Uchiha, filha de Sasuke, pode acabar enfrentando um inimigo que carrega o chakra e o “molde” do clã Uchiha. Em estrutura, isso tende a lembrar o clássico Sasuke vs. Itachi. Mas a semelhança, ao que tudo indica, não será suficiente para igualar o impacto do original. Em vez de repetir exatamente o mesmo tipo de ódio e a mesma tragédia, Two Blue Vortex deve transformar o confronto em outra coisa: uma versão mais voltada para consequências, escolhas e risco real para Konoha.
O “sucessor” de Sasuke vs. Itachi não é o mesmo tipo de inimigo
O vilão em questão é Hidari, um dos membros ligados à ameaça do Divine Tree. Mesmo que ele carregue o chakra de Sasuke e tenha habilidades que lembram o estilo do Uchiha, Hidari não parece ser uma cópia emocional do Sasuke que o público conheceu.
A obra sugere que ele funciona como um “extremo” de emoções, com traços que lembram a forma como outros personagens do universo Boruto se prendem a obsessões específicas — como a ligação romântica intensa de Matsuri com Konohamaru, ou o comportamento descontrolado de Mamushi ao tentar consumir seu alvo, Eida.
Em outras palavras: Hidari pode ter velocidade, resistência e até algumas semelhanças técnicas, mas não carrega a mesma história, o mesmo contexto e, principalmente, o mesmo conjunto de habilidades que tornaram Sasuke vs. Itachi tão inesquecível.
A comparação fica ainda mais clara quando se observa o que Hidari não tem. Há indicações de que ele não dispõe do Sharingan. Em termos narrativos, isso pesa muito. Mesmo que isso não seja um “impedimento” total — já que Hidari tem Rinnegan e acesso a ninjutsu e liberação de natureza de alto nível —, a ausência do Sharingan muda o tipo de leitura de combate e o estilo de ameaça.
Do outro lado, Sarada está em um momento em que pode virar a mesa. Em Boruto: Two Blue Vortex, ela já despertou o Mangekyō Sharingan com efeito devastador no capítulo 20. Isso coloca Sarada em uma posição que, no papel, tende a favorecer a Uchiha.
Se Hidari não tem o mesmo “pacote” de técnicas e refinamento, a luta pode se tornar uma espécie de versão invertida do clássico. Em vez de Sasuke ser empurrado para um limite emocional e técnico, Sarada pode ter vantagens que tornam o duelo mais direto — ainda que o peso das consequências continue alto.
Por que a batalha não deve ter as mesmas “regras emocionais”
Mesmo quando a narrativa tenta reproduzir um confronto, ela raramente repete o mesmo motivo. E é aqui que Two Blue Vortex parece se diferenciar.
No duelo original, Sasuke enfrenta Itachi carregando uma raiva que nasce de um trauma: o massacre do clã Uchiha e a sensação de que a verdade foi escondida. A batalha, então, vira uma espécie de caminho forçado para que Sasuke entenda o que aconteceu e por que Itachi agiu daquela forma.
Com Sarada e Hidari, a lógica é diferente. Sarada não está lutando por uma vingança cega contra alguém que ela “não entende”. Ela é outra pessoa, com outra maturidade, e a obra deixa isso claro ao posicionar a personagem com mais autoconsciência.
A motivação dela é salvar Sasuke. Derrotar Hidari não é apenas um ato de catarse; é um passo direto para impedir que o Divine Tree evolua e cause um cenário ainda pior.
Se Sarada falhar, o resultado não é só “perder uma luta”. A narrativa aponta que a falha pode significar a evolução do Divine Tree, com consequências que incluem o despertar de características ligadas a Sasuke e a amplificação de traços que podem transformar Sarada em algo monstruoso.
Assim, o risco é existencial e coletivo: não é apenas sobre quem vence, mas sobre o que acontece com Konoha e com o futuro do próprio clã.
Esse tipo de aposta muda o tom do confronto. O público pode esperar menos “montanha-russa emocional” no estilo Sasuke vs. Itachi e mais tensão de sobrevivência e decisão. A tragédia, então, não viria necessariamente de uma revelação devastadora sobre o passado — mas do custo de impedir (ou não impedir) uma transformação que ameaça o mundo.
O que pode tornar o duelo memorável mesmo sem repetir o original
Há também um fator importante: Boruto: Two Blue Vortex ainda pode revelar habilidades novas de Hidari. Mesmo que algumas capacidades já tenham sido mostradas — como transformações corporais e variações de combate vistas em capítulos anteriores — é plausível que o personagem tenha um repertório maior do que o que foi apresentado até agora.
Isso mantém a expectativa viva. Uma luta “parecida” com a do passado pode ganhar identidade própria se o inimigo surpreender com técnicas inéditas.
Além disso, a obra parece estar consciente de que o público já sabe, em grande parte, quem é o adversário ideal para Hidari. Sarada, por motivos de enredo e de conexão com o chakra Uchiha, já foi colocada como a resposta natural.
Só que, ao contrário do que aconteceu com Sasuke e Itachi — onde o ódio e a história empurraram o protagonista para um limite — aqui o sentimento pode ser mais estratégico e menos explosivo. Isso não significa que a luta será menos intensa; apenas sugere que a intensidade virá de outro lugar.
Outro ponto que pode elevar o nível do confronto é o uso do Mangekyō Sharingan por Sarada. A obra já sinalizou que ela corre risco ao depender demais dessa técnica. Isso abre espaço para momentos em que a personagem precise escolher entre poder imediato e preservação.
E, se ela conseguir evoluir ainda mais — como a narrativa sugere ser possível com o desenvolvimento do Eternal Mangekyō Sharingan — a luta pode ganhar um “clímax visual” mais marcante.
O anime pode transformar a batalha em espetáculo
Se a história do mangá já prepara o terreno, o anime tem um motivo extra para chamar atenção: a produção para a Parte 2 está confirmada, e a Studio Pierrot tem se comprometido com temporadas de maior qualidade.
Isso importa porque Naruto e Naruto: Shippuden já entregaram lutas memoráveis — incluindo o próprio Sasuke vs. Itachi. A expectativa agora é de que a próxima fase do universo Boruto refine a execução visual e o ritmo das cenas de ação.
Nos últimos anos, a trajetória do estúdio em outras produções indica um modelo mais “enxuto” e bem planejado: menos episódios no total, mas com mais tempo para focar no que realmente sustenta a narrativa.
Em termos práticos, isso pode significar menos espaço para enrolação e mais dedicação ao que o público quer ver. Confrontos que avancem a trama e desenvolvam personagens.
Sarada, por sua vez, vem sendo um dos destaques do time-skip. A personagem ganhou força e presença ao longo de Two Blue Vortex, e o público já tem motivos para acompanhar: momentos como o “Ohirume” aparecem como demonstrações visuais de poder e controle, reforçando por que ela é uma peça central para o futuro do enredo.
Assim, mesmo que o duelo com Hidari não replique exatamente o que Sasuke viveu contra Itachi, a promessa é de que a batalha ainda pode ser grandiosa. A diferença é que a tragédia aqui tende a ser menos sobre “o que aconteceu com o passado” e mais sobre “o que pode acontecer com o futuro”. E, em Boruto, esse tipo de ameaça costuma ser o que transforma uma luta em marco definitivo.
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Fonte: ScreenRant (matéria sobre a relação entre o próximo anime de Boruto e o paralelo com Sasuke vs. Itachi).




