3 franquias da Nintendo que poderiam virar ótimos filmes (e menções honrosas)
Índice
A Nintendo vive, de fato, uma “era dos cinemas”. Depois do grande sucesso de The Super Mario Bros. Movie (2023), a empresa já confirmou que pretende seguir expandindo esse caminho — com uma adaptação de The Legend of Zelda em desenvolvimento e rumores de um filme derivado de Donkey Kong. Nesse cenário, é natural que fãs e imprensa comecem a imaginar quais outras franquias da Nintendo poderiam virar filmes de verdade.
Mesmo que a companhia possa priorizar as chamadas “big four” (Mario, Zelda, Splatoon e Animal Crossing), existem outras propriedades que, com o tipo certo de roteiro e direção, têm potencial para funcionar nas telonas. A seguir, veja três franquias que fazem sentido para uma adaptação cinematográfica — além de menções honrosas que também poderiam dar certo, mas esbarram em desafios específicos.
Menções honrosas: boas ideias, mas com obstáculos
Antes das três sugestões principais, vale destacar franquias que poderiam funcionar, porém enfrentariam dificuldades de adaptação. Um exemplo é Xenoblade Chronicles. A série é conhecida por narrativas longas e densas, com muitas horas de história e, principalmente, grande volume de cenas e cutscenes. Transformar um JRPG desse porte em um filme de cerca de duas horas seria um desafio enorme: não só por tempo de tela, mas também porque a estrutura do gênero costuma depender de progressão gradual, exploração e desenvolvimento contínuo de personagens.
Outra franquia frequentemente lembrada é Pokémon. A franquia já teve filmes, como Detective Pikachu, que foi bem-sucedido, mas não necessariamente consolidou um impacto duradouro no imaginário global do jeito que alguns fãs esperavam. Já Animal Crossing tem popularidade suficiente para receber uma adaptação, mas o ponto central é que os jogos não seguem uma narrativa linear tradicional. Para um filme, seria necessário criar uma história do zero — algo que pode ser feito, mas exige cuidado para não descaracterizar a proposta original.
Metroid também aparece como possibilidade, porém com um problema particular: Samus é uma protagonista silenciosa. Em termos de linguagem cinematográfica, isso pode dificultar a construção de diálogo e de ritmo dramático típico de filmes familiares. Além disso, Metroid costuma colocar Samus em situações de solidão e isolamento, o que pode não se encaixar tão bem em um formato pensado para amplo público. Há ainda a questão do tom: a Nintendo parece preferir produções acessíveis e voltadas a espectadores de diferentes idades, como foi o caso de The Super Mario Bros. Movie. Ainda assim, é possível que o futuro de The Legend of Zelda ajude a indicar qual faixa etária a empresa pretende seguir.
Por fim, Star Fox surge como uma ideia interessante, especialmente após a boa recepção de sua aparição no universo de Mario. Um filme poderia, sim, ser uma adaptação de Star Fox 64, mas isso levantaria perguntas sobre cronologia e eventos já mostrados em outras produções. A alternativa seria criar uma história inédita, aproveitando o fato de que o elenco e a dinâmica do time já são conhecidos. Em outras palavras: existe caminho, mas seria preciso escolher bem entre “recontar” e “reinventar”.
EarthBound: uma história que já nasce com começo, meio e fim
Entre as franquias citadas, EarthBound é uma das que mais chamam atenção por um motivo simples: a história tem estrutura clara. Há um início definido, um desenvolvimento com sentido e um desfecho que fecha o arco. Além disso, o jogo trabalha temas de amadurecimento, crescimento pessoal e a ideia de que a jornada transforma quem participa dela. Esse tipo de mensagem tende a funcionar bem em filmes, porque conversa com públicos além dos fãs de games.
Em termos de adaptação, EarthBound também tem um conjunto de elementos que se traduzem com naturalidade para o cinema. A franquia tem personagens secundários marcantes e uma variedade de locais visitados ao longo da aventura, o que ajuda a criar ritmo visual e diversidade de cenários. Como a Nintendo costuma apostar em animações para suas produções recentes, um filme animado seria especialmente adequado para capturar o estilo e a atmosfera do universo do jogo.
Existe, claro, um ponto de atenção: o antagonista central, Giygas, é um elemento que pode precisar de ajustes para se adequar a um público mais amplo. Ainda assim, a essência da trama — com suas mensagens e seu tom — poderia ser preservada. O maior obstáculo, porém, não é criativo: é comercial. A Nintendo não teria, necessariamente, um “produto” para empurrar junto com o filme. Enquanto Mario e Zelda impulsionam vendas de jogos disponíveis em plataformas atuais, EarthBound está mais restrito ao ecossistema do Nintendo Switch Online. Ou seja, mesmo que o filme fosse bom, a empresa teria menos incentivos para investir nele.
