eFootball Kick-Off! chega ao Switch 2 com modo offline e preço menor: veja o que muda
Índice
- Kick-Off! não é o eFootball “normal”: é um jogo com outra cara
- Progresso, moedas e a promessa de montar um elenco “dos sonhos”
- International Cup, multiplayer local e ajustes importantes na experiência
- Preço e comparação com EA Sports FC: por que Kick-Off! pode fazer sentido
- O que esperar do online no Switch 2
O eFootball Kick-Off! no Nintendo Switch 2 não é um “port” direto do eFootball live service. Em vez disso, a Konami muda o foco: modo offline no centro da experiência, uma campanha exclusiva no console e um online mais limitado. Se você cresceu com a série PES e sente falta de jogar partidas locais e ter progressão em jogador único, essa é a proposta que mais chama atenção no lançamento.
A própria história da franquia ajuda a entender por que o anúncio chama tanto interesse. A série de futebol da Konami começou como exclusividade da Nintendo há décadas, com títulos como Konami Hyper Soccer no NES e, depois, International Superstar Soccer no SNES. Com o tempo, a franquia migrou por outras gerações, evoluiu para ISS Pro, virou ISS Pro Evolution e, mais tarde, passou a ser conhecida como Pro Evolution Soccer (ou Winning Eleven no Japão). Em setembro de 2021, a Konami trocou o modelo anual por um sistema free-to-play, e o eFootball passou a receber atualizações contínuas.
O problema é que o eFootball foi amplamente criticado no lançamento, em 2021. Com o tempo, porém, a Konami foi ajustando mecânicas, melhorando a jogabilidade e expandindo recursos. A empresa também afirmou recentemente ter ultrapassado 1 bilhão de downloads em todas as plataformas — incluindo iOS e Android. Mesmo assim, faltava uma peça importante: o eFootball ainda não tinha chegado a um sistema Nintendo. Agora, essa lacuna começa a ser preenchida, mas não do jeito “tradicional”.
Kick-Off! não é o eFootball “normal”: é um jogo com outra cara
Quem espera encontrar no Switch 2 o mesmo pacote de modos do eFootball em outras plataformas pode se frustrar. A diferença aqui é que eFootball Kick-Off! não tenta “remover” conteúdos como se fosse uma versão reduzida; ele simplesmente oferece modos diferentes.
Enquanto o eFootball principal costuma ser um serviço ao vivo, com forte presença de partidas online e poucos caminhos offline, o Kick-Off! praticamente inverte a lógica: a experiência é desenhada para ser majoritariamente offline, com o online aparecendo de forma mais limitada.
O sinal mais claro disso está em World Tour, um modo exclusivo da versão do Switch 2. A campanha é longa e foi pensada para ser jogada aos poucos, com progressão visível e objetivos que fazem sentido mesmo sem depender de partidas contra outros jogadores.
O modo começa com um elenco de nível médio — e, para quem acompanhou a série por anos, o elenco inicial lembra o “roster” clássico do Master League, com nomes como Castolo e Minanda.
A partir daí, o jogador viaja pelo mapa em busca de reforços. O mundo é dividido em grupos de cinco clubes, e cada grupo tem um recorte regional. Um exemplo citado no jogo é o “Asian Leagues”, que coloca o jogador para enfrentar cinco equipes escolhidas aleatoriamente entre ligas de países como Japão, Coreia do Sul e Malásia, além de clubes ligados à AFC Champions League.
A cada vitória, o jogador escolhe um atleta para entrar no elenco. Conforme você enfrenta times mais fortes, a equipe melhora de forma orgânica, com novos jogadores mais qualificados.
Há também uma camada de escolha que aparece depois que um grupo é concluído pela primeira vez. Em vez de repetir sempre cinco clubes aleatórios, o jogador pode selecionar quais cinco equipes quer enfrentar novamente. Isso é especialmente relevante para quem tem em mente jogadores específicos e quer “mirar” elencos que carregam atletas desejados.
Progresso, moedas e a promessa de montar um elenco “dos sonhos”
Além de evoluir o time com contratações, o World Tour recompensa o jogador com moedas divididas por posição: Forward, Midfielder, Defender e Goalkeeper. Essas moedas podem ser gastas na Hall of Players, uma espécie de loja dentro do jogo que concentra alguns dos atletas mais conhecidos do futebol mundial.
Um detalhe que chama atenção é que, ao concluir pela primeira vez grupos regionais de cinco partidas, o jogo adiciona Legend Players à Hall of Players. Na prática, isso abre caminho para montar um elenco com figuras aposentadas e lendárias, incluindo nomes como Beckham, Adriano e Dennis Bergkamp, além de outros jogadores “da turma” que marcaram época.
Para fãs de futebol que gostam de construir escalações e experimentar estilos diferentes, essa é uma das partes mais atraentes do pacote offline.
O World Tour não é uma invenção absoluta — modos parecidos já apareceram em outros jogos de futebol ao longo dos anos —, mas para quem ficou anos vendo a série PES migrar quase totalmente para o online, a existência de uma campanha longa, com marcos claros e progressão consistente, tem valor.
