Índice
- Enola Holmes (2020–presente): a “trilogia” que cresce sem perder o clima de investigação
- Sherlock & Daughter (2025–presente): um Sherlock “reconfigurado” para a TV
- Young Sherlock (2026–presente): Sherlock antes do “Sherlock”
- Watson (2025–2026): quando a série decide tirar Sherlock do tabuleiro
- The Death of Sherlock Holmes (previsão: 2027): o retorno após Reichenbach, com amnésia
- True Sherlock (em desenvolvimento): uma “autópsia” do universo original
- Por que essas histórias importam para quem acompanha Sherlock
O detetive mais famoso da literatura segue vivo e em constante reinvenção. Criado por Arthur Conan Doyle no fim do século XIX, Sherlock Holmes já foi interpretado por dezenas de atores e, ao longo das décadas, ganhou adaptações que vão do “clássico” ao mais improvável. O resultado é um universo que continua fértil para novas leituras — seja modernizando o personagem, seja explorando ângulos inéditos de sua história.
Em 2026 e nos próximos anos, algumas produções prometem mexer com essa tradição. Há desde histórias que usam o nome “Sherlock” para contar algo que não é exatamente sobre o detetive, até séries que tentam reescrever a origem de personagens centrais. A seguir, veja seis filmes e programas de TV que estão em andamento ou com previsão de lançamento, e o que cada um deles pode trazer de diferente para quem acompanha mistérios.
Enola Holmes (2020–presente): a “trilogia” que cresce sem perder o clima de investigação

Uma das adaptações mais aguardadas do período recente não coloca Sherlock Holmes no centro. A série Enola Holmes deve lançar seu terceiro filme no início de julho, com Millie Bobby Brown vivendo Enola, irmã mais nova do famoso detetive Sherlock (Henry Cavill) e de Mycroft (Sam Claflin). Na trama, Enola parte em uma busca para provar suas próprias habilidades e encontrar a mãe desaparecida.
O segundo filme, lançado em 2022, amplia o foco: Enola passa a investir na carreira de detetive ao abrir sua própria agência. Mesmo com poucas informações confirmadas sobre Enola Holmes 3, a expectativa é que a história funcione como um fechamento de ciclo. Há, inclusive, uma razão prática para isso: o tempo já passou desde os primeiros filmes, e seria difícil manter a personagem como adolescente em futuras continuações.
Entre os pontos que devem ser amarrados no terceiro capítulo estão os desdobramentos do romance de Enola com Tewkesbury (Louis Partridge) e as relações familiares complexas envolvendo seus irmãos e a mãe, Eudoria (Helena Bonham Carter). Para quem gosta de mistério com emoção e dinâmica familiar, a franquia tem apostado em um equilíbrio entre investigação e drama.
Sherlock & Daughter (2025–presente): um Sherlock “reconfigurado” para a TV

Quando Sherlock & Daughter foi anunciado, a recepção foi dividida. O motivo é simples: a CW tem histórico de adaptações que nem sempre agradam a todos, e a premissa soava, para parte do público, distante do que puristas esperam de Sherlock Holmes. Ainda assim, a série conseguiu surpreender.
Na história, Sherlock (David Thewlis) investiga uma organização criminosa chamada Red Thread. Só que a novidade está na segunda liderança do caso: Amelia Rojas (Blu Hunt), que trabalha ao lado do detetive, mas esconde um objetivo pessoal. Ela tenta descobrir se Sherlock é o pai que ela nunca conheceu.
O que poderia virar apenas um “gancho” dramático acaba funcionando como uma mistura de investigação e conspiração familiar. A série tenta equilibrar o formato típico de drama policial com um componente mais “soap” — no sentido de relações intensas, segredos e reviravoltas — sem abandonar o interesse pelo crime e pelo raciocínio do detetive.
O final da primeira temporada deixou perguntas em aberto sobre Sherlock, Amelia e o cenário do crime em Londres. Agora, a segunda temporada tende a ser decisiva: se mantiver o ritmo e a qualidade do começo, Sherlock & Daughter pode consolidar o espaço da CW em um gênero que exige mais do que apenas mistério episódico.
Young Sherlock (2026–presente): Sherlock antes do “Sherlock”

Explorar a juventude de Sherlock Holmes já foi tentativa de várias adaptações — e, em muitos casos, o resultado não convence. O problema costuma ser o mesmo: ao tentar explicar demais o passado, as produções acabam sacrificando traços essenciais do personagem que o público reconhece.
Young Sherlock tenta seguir por outro caminho. A série britânica propõe uma visão diferente não só do detetive, mas também de seus principais parceiros. O ponto de partida é o Sherlock com 19 anos, vivendo um período de aprendizado e “descontrole” em Oxford. Antes de chegar ao auge, ele ainda está lidando com as dores de crescimento de um investigador amador.
O formato também mexe na função narrativa de James Moriarty. Em muitas adaptações, Moriarty é o inimigo jurado; aqui, ele aparece como aliado e até como amigo. Essa escolha é arriscada, mas pode ser justamente o que dá frescor ao universo: em vez de repetir a rivalidade clássica, a série sugere uma relação mais ambígua e construída em etapas.
O resultado, até agora, é uma proposta que tenta manter o espírito do mistério enquanto explora o que vem antes da lenda. E a aposta da produção parece ter sido bem recebida: a segunda temporada de Young Sherlock já foi encomendada pelo Prime Video, o que indica confiança no desenvolvimento do projeto.
Watson (2025–2026): quando a série decide tirar Sherlock do tabuleiro

