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Enquanto a expectativa por “Tron: Ares” era de um renascimento da icônica franquia digital, o resultado final entregue pela Disney está mais próximo de uma bomba do que de um blockbuster. O longa, que chegou aos cinemas com um orçamento milionário e a promessa de inovação visual e narrativa, falha em praticamente todos os aspectos — do roteiro à direção, passando por atuações questionáveis e uma lógica interna que desafia a paciência do espectador.
O que é “Tron: Ares” — e onde tudo deu errado?
A trama acompanha dois CEOs que não se comportam como executivos de verdade. De um lado, uma cientista/motociclista/heroína digital que opera uma espécie de “máquina de deus” capaz de criar vida com lasers. Do outro, um jovem vilão com complexo de Lex Luthor que vive em um hangar, conversa com programas de computador (literalmente) e tem problemas mal resolvidos com a mãe. Parece confuso? É porque é.
O roteiro é um amontoado de clichês mal costurados e soluções convenientes. Os personagens frequentemente se recusam a explicar o que está acontecendo com a justificativa de que “não há tempo”, o que claramente revela a limitação do próprio texto. Situações absurdas se multiplicam, como a protagonista que, do nada, realiza acrobacias de moto impossíveis sem nenhum preparo prévio mencionado.
O digital virou piada
Em um filme onde o “mundo virtual” deveria ser o grande atrativo, o que se vê é uma estética genérica, sem inspiração, que mais parece um episódio mal renderizado de uma série de streaming com baixo orçamento. Elementos visuais que poderiam ser impressionantes acabam ofuscados por decisões artísticas duvidosas e efeitos especiais que simplesmente não convencem.
Há momentos em que o espectador é tratado como incapaz de interpretar o que está na tela: personagens explicam ações óbvias (“ele foi atingido!”) e o ritmo da narrativa sofre com essa necessidade de “tradução” constante. O resultado é um filme que subestima a inteligência do público.

Atuações e personagens sem alma
Jared Leto, interpretando Ares, entrega uma performance fria, robótica — o que até faria sentido, se o personagem não fosse, justamente, o único programa em busca de sentimentos humanos. Os demais personagens transitam entre o caricato e o esquecível. A heroína, supostamente carismática e determinada, parece uma caricatura de protagonista empoderada, mas sem qualquer desenvolvimento que a torne crível.
O vilão, por sua vez, tenta ser uma ameaça tecnológica, mas soa como uma paródia de CEOs jovens do Vale do Silício, com decisões sem lógica e diálogos expositivos que comprometem qualquer tensão narrativa.
Final sem impacto e protagonistas irrelevantes
O desfecho de “Tron: Ares” é um capítulo à parte na lista de erros. Após quase duas horas de correria sem propósito, quem resolve a trama é um personagem secundário que mal teve tempo de tela — o CTO da empresa da protagonista. Ele executa uma espécie de “snap digital” que faz os vilões evaporarem, tornando toda a jornada dos personagens principais… irrelevante.
O espectador sai do cinema com a sensação de que nada do que viu teve consequência ou propósito, o que é mortal para qualquer narrativa de ficção científica que se propõe épica.

Reflexo de uma crise criativa
O lançamento de Tron: Ares não é apenas um tropeço isolado. Ele representa mais um capítulo da crise criativa que a Disney enfrenta nos últimos anos. Após fracassos como “Branca de Neve”, este novo capítulo da franquia “Tron” escancara a dificuldade do estúdio em equilibrar inovação e legado, apostando em nostalgia e efeitos visuais sem se preocupar com o básico: contar uma boa história.
Veredito: um erro que custou caro
Mesmo fãs de longa data da franquia original devem sair decepcionados. “Tron: Ares” é, infelizmente, um filme que desperdiça seu potencial em todos os sentidos: roteiro fraco, direção desorientada, atuações inconsistentes e um universo que, em vez de expandir, implode. Um desperdício de tempo, talento e dinheiro.

FAQ – Dúvidas comuns sobre Tron: Ares
1. Tron: Ares é sequência direta de Tron: Legacy?
Tecnicamente sim, mas a conexão é rasa. Poucos elementos do filme anterior são aproveitados de forma relevante.
2. Vale a pena ver no cinema?
A menos que você seja um completista da franquia ou muito fã de sci-fi genérico, não. Os efeitos não compensam o roteiro fraco.
3. Jared Leto está bem no papel?
Sua performance é fria e sem nuance. Não há profundidade no personagem, o que compromete o arco dramático.
4. O filme tem cenas pós-créditos?
Sim, há uma, mas não acrescenta muito ao que já foi (mal) contado.
5. Há chance de continuação?
Dado o desempenho crítico e o provável fracasso de bilheteria, é improvável — a não ser que a Disney reboote tudo novamente.
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