Índice
- 10. 2010: Hora de Aventura (Adventure Time)
- 09. 2011: Game of Thrones
- 08. 2012: Gravity Falls: Um Verão de Mistérios
- 07. 2013: Attack on Titan
- 06. 2014: O Segredo Além do Jardim (Over the Garden Wall)
- 05. 2015: The Magicians
- 04. 2016: The Good Place
- 03. 2017: Castlevania
- 02. 2018: O Príncipe Dragão (The Dragon Prince)
- 01. 2019: O Cristal Encantado: A Era da Resistência (The Dark Crystal: Age of Resistance)
A década de 2010 foi um divisor de águas para a televisão. A queda do cabo coincidiu com a ascensão do streaming e com a mudança do modelo de consumo: em vez de esperar a grade da emissora, o público passou a maratonar temporadas inteiras quando quisesse. Nesse cenário, plataformas como Netflix, HBO e Hulu passaram a investir pesado em produções originais — e, com isso, a fantasia ganhou força como gênero.
Entre o começo da década e os anos finais, surgiram séries que expandiram o que o público entendia como “fantasia” na TV. Houve espaço para mundos coloridos e absurdos, para reinos épicos e intrigas políticas, para animes sombrios, para histórias com magia e para narrativas que usam o sobrenatural como metáfora. E como foram muitos lançamentos, é fácil perder títulos importantes.
A proposta aqui é organizar as melhores séries de fantasia de cada ano dos anos 2010, destacando o que cada uma trouxe de mais marcante para o gênero.
10. 2010: Hora de Aventura (Adventure Time)

Hora de Aventura começou com a cara de qualquer animação do Cartoon Network — mas rapidamente ultrapassou expectativas e virou um fenômeno. Em Terra de Ooo, o cotidiano é tão estranho quanto divertido: existem consoles de videogame sencientes, reinos feitos de doces e até uma raça de “pessoas-limão”. O que prende o espectador é justamente a liberdade criativa. Nada parece “fora do lugar” demais para existir ali.
O humor é outro trunfo. Apesar de ser uma série animada, não fica preso a uma piada infantil. Ele conversa com diferentes faixas etárias, incluindo crianças e adultos, sem perder o ritmo.
Ainda assim, o diferencial do programa vai além do gag: a série acerta em cheio no coração. Ao longo dos episódios, surgem lições sobre escolhas, consequências e empatia, com uma moral que aparece de forma natural, sem virar sermão.
09. 2011: Game of Thrones

Se existe um nome que domina a conversa sobre fantasia na década, ele é Game of Thrones. Para 2011, não havia muito espaço para dúvida. A série se tornou um evento cultural, com impacto que ultrapassou o público tradicional do gênero.
A trama é complexa, tem dezenas — talvez centenas — de personagens e aposta em uma produção de alto nível, que transforma intrigas políticas em drama de grande escala.
O que ajudou a consolidar o sucesso foi a variedade de elementos: há ação, romance, humor pontual, tensão de thriller político e batalhas que viraram referência. Em outras palavras, a série tinha algo para quase todo tipo de espectador. Mesmo com críticas e frustrações relacionadas ao desfecho, ainda é difícil negar que a maior parte das temporadas é construída com força, ritmo e ambição.
08. 2012: Gravity Falls: Um Verão de Mistérios

Gravity Falls começa com uma aparência simples: dois irmãos passam as férias em uma cidade remota do Oregon, lidando com o tédio e a curiosidade. Só que a série vai revelando, aos poucos, que há forças misteriosas no lugar.
O resultado é uma mistura de aventura e enigma que prende o público desde os primeiros episódios.
Um ponto que diferencia Gravity Falls de muitas animações é a continuidade. Os episódios conversam entre si e exigem atenção para que o enredo faça sentido. Isso cria um efeito curioso: quem assiste “pulando” partes perde pistas importantes.
E, como se não bastasse, a série deixou tantas perguntas no ar que estimulou teorias e discussões online que continuam até hoje.
Além do mistério, há um componente filosófico que aparece em reflexões sobre escolhas, identidade e crescimento. É uma série excelente tanto para quem gosta de enigmas quanto para quem procura temas mais profundos em formato acessível.
07. 2013: Attack on Titan

Attack on Titan é daqueles títulos que “tomam o mundo” quando chegam. O anime conquistou fãs do próprio universo de animes, mas também atraiu muita gente que não era acostumada ao formato.
O motivo é claro: o mundo é distópico, a história é sombria e a premissa é criativa o suficiente para parecer inevitável.
A humanidade vive nos remanescentes de uma civilização em guerra constante contra gigantes devoradores, os titãs — criaturas quase impossíveis de matar. A série estabelece o peso da insignificância humana logo de início: não há mais a sensação de que o homem é o predador máximo. Existe algo maior, mais inteligente e mais poderoso do que a espécie.
Esse olhar renova a fantasia ao trazer um tipo de ameaça que não é só “mágica” ou “monstruosa”, mas também existencial. O programa funciona como uma jornada emocional, que acerta em quase todos os aspectos: construção de mundo, tensão e desenvolvimento dos personagens.
06. 2014: O Segredo Além do Jardim (Over the Garden Wall)

