Índice
- Sem The Dead Zone, não existe It: Bem-Vindos a Derry (IT: Welcome to Derry)
- Castle Rock entrega o melhor do universo de King sem repetir a mesma história
- 11.22.63: uma história única de King que funciona muito bem na TV
- Mr. Mercedes: crime, tensão e personagens que seguram a série
- The Outsider: o tipo de adaptação que dispensa efeitos e sustenta o terror na história
- O que maratonar depois de It: Bem-Vindos a Derry (IT: Welcome to Derry)
Se você quer maratonar 5 séries de Stephen King melhores do que IT: Welcome to Derry, você está no lugar certo. Com o lançamento de IT nos cinemas (2017 e 2019) e o enorme sucesso de bilheterias, era quase inevitável que Hollywood tentasse expandir o universo do romance de Stephen King. A Warner Bros. apostou em continuar a história a partir da mitologia da fictícia cidade de Derry e do vilão Pennywise — e o resultado foi IT: Welcome to Derry, disponível no streaming.
Mesmo assim, a série não conseguiu transformar a curiosidade inicial em unanimidade. Críticas e parte do público apontaram problemas de qualidade e de ritmo. Também houve menções a limitações na forma como alguns personagens são apresentados. Ainda assim, a produção ganhou atenção e reacendeu o interesse por adaptações do autor.
E, se a sua intenção é maratonar histórias que capturam melhor o clima de King — seja pelo suspense, pela atmosfera sobrenatural ou pela força dos personagens — há alternativas que, no conjunto, entregam mais. A seguir, veja cinco séries de Stephen King que, para muitos espectadores, ficam acima de IT: Welcome to Derry em impacto e consistência.
Sem The Dead Zone, não existe It: Bem-Vindos a Derry (IT: Welcome to Derry)

Baseada no romance de 1979 de Stephen King e impulsionada pelo sucesso da adaptação para o cinema de 1983, The Dead Zone foi uma série de ficção científica que durou seis temporadas, indo de 2002 a 2007. O programa cobriu o que havia no livro e ainda expandiu o universo com novas camadas — algo que se tornaria cada vez mais comum nas adaptações televisivas do autor.
O protagonista foi interpretado por Anthony Michael Hall, conhecido por The Breakfast Club. A escolha do elenco trouxe uma leitura diferente do personagem Johnny Smith em comparação com a versão do filme, estrelada por Christopher Walken. Ainda assim, a série conseguiu manter o núcleo dramático que fez o material original funcionar: a ideia de que um dom (ou uma condição) pode mudar completamente a vida de alguém — e, com isso, afetar o destino de outras pessoas ao redor.
Embora The Dead Zone tenha se aproximado mais de um formato procedimental com elementos de “super-herói” do que do thriller político e sombrio do romance, a longevidade do programa é um indicativo claro de que havia algo ali além do conceito. A série foi um sucesso de audiência e ajudou a abrir caminho para que redes de TV passassem a investir com mais seriedade em adaptações de King, antes dominadas por filmes e minisséries.
Castle Rock entrega o melhor do universo de King sem repetir a mesma história

Se existe uma série que soube transformar a “mitologia” de Stephen King em experiência televisiva, Castle Rock é um dos nomes mais lembrados. Produzida para a Hulu, a série durou apenas duas temporadas, mas deixou uma marca forte justamente por equilibrar duas coisas difíceis de conciliar: conexão com o universo do autor e, ao mesmo tempo, histórias originais.
O programa mergulha na atmosfera da cidade de Castle Rock, no Maine, explorando o tipo de estranheza que King costuma construir: um lugar aparentemente comum, mas que esconde segredos, padrões de repetição e forças que parecem agir por trás do cotidiano. Mesmo quando os enredos não eram “canônicos” em relação a livros específicos, a série fazia questão de dialogar com personagens e referências que fãs reconhecem de imediato.
As conexões com obras de King foram um dos motores do interesse do público. Ver rostos familiares — como o xerife Alan Pangborn e Annie Wilkes — alimentou a curiosidade sobre como esses personagens chegaram até ali. Além disso, o elenco reunia nomes que reforçavam a sensação de “universo compartilhado”, incluindo Sissy Spacek (Carrie), Tim Robbins (The Shawshank Redemption) e, claro, Bill Skarsgård, que também aparece em IT: Welcome to Derry.
Outro ponto que pesa a favor de Castle Rock é a própria duração curta. Em vez de exigir um compromisso longo, a série se torna perfeita para maratonar: são duas temporadas, com episódios que mantêm o mistério vivo e a sensação de que a cidade tem vontade própria.
11.22.63: uma história única de King que funciona muito bem na TV