Entre as adaptações listadas, Watson é a que mais rompe com a expectativa tradicional. A série começa praticamente “matando” Sherlock: o detetive morre nos primeiros minutos do episódio de estreia, e John Watson (Morris Chestnut) assume o protagonismo.
Com isso, a trama abandona o foco em investigação criminal clássica e migra para um drama médico. Watson abre a “Holmes Clinic” em homenagem ao parceiro que teria morrido, ao lado de um elenco de médicos com especialidades bem definidas. A ideia é interessante porque desloca o universo de Sherlock para outro tipo de conflito: em vez de pistas e deduções, entram dilemas clínicos, decisões difíceis e a construção de uma nova identidade para Watson.
Apesar do conceito, a série não conseguiu manter o ritmo que sustentaria o interesse do público. Segundo a avaliação geral, Watson parecia sempre guardar uma grande reviravolta para depois — e, em alguns momentos, isso não soava totalmente justificado. Ainda assim, o programa conseguiu sobreviver por duas temporadas.
Em 3 de maio de 2026, a CBS cancelou oficialmente a série. A decisão encerra uma possibilidade que poderia ter sido especial: um spin-off centrado em Watson, com um tom próprio. Mas, no fim, a proposta acabou ficando “fora do eixo” para parte dos fãs de Sherlock Holmes.
The Death of Sherlock Holmes (previsão: 2027): o retorno após Reichenbach, com amnésia

A morte de Sherlock Holmes é um dos grandes marcos do cânone de Conan Doyle. No conto “The Final Problem” (1893), o detetive morre — ao menos, é isso que parece. Mais tarde, ele retorna em “The Adventure of the Empty House” (1903). Dentro das histórias, a “morte” ocorre em 1891, enquanto o reaparecimento é situado em 1894.
O detalhe que deixa o público intrigado é que o autor não preencheu as lacunas entre esses eventos. O que aconteceu com Sherlock nesse intervalo de três anos? Essa ausência de explicação virou espaço perfeito para adaptações.
The Death of Sherlock Holmes pretende justamente explorar esse período. A série acompanha um Sherlock (Rafe Spall) que, após os eventos de “Reichenbach Falls”, tenta resolver novos mistérios enquanto sofre com amnésia. Ao lado dele está Alma (Deleila Piasko), uma moradora local que ajuda o detetive a se adaptar aos Alpes suíços.
As informações sobre distribuição ainda são limitadas. A produção já confirmou redes na Irlanda e no Reino Unido, mas não há um “hub” definido para espectadores nos Estados Unidos. A previsão de lançamento é para 2027, o que sugere que a espera pode ser longa — mas, para quem gosta de histórias que brincam com o que ficou em aberto no original, a proposta tem apelo.
True Sherlock (em desenvolvimento): uma “autópsia” do universo original

Nem toda adaptação precisa começar com um caso. True Sherlock parece querer ir além e funcionar como uma dissecação do universo original de Sherlock Holmes. A série, que está em produção, deve abordar perguntas amplas sobre personagens e origens que costumam ficar apenas sugeridas.
Entre os temas mencionados estão a história de John Watson, a vida de Mrs. Hudson antes de conhecer o casal de protagonistas e até o caminho de Moriarty para se tornar o grande cérebro criminoso. A proposta é ambiciosa porque exige coerência: recontar origens sem transformar o universo em algo “genérico” é um desafio.
Mesmo em fase inicial, o projeto já revelou dois nomes importantes do elenco. Will Kemp deve interpretar Moriarty, enquanto o papel de Sherlock ficará com Oli Higginson, conhecido por seu trabalho no elenco de Bridgerton como Footman John. Ainda não há confirmação de data de estreia, mas a expectativa é que a série consiga atrair tanto quem conhece o cânone quanto quem busca mistérios com construção de mundo.
Por que essas histórias importam para quem acompanha Sherlock
O que une essas seis produções é a tentativa de manter Sherlock Holmes relevante em um cenário de consumo acelerado de séries e filmes. O personagem já atravessou épocas com facilidade porque funciona como um “modelo” narrativo: um detetive que observa, interpreta e transforma o mundo ao redor em pistas. Só que, ao longo do tempo, as adaptações perceberam que não basta repetir o mesmo formato. É preciso variar o ângulo.
Por isso, algumas apostas vão para o lado familiar (Enola Holmes), outras para a reconfiguração do protagonista em uma dinâmica diferente (Sherlock & Daughter), outras para o aprendizado antes da lenda (Young Sherlock), e há ainda quem mude o gênero inteiro ao tirar Sherlock do centro (Watson). Já The Death of Sherlock Holmes tenta preencher lacunas do próprio texto de Conan Doyle, enquanto True Sherlock quer investigar o que costuma ficar fora de cena.
Seja qual for o caminho, o público ganha algo raro: novas versões de um universo que já parecia conhecido. E, em tempos de franquias e reboots, ver Sherlock Holmes continuar sendo reinventado — com riscos e escolhas criativas — ajuda a explicar por que o personagem ainda atrai atenção mesmo depois de mais de um século de sua criação.
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Fonte principal: ScreenRant.




