O fim da 1ª temporada de Every Year After, série YA do Prime Video baseada nos livros de Carley Fortune, deixou mais do que respostas: plantou novas perguntas. No último episódio, Percy (Sadie Soverall) e Sam (Matt Cornett) finalmente se reencontram em Barry’s Bay, com sinais claros de que o romance entre os dois pode caminhar para um “felizes para sempre”. Mas a showrunner Amy B. Harris faz questão de lembrar que, na prática, esse tipo de desfecho é só o começo — e que a história ainda tem muito terreno para explorar, inclusive com a ampliação do universo literário da autora.
Em entrevista ao TheWrap, Harris comentou como a temporada fechou o arco do casal, o que ainda falta para Percy e Sam se tornarem, de fato, um par na vida adulta e por que o destino de Charlie (Michael Bradway) — marcado por um ataque cardíaco após ver uma foto dele com Sam e Percy na parede do chefe — pode abrir caminho para novas tramas. A conversa também tocou no plano de adaptar One Golden Summer, livro que apresenta outro par romântico dentro do mesmo universo, caso a série seja renovada para a 2ª temporada.
O “felizes para sempre” de Percy e Sam é apenas o início
Ao longo dos episódios, Every Year After alternou avanços e recuos no relacionamento de Percy e Sam, construindo a tensão típica de histórias “friends-to-lovers”. No final da temporada, Sam volta a Barry’s Bay e, em um gesto que indica que o passado está sendo reorganizado, ele entrega as chaves da taverna a Percy.
Para Harris, esse retorno é um tipo de resolução emocional — mas não uma conclusão definitiva. Ela aposta que o público deve enxergar o reencontro como um final feliz para os dois, ou pelo menos como a possibilidade real de um final feliz.
Ainda assim, a showrunner enfatiza que o que vem depois é o desafio mais interessante: “happy endings are just the beginning — they have a lot of work to do to be a couple”. Em outras palavras, mesmo apaixonados, Percy e Sam não são mais adolescentes. O tempo passou, as pessoas mudaram e o relacionamento precisa ser aprendido novamente, agora com as responsabilidades e as inseguranças da vida adulta.
Harris explica que, na sala de roteiristas, a ideia nunca foi apenas “eles ficam ou não ficam”. O foco era “como eles ficam”. A temporada termina com o casal em um momento que sugere que a história não está totalmente resolvida, embora exista vontade de dar certo.
“I don’t think it’s fully resolved yet although I think they want it to work”, disse a showrunner, deixando claro que o próximo passo será transformar intenção em convivência real.
Charlie: o gancho que conecta a série aos livros de Carley Fortune
Se Percy e Sam recebem um arco de aproximação, Charlie ganha um gancho dramático que pode ser decisivo para a continuidade da série. No episódio final, ele sofre um ataque cardíaco ao ver uma foto sua, de Sam e de Percy em um barco, exposta na parede do chefe.
O detalhe funciona como um “easter egg” para fãs da obra de Carley Fortune, já que remete diretamente ao universo criado pela autora.
No livro One Golden Summer, Charlie conhece seu interesse romântico, Alice, que aparece como a pessoa por trás da foto. Harris sinaliza que a 2ª temporada — se vier — deve tratar desse material. A showrunner descreve o estado emocional do personagem como uma combinação de ferida afetiva e pressão acumulada: “Charlie is suffering from a broken heart, and then his heart is giving out on him”.
Segundo ela, Sam se torna a pessoa mais importante na vida de Charlie, especialmente porque ambos lidam com perdas familiares: “with both his parents having passed”. A traição mencionada na trama, na visão de Harris, assombra Charlie por muito tempo e aumenta o peso sobre ele.
A partir daí, a série pode explorar dois caminhos: como Charlie e Sam tentam se aproximar novamente e, ao mesmo tempo, para onde Charlie vai quando sair desse ponto crítico.
Expansão do universo: múltiplas temporadas e novos personagens em Barry’s Bay
Um dos pontos mais relevantes da entrevista é a estratégia de longo prazo para Every Year After. Harris revelou que, desde o início, houve alinhamento com a Amazon para que a série pudesse ser pensada como um projeto de várias temporadas.
“We all agreed it could be multiple seasons right away”, afirmou. Para a showrunner, a força do material de Carley Fortune está não apenas na história principal, mas no tamanho do elenco e na possibilidade de construir tramas ao longo do tempo.
Ela também destaca um elemento que considera central na obra da autora: os personagens vivem um “coming of age” em dois períodos distintos — no passado, como adolescentes, e depois, já no fim da casa dos 20. Esse intervalo, segundo Harris, é fértil porque coloca as pessoas diante de perguntas diferentes: não é só “quem eu sou quando tenho 18?”, mas “que vida eu quero construir?”.
