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Sam Levinson defende o enredo do OnlyFans em “Euphoria” (3ª temporada)

Sam Levinson defende o enredo do OnlyFans em “Euphoria” (3ª temporada)
Sam Levinson defende o enredo do OnlyFans em “Euphoria” (3ª temporada)
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Quase três semanas depois de “Euphoria” encerrar sua exibição no HBO, o criador da série, Sam Levinson, voltou ao debate que marcou o fim da história: a trama envolvendo o ingresso de Cassie Howard (Sydney Sweeney) no OnlyFans. Em entrevista no programa “Real Time With Bill Maher”, Levinson defendeu que o arco, apesar de ter gerado forte reação do público, é um retrato atual de como a economia digital se mistura à vida de jovens — e de quais consequências isso pode trazer.

A controvérsia ganhou força nesta primavera, quando Cassie passou a trabalhar na plataforma de conteúdo adulto, com a ajuda de Maddy Perez (interpretada por Alexa Demie). Para parte dos espectadores, a decisão da personagem soou como uma escolha “normalizada” demais. Já críticos apontaram que a série poderia estar explorando um caminho de exploração comercial sem aprofundar adequadamente o impacto emocional e social.

“OnlyFans é um empreendimento enorme”, diz Levinson

Durante o episódio do programa apresentado por Bill Maher, Levinson sustentou que o enredo não era apenas provocativo, mas também oportuno. Segundo ele, o OnlyFans deixou de ser um nicho e se tornou um negócio de grande escala, comparável ao tamanho de Hollywood.

“Se você olhar para o OnlyFans, ele está ganhando tanto dinheiro quanto Hollywood. Quer dizer, essencialmente está no mesmo patamar”, afirmou Levinson. “Não é um negócio de nicho; é um empreendimento enorme. E então, se você é jovem, você vai pensar: ‘Eu não quero trabalhar das nove às cinco nesse lugar ou naquele outro. Talvez eu possa apenas começar a tirar fotos de mim mesma?’”

Ao colocar a plataforma nesse contexto, o criador sugeriu que a série está acompanhando uma realidade que já faz parte do cotidiano de muitos adolescentes e jovens adultos. A lógica, na visão dele, é simples: se a internet oferece uma rota rápida para renda e visibilidade, a tentação pode parecer racional — ainda que o custo emocional e psicológico nem sempre seja evidente no curto prazo.

O que acontece depois da “corrida” pelo dinheiro rápido

Levinson também disse que queria explorar justamente o que vem depois desse primeiro impulso. Para ele, o interesse do roteiro não estava em “celebrar” a decisão de Cassie, mas em observar as repercussões de longo prazo.

“Eu queria explorar as consequências de longo prazo disso”, declarou. Em seguida, conectou a discussão ao papel das redes sociais na formação de expectativas sobre dinheiro, imagem e valor pessoal.

“O que acontece quando você sabe, como jovem, que está no Instagram… e te dizem que você é o produto, a marca… e agora você tem 18 anos, e você pensa: ‘Como eu faço dinheiro?’”

Na avaliação do criador, a série se interessou pelo “desejo” de buscar uma forma de renda rápida, algo que pode ser reforçado por algoritmos, métricas e validação externa.

“E eu achei que correr atrás dessa vontade, desse dinheiro rápido, era algo interessante para explorar”, completou.

Mesmo reconhecendo que a produção “pegou muita crítica” por causa do arco, Levinson levantou uma provocação: será que o público reagiria da mesma forma se a série, em vez de tratar o tema de modo crítico, “afirmasse” aquela vida como se fosse uma escolha plenamente positiva?

“Vocês sabem, nós fazemos um olhar bastante crítico sobre isso. Isso esvazia o indivíduo”, disse ele. “Você fica dependendo o tempo todo dos likes e da validação externa.”

A fala reforça a ideia de que o problema central, para o criador, não seria apenas a plataforma em si, mas o mecanismo psicológico que a sustenta: a necessidade constante de reconhecimento e a transformação do “eu” em mercadoria.

Maher concorda e destaca o papel de Alexa Demie

Bill Maher, por sua vez, pareceu endossar a leitura de Levinson. O apresentador afirmou que ficou especialmente impressionado com a atuação de Alexa Demie, chamando a personagem de Maddy de “o centro moral” do enredo.

Maher mencionou uma cena em que Maddy teria dito algo como: “Porque eu não sou uma prostituta”. A partir disso, ele sugeriu que a frase resumiria a postura da personagem diante do que está acontecendo.

Levinson aproveitou para acrescentar uma camada ao debate, lembrando que Maddy não apenas se envolve na dinâmica, mas também “gerencia as garotas”, algo que ele descreveu como uma indústria “nova”.

“Ela estava gerenciando as garotas, o que é uma indústria totalmente nova. É meio que um ‘light pimping’”, afirmou Levinson, usando uma expressão que indica a existência de mediação e hierarquias mesmo em um ambiente que, para muitos, parece “autônomo” por acontecer online.

Redes sociais como “evolução natural” do mercado de imagem

Outro ponto levantado por Levinson foi a relação entre a plataforma e o ecossistema das redes sociais. Para ele, o OnlyFans pode ser entendido como uma “evolução natural” de um modelo em que pessoas publicam fotos, constroem audiência e monetizam a própria imagem.

“Quer dizer, se você está constantemente tirando fotos de si mesma e vendendo você online, isso é a evolução natural disso”, disse.

A ideia, no fundo, é que a fronteira entre exposição e comercialização já existe há anos — e a plataforma apenas torna explícito um processo que, em outras redes, costuma ser tratado como “conteúdo” ou “engajamento”.

Por que Levinson encerrou a série na 3ª temporada

Além de defender o arco de Cassie, Levinson também reiterou sua decisão de encerrar “Euphoria” com a terceira temporada. Para ele, o final era “uma conclusão natural”.

A declaração reforça que, apesar do debate público, a escolha criativa fazia parte de um plano maior: fechar trajetórias e dar um desfecho coerente ao que a série vinha construindo desde o início.

As temporadas 1 a 3 de “Euphoria” estão disponíveis para streaming no HBO Max.

O debate em torno do OnlyFans em “Euphoria” continua a revelar um conflito que vai além da ficção. No centro, está a forma de representar, com responsabilidade, um mundo em que a imagem pessoal pode virar renda — e em que a validação externa, muitas vezes, pesa tanto quanto o dinheiro. Ao defender que a série olha para o tema de forma crítica, Levinson tenta reposicionar a discussão: não como apologia, mas como diagnóstico de uma realidade que já está aí.


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Fonte: thewrap

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