Reset da Ubisoft cancela jogos, fecha estúdios e impõe retorno obrigatório aos escritórios
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A Ubisoft entrou oficialmente em modo de contenção de danos. Após anos de decisões questionáveis, atrasos intermináveis e resultados comerciais abaixo do esperado, a gigante francesa dos games anunciou um “reset organizacional, operacional e de portfólio” que promete recolocar a empresa nos trilhos — ainda que o caminho escolhido esteja longe de ser consensual entre fãs e funcionários.
O anúncio foi feito em 21 de janeiro, por meio de um comunicado direcionado a investidores, e deixa claro que 2026 será um ano de cortes profundos, reestruturações agressivas e mudanças estratégicas que afetam diretamente jogos, estúdios e pessoas.
O contexto: crise criativa e pressão financeira
A decisão vem na esteira de um período particularmente difícil para a Ubisoft. O desempenho fraco de Star Wars Outlaws, somado à percepção de desgaste da franquia Assassin’s Creed, acendeu o alerta vermelho entre acionistas. Em resposta, a empresa já havia dado um passo importante em outubro de 2025, ao transferir suas principais franquias — Assassin’s Creed, Far Cry e Rainbow Six — para uma subsidiária recém-criada, a Vantage Studios.
Agora, a editora amplia essa estratégia com um plano que afirma ter como objetivo “recuperar a liderança criativa, ganhar agilidade e impulsionar um retorno sólido e sustentável”. Na prática, isso envolve menos jogos, mais controle interno e uma obsessão declarada por métricas de qualidade — ao menos no discurso.
Os três pilares do “reset” da Ubisoft
Segundo o comunicado oficial, a nova fase da empresa se apoia em três grandes frentes:
- Novo modelo operacional, com decisões mais descentralizadas
- Portfólio refocado, com um roadmap revisado para os próximos três anos
- Redimensionamento da organização, com cortes, fechamentos e reestruturações
A Ubisoft afirma que está migrando para uma estrutura mais “centrada no jogador”, organizada por gêneros criativos e com unidades de negócio integradas. No entanto, o texto também deixa claro que o foco principal segue sendo Open World Adventures e experiências GaaS (games como serviço), apoiadas por tecnologia de ponta — incluindo investimentos acelerados em IA generativa voltada ao jogador.
Outro ponto que gerou forte reação interna foi a determinação de que todos os funcionários devem retornar ao trabalho presencial cinco dias por semana, encerrando de vez qualquer modelo híbrido ou remoto.
As cinco “Creative Houses” e o futuro das franquias
Uma das mudanças mais significativas é a criação de cinco novas “Creative Houses”, cada uma responsável por um conjunto específico de franquias e estilos de jogo:
- Creative House #1 (Vantage Studios): foco em transformar Assassin’s Creed, Far Cry e Rainbow Six em marcas bilionárias anuais
- Creative House #2: dedicada a shooters competitivos e cooperativos, como The Division, Ghost Recon e Splinter Cell
- Creative House #3: voltada para experiências live selecionadas, incluindo For Honor, The Crew, Riders Republic e Skull & Bones
- Creative House #4: responsável por mundos de fantasia e narrativas imersivas, como Prince of Persia, Rayman, Anno e Beyond Good & Evil
- Creative House #5: focada em jogos casuais e familiares, com marcas como Just Dance, Hungry Shark, Uno e IPs da Hasbro
No papel, a divisão parece lógica. Na prática, ela reforça a percepção de que a Ubisoft pretende espremer ao máximo suas franquias mais lucrativas, enquanto reduz riscos criativos.
Jogos cancelados e atrasos estratégicos
Talvez a parte mais dura do anúncio tenha sido a confirmação de que seis jogos em desenvolvimento foram cancelados por não atenderem aos novos padrões internos de qualidade e priorização.
Entre eles está o já problemático Prince of Persia: The Sands of Time Remake, um projeto que se arrastava há anos e se tornou símbolo das dificuldades internas da empresa. Além dele, foram cancelados quatro títulos não anunciados, incluindo três novas IPs, e um jogo mobile.
Ao mesmo tempo, a Ubisoft informou que sete jogos receberão mais tempo de desenvolvimento, com o objetivo de atingir padrões mais elevados. Um título ainda não revelado, inicialmente previsto para o ano fiscal de 2026, foi oficialmente adiado para 2027.
Fechamento de estúdios e impacto humano
O “reset” também teve consequências diretas na estrutura física da empresa. A Ubisoft confirmou o fechamento do estúdio mobile de Halifax, no Canadá, e do estúdio de Estocolmo, além de reestruturações em Abu Dhabi, RedLynx e Massive.
Embora o comunicado evite números exatos, o impacto humano é evidente. Cancelamentos, fechamentos e a imposição do retorno total aos escritórios reforçam a sensação de que o custo da reestruturação está sendo empurrado para os desenvolvedores.
Qualidade ou discurso para investidores?
Apesar da retórica cuidadosamente elaborada sobre criatividade, jogadores e excelência, o tom geral do anúncio soa fortemente orientado a investidores. Termos como “eficiência estrutural”, “geração robusta de caixa” e “valor de longo prazo” aparecem com mais frequência do que qualquer menção concreta a inovação ou risco artístico.
Para muitos fãs, a promessa de “qualidade” parece menos um compromisso genuíno e mais um reposicionamento de marketing, pronto para ser abandonado caso uma oportunidade de lucro rápido apareça no horizonte.
No curto prazo, dificilmente veremos um retorno às eras douradas de Assassin’s Creed ou uma Ubisoft mais ousada criativamente. O que existe agora é uma empresa em modo defensivo, tentando sobreviver a um mercado mais exigente, competitivo e impaciente.
Se esse reset resultará em jogos melhores ou apenas em franquias mais exploradas, só o tempo — e os próximos lançamentos — dirão.
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Fonte: boundingintocomics





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