Embora Stephen King seja associado principalmente ao terror, 11/22/63 (ou 11.22.63) é um exemplo de como o autor também domina a ficção científica e a narrativa histórica. A trama acompanha um professor que recebe a oportunidade de voltar no tempo com a missão de impedir o assassinato do presidente John F. Kennedy. Só que, como costuma acontecer em histórias de viagem temporal, o passado não aceita mudanças sem cobrar um preço.
O que torna a série especial é o modo como ela trata o elemento sci-fi. Em vez de complicar demais as regras da viagem no tempo, o programa foca no que realmente importa: as consequências emocionais, as escolhas morais e o impacto de tentar “consertar” algo que já aconteceu. Isso dá ao enredo uma textura humana, mesmo quando o cenário é extraordinário.
O elenco também ajudou a elevar o nível. A produção contou com James Franco, Sarah Gadon, George McKay, Chris Cooper (vencedor do Oscar) e Josh Duhamel. Quando estreou no Hulu, a série foi bem recebida e, mais recentemente, ganhou ainda mais alcance ao chegar ao Netflix como exclusividade.
Com apenas oito episódios, 11.22.63 fica entre uma minissérie e um seriado, mas sem perder ritmo. Para quem quer maratonar algo que não se estende demais e ainda assim entrega densidade narrativa, é uma escolha forte — e, para muitos fãs, uma das adaptações mais “bingeáveis” do autor.
Mr. Mercedes: crime, tensão e personagens que seguram a série

Mr. Mercedes pode não ter sido a primeira opção de muita gente quando estreou, mas a série tem qualidades que sustentam a reputação de “obra subestimada”. O programa acompanha Bill Hodges, um detetive aposentado que volta ao jogo ao se envolver com um assassino em série e um jogo de gato e rato que vai se intensificando ao longo das temporadas.
A série é baseada na trilogia de thrillers de King formada por Mr. Mercedes, Finders Keepers e End of Watch. Na prática, o seriado adapta o conjunto dos livros, organizando a narrativa para que o espectador acompanhe a evolução do caso e dos personagens sem perder a linha do tempo.
Brendan Gleeson vive Bill Hodges com uma força que poucos atores conseguiriam sustentar. A atuação é frequentemente citada como um dos grandes diferenciais do programa. Além dele, Harry Treadaway interpreta Brady Hartsfield com um carisma perturbador, e a química entre os dois personagens ajuda a manter o suspense em alta.
A série também introduz Holly Gibney, personagem que King já afirmou ser uma das suas favoritas. E, mesmo com uma recepção crítica muito positiva — com nota alta no Rotten Tomatoes —, o alcance do público foi limitado no período em que o programa estava no Audience Network. O cenário mudou quando a produção passou a ser disponibilizada no Peacock, ampliando o número de espectadores e reacendendo o interesse.
The Outsider: o tipo de adaptação que dispensa efeitos e sustenta o terror na história

Se a comparação for pelo impacto emocional e pela capacidade de prender o espectador sem depender de sustos fáceis, The Outsider costuma aparecer no topo das listas de fãs. A série pega uma premissa que lembra o universo de IT — uma criatura maligna com potencial de transformação —, mas troca o foco do confronto entre crianças e monstro por um enredo de investigação criminal.
Com 10 episódios, o programa foi criado por Richard Price, conhecido por The Wire e The Night Of. A trama se desenrola como um mistério que cresce em camadas, enquanto explora temas como luto e trauma. O resultado é uma história tensa, brutal e, ao mesmo tempo, profundamente humana.
O elenco também faz diferença. Ben Mendelsohn, Jason Bateman e Cynthia Erivo entregam performances que elevam a narrativa. E há ainda um detalhe importante para quem acompanha o universo de King: Cynthia Erivo aparece como Holly Gibney, conectando The Outsider a Mr. Mercedes.
Apesar de ter recebido avaliações muito positivas — com destaque para a pontuação no Rotten Tomatoes —, a série enfrentou um desafio típico de lançamentos em períodos difíceis: sua estreia ocorreu no meio da pandemia de COVID-19, o que afetou a dinâmica de divulgação e a atenção do público. Ainda assim, a qualidade do roteiro e a forma como o suspense é construído fizeram com que a série se mantivesse relevante.
Talvez o maior elogio a The Outsider seja simples: ela não precisa de efeitos especiais chamativos nem de jump scares para causar desconforto. O terror vem do modo como a história é contada e de como as performances sustentam a sensação de que algo está errado — e que talvez não exista saída fácil.
O que maratonar depois de It: Bem-Vindos a Derry (IT: Welcome to Derry)
IT: Welcome to Derry pode ter reacendido o interesse pelo universo de Pennywise e pela cidade de Derry, mas nem todo mundo ficou convencido com a execução. Se você quer continuar no clima de Stephen King, a boa notícia é que há séries que entregam mais consistência, melhor construção de personagens e, em muitos casos, uma adaptação mais fiel ao espírito do autor — ou, pelo menos, mais eficiente em transformar o material literário em narrativa televisiva.
Entre o suspense investigativo de The Outsider, a atmosfera cheia de mistério de Castle Rock, a viagem temporal de 11.22.63, o crime tenso de Mr. Mercedes e o impacto histórico de The Dead Zone, o caminho para uma maratona “de King” fica bem mais interessante do que insistir em uma produção que, para parte do público, não atingiu o mesmo nível de excelência.




