Novo dono da GOG reforça posição anti-DRM e garante que filosofia não vai mudar
Índice
- Compra da GOG reacende debate sobre preservação de jogos
- “Não há sinais de que isso vá morrer”, diz Kiciński
- Contra a ideia de “aluguel disfarçado”
- DRM não combate pirataria, afirma o executivo
- A postura já custou negócios à GOG — e tudo bem
- O caso The Witcher 2 e o conflito com a publisher
- “Colocar planilhas em primeiro lugar destrói empresas”
- Um recado claro para o mercado
A compra da GOG por um novo proprietário levantou um sinal de alerta imediato entre jogadores mais atentos: será que a plataforma manteria sua postura histórica contra DRM? A resposta veio rápida — e de forma contundente. Michał Kiciński, cofundador da CD Projekt Red e agora dono integral da loja, afirmou que a política anti-DRM é um valor central da GOG e que não há qualquer indicativo de que isso vá mudar no futuro previsível.
A declaração foi feita em entrevista ao jornalista Lewis Packwood, do site GamesIndustry.biz, e serviu para acalmar os receios de uma possível “enshittification” — termo cada vez mais usado para descrever a deterioração de serviços digitais após mudanças de comando ou foco excessivo em lucro.
Compra da GOG reacende debate sobre preservação de jogos
Kiciński adquiriu a GOG diretamente da CD Projekt Red no final de 2025, por 90,7 milhões de zlotys poloneses (aproximadamente US$ 26 milhões). Embora a transação tenha sido vista como um movimento estratégico natural, o histórico recente da indústria fez muitos jogadores temerem que a plataforma pudesse abandonar seu diferencial mais importante: a venda de jogos sem DRM.
Desde sua fundação, a GOG construiu uma identidade clara ao permitir que os usuários baixem e joguem seus títulos sem necessidade de conexão constante, autenticação online ou dependência de servidores. Para muitos, isso representa não apenas conveniência, mas também preservação e posse real do conteúdo adquirido.
“Não há sinais de que isso vá morrer”, diz Kiciński
Questionado diretamente sobre a missão anti-DRM da GOG, Kiciński foi categórico:
“Este é um valor central da GOG, e não há sinais de que isso possa morrer em qualquer futuro visível.”
Segundo ele, a decisão vai além de um posicionamento ético. Trata-se também de uma escolha pragmática, que beneficia o consumidor em cenários cada vez mais comuns, como quedas de serviços, remoção de jogos das lojas ou restrições de acesso por mudanças contratuais.
“Isso ajuda as pessoas a aproveitarem seus jogos, independentemente do que aconteça com o software da plataforma ou com a conexão à internet.”
Em um mercado cada vez mais dominado por licenças temporárias e serviços que podem ser alterados unilateralmente, a fala reforça o papel da GOG como uma alternativa fora do padrão.
Contra a ideia de “aluguel disfarçado”
Kiciński também fez críticas diretas ao modelo atual adotado por grande parte da indústria, no qual o jogador paga preço cheio por um título, mas não tem garantia de acesso permanente.
“O principal objetivo da GOG é permitir que você acesse um jogo comprado sempre que quiser — e que ninguém possa tirá-lo de você.”
Ele relatou experiências pessoais em que jogos simplesmente desapareceram de sua biblioteca digital, sem explicações claras, algo que tem se tornado cada vez mais comum em plataformas tradicionais.
“Você paga preço cheio, mas seus direitos são mais parecidos com os de alguém que está alugando o jogo.”
Essa crítica ecoa um sentimento crescente entre consumidores, especialmente após casos de títulos removidos por questões de licenciamento, encerramento de serviços ou mudanças em contratos de publicação.
DRM não combate pirataria, afirma o executivo
Outro ponto central da defesa da política da GOG é a visão clara de Kiciński sobre DRM e pirataria. Para ele, a indústria insiste em uma solução que já se mostrou ineficaz ao longo de décadas.
“Desde o começo, nunca vimos DRM como uma solução para pirataria, porque os jogos são pirateados de qualquer forma, quase sempre no primeiro dia.”
Segundo o executivo, o impacto real do DRM recai quase exclusivamente sobre quem compra o jogo legalmente, criando barreiras desnecessárias, erros técnicos e até perda de desempenho.
“Vemos o DRM como algo que torna a vida do cliente legal mais difícil.”
Na avaliação dele, a única razão para o DRM continuar existindo é atender às exigências de alguns detentores de direitos, e não por trazer benefícios reais ao jogador ou à longevidade do produto.
A postura já custou negócios à GOG — e tudo bem
Quando questionado se essa filosofia já fez a GOG perder parcerias ou lançamentos importantes, Kiciński respondeu de forma direta:
“Claro que sim. Perdemos alguns, mas também ganhamos outros.”
Ele ressaltou que muitos desenvolvedores escolhem trabalhar com a GOG justamente por essa postura, especialmente aqueles preocupados com preservação e acesso a longo prazo.
“Quanto menos software de terceiros em torno de um jogo, melhor para a longevidade dele.”
Esse argumento se conecta diretamente à proposta original da plataforma, que nasceu com foco em jogos clássicos e títulos antigos que muitas vezes deixavam de funcionar por dependências técnicas obsoletas.
O caso The Witcher 2 e o conflito com a publisher
Kiciński também relembrou um episódio emblemático da história da CD Projekt Red: a decisão de remover DRM da versão de PC de The Witcher 2, em 2011. A atitude gerou um conflito direto com a publisher Bandai Namco, que chegou a processar o estúdio.
“Eles não conseguiam entender que isso não estava prejudicando o negócio deles, porque o jogo já estava pirateado.”
Segundo ele, a publisher ignorou completamente as reclamações dos jogadores, que relatavam problemas de desempenho e erros causados pelo DRM.
“Eles não eram sensíveis às vozes dos jogadores reclamando que o DRM estava causando erros ou deixando o jogo mais lento.”
O episódio acabou se tornando um marco na imagem pública da CD Projekt, que passou a ser vista como uma empresa mais alinhada aos interesses do consumidor — reputação que a GOG herdou e mantém até hoje.
“Colocar planilhas em primeiro lugar destrói empresas”
Encerrando a entrevista, Kiciński fez uma crítica mais ampla à mentalidade corporativa predominante na indústria de tecnologia e games.
“Ser uma empresa saudável significa ter resultados saudáveis.”
Para ele, o caminho deveria ser óbvio: bons produtos, bons serviços e respeito ao consumidor geram retorno financeiro como consequência, não como ponto de partida.
“Muitas empresas desmoronam porque colocam as planilhas em primeiro lugar.”
A fala resume bem a filosofia que a GOG promete continuar defendendo: priorizar o jogador, a preservação e o acesso real aos jogos, mesmo que isso signifique abrir mão de acordos mais lucrativos no curto prazo.
Um recado claro para o mercado
Em um momento em que o conceito de “posse digital” está cada vez mais nebuloso, a confirmação de que a GOG seguirá firme contra DRM soa como um alívio para muitos jogadores. A fala de Kiciński não deixa espaço para ambiguidade: a identidade da plataforma não está à venda.
Para quem valoriza acesso permanente, preservação histórica e menos amarras técnicas, a GOG segue como uma exceção cada vez mais rara — e, ao que tudo indica, determinada a continuar assim.
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Fonte: boundingintocomics





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