O mercado de consoles nos Estados Unidos vive um momento de pressão dupla: reajustes de preços e um cenário de custos mais altos para componentes eletrônicos. Segundo dados divulgados pela Circana, Microsoft e Sony tiveram um dos piores meses de vendas de hardware em 25 anos, com quedas expressivas para PlayStation e Xbox após aumentos de preço recentes.
O contexto é o mesmo que vem afetando a indústria de eletrônicos como um todo: escassez de memória, intensificada pela demanda relacionada ao avanço da inteligência artificial.
Enquanto o setor de jogos como um todo registrou crescimento, com as vendas totais de videogames nos EUA subindo 3% em maio de 2025, chegando a US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 22,7 bilhões), o desempenho de consoles foi na direção oposta. A queda atingiu especialmente a linha do PlayStation 5, que, de acordo com a Circana, teve o pior total de vendas para um mês de maio em 25 anos.
PlayStation 5 despenca após segundo reajuste em 10 meses
O levantamento aponta que as vendas de unidades do PlayStation 5 tiveram uma retração de -58% em maio, na comparação com o mesmo período do ano anterior, após o segundo aumento de preço em apenas 10 meses.
Na prática, isso significa que o consumidor enfrentou um salto mais recente no custo do console, em um momento em que o mercado já estava lidando com preços mais altos em eletrônicos.
O efeito do reajuste aparece no dado de “pior maio em 25 anos”, um indicador que ajuda a dimensionar o impacto do aumento no preço final do produto. Em um mercado em que o console costuma ser uma compra planejada, mudanças recentes no valor tendem a reduzir a demanda imediata — principalmente quando o consumidor percebe que o custo pode continuar subindo.
Além disso, o cenário de componentes não ajuda. A mesma pressão por chips de memória que vem afetando a indústria aparece em outras empresas do setor. A Apple, por exemplo, aumentou preços de Macs e iPads, atribuindo a decisão à falta de chips de memória.
Xbox tem pior maio da história após novos aumentos
O Xbox também sofreu. A Circana informa que as vendas de hardware da Microsoft em maio ficaram no nível mais baixo já registrado para o mês. O resultado vem um dia depois de a própria Microsoft anunciar novos aumentos de preço para os consoles Xbox Series S e Xbox Series X.
Em comunicado, a empresa atribuiu a alta ao custo de armazenamento e memória, que, segundo a Microsoft, aumentaram mais de 2,5 vezes. A companhia também afirmou que espera um novo “dobro” desses custos até o fim de 2027. A mensagem reforça que o problema não é apenas conjuntural, mas estrutural, ligado à crise de componentes que afeta toda a cadeia de eletrônicos.
Em termos de mercado, isso ajuda a explicar por que a queda foi tão forte. Quando o custo de produção sobe e o preço final precisa acompanhar, a demanda pode cair rapidamente. E, no caso de consoles, a sensibilidade a preço costuma ser alta, já que o consumidor compara não só o valor do aparelho, mas também o custo total de entrada no ecossistema (assinaturas, jogos e acessórios).
Preço médio do console sobe 14% em maio
O relatório também traz um dado que ajuda a entender o “peso” dos reajustes: o preço médio de um console novo nos EUA chegou a US$ 502 em maio. Isso representa um aumento de 14% em relação ao ano anterior, quando o preço médio era de US$ 440 (aproximadamente R$ 2.710 e R$ 2.390, respectivamente, em conversão aproximada).
Em um cenário de inflação e custo de vida pressionado, esse tipo de alta tende a reduzir a disposição de compra no curto prazo.
Vale notar que o problema não se limita a um fabricante. A crise de componentes, especialmente de memória e armazenamento, tem sido associada ao aumento de demanda por tecnologias ligadas à inteligência artificial. Isso cria uma disputa por capacidade de produção de chips, elevando preços e dificultando a reposição em escala.
Nintendo lidera com Switch 2, mas também prepara novo reajuste
Enquanto PlayStation e Xbox enfrentam o pior momento de vendas em anos, a Nintendo aparece como exceção no mês. Segundo a Circana, o console mais vendido de maio foi o Nintendo Switch 2, que registrou crescimento de 38% em comparação com maio de 2025.
O desempenho do Switch 2 também chamou atenção por um marco histórico: o modelo se tornou o segundo console a vender mais rápido em sua categoria, ficando atrás apenas do Game Boy Advance. Esse tipo de referência é relevante porque indica que, mesmo em um mercado pressionado, a Nintendo conseguiu manter tração.
Porém, a Nintendo também sinaliza que o preço pode subir. A partir de 1º de setembro, o Switch 2 passará de US$ 449,99 para US$ 499,99 (aproximadamente R$ 2.450 e R$ 2.720, em conversão aproximada). A empresa justificou que a mudança responde a alterações nas condições do mercado, que devem se estender no médio e no longo prazo.
Em nota, a Nintendo reconheceu que reajustes podem ser desafiadores para os clientes e disse valorizar o entusiasmo contínuo dos fãs pelos produtos e experiências da marca.
O que esses números dizem sobre o futuro do mercado
O conjunto de dados da Circana sugere que a “dor” do setor de consoles ainda não passou. Quando o custo de componentes sobe e os preços finais são reajustados, a demanda pode cair imediatamente, mesmo que o interesse pelo produto continue existindo.
No curto prazo, isso tende a favorecer plataformas que conseguem manter oferta e preço mais estáveis. No médio prazo, porém, a tendência é que o mercado continue lidando com a escassez de memória e armazenamento, a menos que a cadeia de suprimentos se normalize.
Para o consumidor, o recado é claro: os reajustes recentes podem significar que a janela de compra “mais barata” está diminuindo. Para as empresas, o desafio é equilibrar custos e demanda sem comprometer o ritmo de vendas. E, para o setor de jogos, o impacto pode ir além do hardware, influenciando também o volume de acessos ao ecossistema, a dinâmica de promoções e a estratégia de lançamentos.
Por enquanto, o mês de maio nos EUA deixa uma fotografia difícil para Sony e Microsoft: com quedas fortes e o pior desempenho em décadas, a indústria de consoles mostra que não depende apenas de jogos e marketing, mas também de fatores industriais que fogem do controle das marcas.
A crise de componentes — agora associada a uma demanda crescente por tecnologias ligadas à inteligência artificial — segue como um dos principais motores das oscilações de preço e consumo.
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Fonte: Nexstar Media, Inc. (via AOL) com dados da Circana.



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