Não é exatamente o retorno do Master League como era antes, porque aqui não há espaço para treinar jogadores e evoluir atletas individualmente no mesmo formato. O foco é substituir e melhorar o elenco com novas contratações, mantendo a campanha em movimento.
International Cup, multiplayer local e ajustes importantes na experiência
O pacote offline não para no World Tour. Existe também o modo International Cup, que chega com uma justificativa óbvia: o jogo é lançado em junho, e o conteúdo remete ao clima de competições internacionais.
Os grupos iniciais, segundo a descrição do jogo, são os mesmos do que está previsto para a Copa do Mundo de 2026. Isso inclui, por exemplo, a presença de Escócia no grupo com Brasil, Haiti e Marrocos, enquanto Inglaterra aparece no grupo com Croácia, Panamá e Gana. O jogador pode reorganizar os grupos se quiser.
Outro ponto relevante para quem joga em casa é o multiplayer local. O jogo permite partidas com um a quatro jogadores, incluindo suporte ao GameShare.
E, além do modo local tradicional, o World Tour e o International Cup também suportam co-op, permitindo que amigos joguem juntos em modos que, em tese, seriam de jogador único. Para acomodar diferentes níveis de habilidade, o jogo traz uma variedade de opções de assistência por jogador, o que ajuda a reduzir a distância entre quem joga mais e quem está começando.
Dentro de campo, a avaliação é positiva no aspecto mais importante: a jogabilidade. O eFootball, que no lançamento de 2021 foi considerado um desastre por muitos, evoluiu com atualizações e hoje entrega uma partida de futebol mais convincente.
A versão do Switch 2 é descrita como um port fiel às outras versões, com desempenho relativamente estável: durante o jogo, o alvo é manter 60 fps. Há alguns engasgos pontuais, mas sem algo que “quebre” a experiência.
Também existem recursos de imersão, como bolhas de fala em que os jogadores conversam durante a partida, pedindo passes e tentando motivar o time. Para quem prefere uma experiência mais “pura”, essas falas podem ser desligadas.
Já a narração é um caso à parte: a transmissão de comentários foi mantida do eFootball principal, com Peter Drury como narrador principal, considerado adequado, mas com Jim Beglin no co-comentário descrito como um dos piores já ouvidos em jogos de futebol. O problema relatado é que parece leitura, com pausas estranhas no meio das frases. A boa notícia é que o comentário pode ser mutado.
Preço e comparação com EA Sports FC: por que Kick-Off! pode fazer sentido
Em meio ao debate eterno entre eFootball e EA Sports FC, existe um elefante na sala: muita gente acredita que o EA Sports FC ainda joga melhor. Em alguns aspectos, a vantagem da EA é clara, como a quantidade de modos e o volume de ligas e clubes licenciados.
Por outro lado, há um ponto que pesa para o Switch 2: versões do EA Sports FC no console são citadas como rodando a 30 fps, enquanto o Kick-Off! busca 60 fps. Para jogadores que priorizam fluidez, isso pode ser decisivo.
Mas talvez o argumento mais forte da Konami seja o preço. eFootball Kick-Off! tem lançamento digital por US$ 19,99 ou £ 15,99. Convertendo de forma aproximada para o padrão brasileiro, isso equivale a algo em torno de R$ 110 a R$ 120, dependendo do câmbio do dia e de eventuais taxas.
Já o EA Sports FC, em geral, costuma custar mais caro e, além disso, é um jogo com forte apelo a sistemas como Ultimate Team. No caso do Kick-Off!, a proposta é mais direta: se você não liga tanto para o modelo de cartas e quer um jogo de futebol para jogar no trem, em casa ou com amigos no sofá, a barreira de entrada menor torna a escolha mais fácil.
Ainda assim, há um público que vai sentir falta do eFootball “completo” e do live service. Afinal, se o eFootball já tem uma base gigantesca — a própria Konami fala em 1 bilhão de downloads —, faz sentido esperar que o Switch 2 pudesse receber o mesmo produto.
A explicação mais provável, segundo a leitura do lançamento, é que a Konami decidiu focar em conteúdo offline para o ecossistema da Nintendo, em vez de depender do mesmo modelo online de outras plataformas.
O que esperar do online no Switch 2
Por fim, vale alinhar expectativas sobre o online. Durante o período de análise, os servidores ainda não estavam ativos, então não foi possível testar partidas online. Além disso, a indicação é que não haverá crossplay, o que pode reduzir bastante a base de jogadores.
Por isso, a recomendação implícita é clara: quem comprar o Kick-Off! deve considerar o offline como o principal motivo. Para quem busca partidas competitivas online, o jogo oferece apenas opções mais básicas, como Quick Match, Ranked Match e Friend Match.
Se a intenção da Konami for mesmo “apresentar” a franquia ao público do Switch 2, o título Kick-Off! pode ser entendido como uma porta de entrada. Resta saber se, no futuro, a empresa vai trazer uma versão mais próxima do eFootball live service para o console.
Por enquanto, o que chega é um futebol com cara de campanha, feito para ser jogado em casa, com progressão e partidas locais — e, para muitos, isso pode ser exatamente o que faltava.