O Segredo Além do Jardim pode ser uma minissérie, mas tem a cara de projeto feito com paixão. A história acompanha dois irmãos que se perdem em uma floresta escura e precisam encontrar o caminho de volta. A premissa é simples, quase clássica, como um conto de fadas — só que o que vem depois é mais profundo e, em muitos momentos, surpreendentemente emocionante.
Mesmo sendo voltada ao público infantil, a série encontrou espaço para fãs de todas as idades. A aventura é envolvente, mas o subtexto afetivo dá outra camada ao que poderia ser apenas “uma jornada”.
O elenco também chama atenção: há participações de nomes como Elijah Wood, Christopher Lloyd e John Cleese.
Com apenas 10 episódios, a minissérie consegue contar uma história curta, clara e memorável. E, talvez por isso, tenha criado uma base de fãs fiel que ainda discute a obra. É especial tanto para quem criou quanto para quem assistiu.
05. 2015: The Magicians

The Magicians é frequentemente subestimada, mas tem argumentos fortes para ser lembrada como uma das melhores fantasias de 2015. A história começa com um estudante que entra em uma universidade para se tornar um mago. Só que, em vez de aprender truques de cartola, ele descobre que a magia é real — e que o mundo mágico que ele conhecia de infância está em crise.
Como série da Syfy, a expectativa poderia ser menor, mas os efeitos visuais funcionam bem. A narrativa também tem um ritmo que prende: apresenta personagens marcantes, humor e tensão, enquanto mantém o espectador investido no que está em jogo.
É uma escolha certeira para fãs de Harry Potter e também para quem prefere uma fantasia “menos heroica” e mais sombria.
04. 2016: The Good Place

The Good Place não é fantasia no sentido tradicional. Não há dragões, feitiços ou criaturas mitológicas dominando a tela. Ainda assim, a série se encaixa no gênero porque se passa em uma dimensão alternativa: um tipo de “vida após a morte” que recompensa quem viveu de forma virtuosa.
O formato é de sitcom, com humor e situações do cotidiano — mas a série prova que pode provocar impacto emocional e intelectual do mesmo jeito que dramas de fantasia.
Um dos elementos mais marcantes é a presença de uma reviravolta histórica, que ajudou a consolidá-la como uma comédia com profundidade.
Ao longo dos episódios, surgem momentos de sabedoria moral e reflexões que ficam com o público. O programa consegue fazer rir e, ao mesmo tempo, emocionar. Por isso, em 2016, ele merece o lugar de destaque como a melhor fantasia do ano.
03. 2017: Castlevania

Uma série baseada em videogame costuma ser vista com desconfiança, como se fosse apenas um “atalho” para capitalizar uma marca. Castlevania quebra essa expectativa.
A produção é inspirada na franquia japonesa que começou nos anos 1980, mas foi criada por um estúdio americano que decidiu homenagear as raízes do universo com uma estética de anime — algo que muitos chamam de “Americanime”.
O resultado não é uma repetição de clichês típicos de animes como ninjas e samurais. A série se apoia em referências do imaginário gótico europeu, trazendo vampiros, lobisomens e outras criaturas da noite. O tom é escuro e áspero, mas também tem um cuidado visual que agrada quem conhece a franquia — e, principalmente, quem nunca jogou.
Mesmo sem familiaridade com os jogos, a série se sustenta como uma obra forte, com atmosfera, ritmo e personagens que merecem mais atenção do público.
02. 2018: O Príncipe Dragão (The Dragon Prince)

O Príncipe Dragão é ambiciosa por um motivo simples: ela é construída em cima de um universo cheio de lore, mas sem uma obra anterior que sirva de base. Não há quadrinhos, romances ou jogos para “explicar” o mundo. A série nasce do trabalho dos próprios criadores.
O enredo se passa no continente de Xadia, onde diferentes povos vivem em guerra. Humanos não mágicos entram em conflito com elfos e dragões, e o resultado é caos em escala continental. A série também acerta ao equilibrar fantasia com acessibilidade: embora não seja ideal para crianças pequenas, funciona bem para jovens e adultos.
Além da história, o visual impressiona. A animação em 3D e o uso de cor criam uma identidade própria. E, no fim, o que pesa é a sensação de continuidade e expansão do mundo.
Não é fácil se cansar de O Príncipe Dragão, o que ajuda a justificar por que ela se destaca como a melhor fantasia de 2018.
01. 2019: O Cristal Encantado: A Era da Resistência (The Dark Crystal: Age of Resistance)

Escolher a melhor fantasia de 2019 é uma tarefa ainda mais difícil porque o ano teve concorrentes fortes. De The Witcher a Kingdom, havia opções variadas. Mas, quando o assunto é encanto, consistência, qualidade e construção de mundo, O Cristal Encantado: A Era da Resistência se impõe.
A série é um prelúdio do filme de 1982, O Cristal Encantado, e leva o público de volta ao universo de Thra. A proposta é mostrar a ascensão dos Skeksis e a extinção dos gelflings.
Um dos aspectos mais elogiados é a forma de produção: assim como o longa, a série é feita quase inteiramente com efeitos práticos e marionetes, o que dá uma textura única ao mundo.
O resultado é um universo belo e hipnotizante, capaz de prender o espectador como poucos. O mundo de Thra é fácil de admirar e difícil de esquecer. E, apesar de ter sido cancelada após uma temporada, a série segue sendo lembrada como uma das melhores fantasias lançadas no período.
Se a década de 2010 mostrou alguma coisa, foi que fantasia na TV não precisa ser apenas “entretenimento escapista”. Ela pode ser reflexão, emoção, crítica social e, ao mesmo tempo, aventura. E, ano após ano, essas séries ajudaram a definir o que o gênero se tornou — e o que ainda pode ser.