Harris diz que, se a série for bem recebida, a equipe espera conseguir uma segunda temporada e, possivelmente, uma terceira. E, mais do que números, a showrunner deixa claro que a meta é acompanhar o ritmo que o público desejar, enquanto houver histórias para contar.
Nesse sentido, a adaptação de One Golden Summer aparece como uma peça importante do quebra-cabeça, mas não será a única: a série deve trazer novos personagens para Barry’s Bay, ampliando o universo sem abandonar o elenco já estabelecido.
Quando questionada sobre quantas temporadas seriam ideais, Harris respondeu de forma direta: “I’ll take as many seasons as the fans want us to be on”. A frase resume a lógica do projeto: manter a expansão enquanto houver interesse e enquanto as tramas permitirem aprofundar os arcos dos personagens.
Delilah, Charlie e o triângulo amoroso que continua ecoando
Mesmo com o foco do final da temporada em Percy e Sam, a entrevista também revisita outros relacionamentos. Delilah (Abigail Cowen) e Charlie, por exemplo, aparecem como um par que pode voltar a se cruzar de maneiras diferentes.
Harris sugere que, no momento, Delilah está presa a sentimentos por alguém que talvez tenha seguido em frente: “for the moment Delilah is pining for somebody who has maybe fallen for someone else”.
Outro ponto abordado é o triângulo amoroso envolvendo Delilah, Chantal (Aurora Perrineau) e Jordie (Joseph Chiu). A showrunner explica que Jordie sempre carregou um amor não correspondido desde o colégio, observando Delilah de fora enquanto ela se concentrava em Charlie.
Na juventude, a dinâmica era de expectativa e distância; no presente, porém, o relacionamento de Sam e Percy já está mais consolidado, o que muda o peso emocional do triângulo.
Harris afirma que gostou da ideia de Jordie “mover-se” enquanto Delilah começa a perceber que a pessoa que ela sempre teve como apoio pode, na verdade, ser alguém com quem ela precisa construir algo. Ela relembra uma cena do passado em que Delilah chora no carro e admite a Jordie o que está acontecendo — e usa isso como prova de que a história do triângulo não era apenas um detalhe de roteiro, mas um elemento emocional que precisava ser tratado com seriedade.
Adaptação sem perder o que os livros têm de especial
Ao falar sobre a adaptação, Harris reforça uma regra que parece guiar o trabalho da equipe: uma adaptação não pode ser uma cópia do livro.
Ainda assim, existem momentos que são tão icônicos que precisam aparecer na tela. Ela cita cenas específicas, como o encerramento do primeiro episódio com a frase “you came home”, e comenta que, na sala de roteiristas, a equipe chegou a apelidar uma sequência de forma informal para facilitar a comunicação interna.
Entre os trechos que exigiram atenção extra está a chamada “anatomy text scene”, uma passagem que, segundo Harris, carregava tensão até o momento de filmar. Ela conta que relia o trecho do livro, conversava com o diretor e sentia a responsabilidade de entregar algo que fizesse justiça ao que os fãs consideram importante.
Para Harris, Carley Fortune também foi clara ao longo do processo: o objetivo não é reproduzir o livro palavra por palavra, mas capturar o impacto emocional das histórias.
Harris ainda menciona que há cenas criadas para a série que não estão no texto original e que, mesmo assim, se tornaram favoritas dela. Um exemplo citado é o espelhamento do final com “you came home”, que, segundo a showrunner, a autora teria gostado de ter pensado antes.
Como Sadie Soverall e Matt Cornett foram escolhidos
Por fim, a entrevista também volta ao processo de casting. Harris diz que a química entre Sadie e Matt foi determinante e que a decisão se apoiou em uma leitura feita por Zoom.
Ela admite que, no início, acreditava que seria necessário “voar” os atores para que a química aparecesse de forma convincente, já que as leituras virtuais poderiam não traduzir o que o público veria nas cenas.
Mesmo assim, a química “explodiu” na tela durante a sessão. Harris descreve que a equipe ficou sem saber se deveria até participar do momento, tamanha a intensidade do encontro. Depois que os atores saíram da sala, a sensação foi de alívio: se a química já era tão forte no Zoom, o que aconteceria diante das câmeras?
Com isso, Every Year After chega ao seu próximo capítulo com um elenco que já provou funcionar junto e com uma estrutura pensada para crescer. Resta agora saber se o Prime Video vai renovar a série para que Charlie possa atravessar sua crise, Percy e Sam possam transformar desejo em parceria e Barry’s Bay receba, novamente, novas histórias — agora com a promessa de que One Golden Summer pode ganhar vida na tela.
“Every Year After” (1ª temporada) já está disponível no Prime Video.
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Fonte: thewrap



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