Kirby: o desafio é manter o “poyo” e criar um antagonista de verdade
Kirby é uma franquia que desperta curiosidade por um motivo: ela tem um protagonista extremamente carismático, mas com uma característica que complica a adaptação. Kirby não fala como personagens tradicionais. Nos jogos, ele costuma dizer palavras curtas e pontuais, como “hi”, mas ainda assim a comunicação é limitada. Para um filme, isso exige uma abordagem cuidadosa para não transformar a história em algo difícil de acompanhar.
Uma referência útil aqui é a adaptação em anime, em que Kirby fala pouco e, em grande parte, se limita a dizer “poyo”. Isso mostra que existe um caminho para manter o espírito do personagem sem perder a fluidez narrativa. Ainda assim, há outro desafio: Kirby frequentemente passa grande parte das aventuras sozinho. Em cinema, isso pode funcionar, mas costuma ser mais difícil sustentar tensão dramática e desenvolvimento de conflito sem diálogos e sem interação constante com outros personagens.
Uma possibilidade seria trazer de volta personagens do anime, como Tiff, que funciona como uma espécie de “intérprete” de Kirby. Porém, isso implicaria se afastar dos jogos e criar uma ponte entre universos. Outra alternativa seria apostar em um vilão que tenha fala, motivação clara e habilidades bem definidas. Nesse sentido, Nightmare aparece como um candidato forte para um primeiro filme “novo”. Ele tem presença, propósito e pode servir como antagonista principal.
Também existe a opção de adaptar o primeiro jogo, em que King Dedede rouba toda a comida de Dream Land. Mas, para que o filme tenha um antagonista verdadeiramente marcante, seria necessário ir além de Dedede e Meta Knight. Além disso, iniciar uma história para quem não conhece Kirby exigiria escolher um ponto de entrada mais acessível. Por isso, uma ideia que faz sentido é combinar elementos de Kirby’s Dream Land e Milky Way Wishes, já que Milky Way Wishes tende a ser visto como uma base mais “fundamental” dentro da franquia — algo que poderia funcionar como porta de entrada para novos espectadores.
Splatoon: uma adaptação que combina com o formato e com a estética
Se existe uma franquia que parece naturalmente compatível com o cinema, Splatoon é uma das principais candidatas. O motivo não é apenas o visual — embora os personagens coloridos, expressivos e memoráveis ajudem muito —, mas também a forma como o mundo é construído. A série permite que se crie uma história relativamente simples, sem precisar amarrar tudo a uma trama complexa e rígida.
O “coração” de Splatoon é a mecânica de pintar o chão, e isso pode ser traduzido com facilidade para a linguagem cinematográfica. Em vez de depender de explicações longas, o filme poderia mostrar ação e identidade por meio de cenas dinâmicas, com batalhas e disputas que reforçam a cultura do universo. Mesmo que a trama principal envolva um vilão, é possível inserir “guerras de território” e referências ao lore ao fundo, criando um mundo vivo.
O potencial de adaptação também está na flexibilidade. Não é necessário que o filme siga um enredo específico de um jogo. Uma abordagem possível seria apresentar um protagonista Inkling chegando a uma grande cidade pela primeira vez e sendo puxado para uma missão secreta. A partir daí, a história poderia girar em torno de derrotar Octavio ou outro antagonista escolhido para a produção. E, como o universo tem elementos que podem render sequências, faria sentido reservar eventos mais “profundos” — como o Deepsea Metro — para um segundo filme, mantendo o primeiro mais acessível.
Em resumo, Splatoon oferece algo raro: um estilo que já nasce com energia de tela grande. A estética, os personagens e a dinâmica de “território” criam um cenário pronto para ação e para uma narrativa que pode ser entendida por quem nunca jogou.
O que os fãs temem — e o que pode dar certo
Apesar do entusiasmo, existe um receio recorrente quando o assunto é adaptação: a Nintendo pode, por exemplo, optar por um filme de Kirby que tire o personagem do seu mundo e o coloque em um cenário live-action com humanos, criando uma história de invasão e um antagonista poderoso que quer dominar a Terra. A preocupação aqui é preservar a identidade do universo de Kirby. Quando a adaptação muda demais o contexto, o risco é perder o encanto que torna a franquia única.
Por outro lado, o caminho para dar certo existe. Se a Nintendo continuar apostando em animação, escolher bem o tom e criar roteiros que respeitem a essência de cada franquia, há espaço para filmes que não sejam apenas “mais um” derivado, mas que ampliem o universo para novos públicos sem apagar o que os fãs amam.
Resta saber quais serão as próximas escolhas da Nintendo. E, para quem acompanha esse tipo de notícia, a pergunta inevitável é: qual franquia você gostaria de ver primeiro nas telonas?




