Dragonkin: The Banished (PS5) review: hack and slash acessível e sistema de habilidades criativo
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Se você procura um hack and slash acessível no PS5, Dragonkin: The Banished entrega exatamente isso — com progressão constante, combate satisfatório e um sistema de habilidades que se destaca do “troca e pronto”. Apesar de não competir com produções gigantes em narrativa e apresentação, o jogo chama atenção por ideias próprias, especialmente no Ancestral Grid e no desenvolvimento do “lar” durante a campanha.
O jogo não tenta reinventar o gênero. Isso, na prática, é uma vantagem para quem quer entrar rápido na ação: há um tutorial opcional que apresenta as quatro classes disponíveis, mas o ritmo permite que você comece a jogar sem ficar preso a explicações longas. A proposta é simples e eficiente: você atravessa áreas tomadas por corrupção, enfrenta inimigos em sequência e caça dragões — cuja presença e sangue contaminado moldam o mundo que você explora. O combate, por sua vez, tem um loop bem satisfatório, com progressão clara e recompensas que incentivam a continuar avançando.
Combate direto e curva de aprendizado baixa
Em termos de jogabilidade, Dragonkin funciona como um hack and slash “de manual”: você escolhe uma classe, aprende o básico e passa a alternar ataques, habilidades e posicionamento para lidar com grupos de inimigos. As classes vão de perfis mais físicos, como o Cavaleiro e o Bárbaro, até opções mais voltadas à magia, como a Oráculo, e um estilo de combate à distância com o Arqueiro.
A curva de aprendizado é baixa, e isso ajuda o jogo a manter o foco no que importa: matar, evoluir e testar builds. Em vez de travar o jogador com camadas excessivas, o design favorece uma sensação de avanço contínuo, típica do gênero, mas com espaço para você ajustar seu estilo conforme vai entendendo as habilidades.
Problemas de apresentação que atrapalham a imersão
O ponto fraco aparece quando o jogo tenta sustentar a experiência com narrativa e produção. A dublagem é ruim, a história é confusa e parece ter passado por cortes ou ajustes que deixaram a trama menos compreensível do que deveria. Além disso, alguns sistemas de gameplay mais “finos” não são explicados com a clareza necessária, o que pode frustrar jogadores que gostam de entender profundamente cada mecânica antes de investir tempo em uma build específica.
Esses problemas são, em parte, o tipo de coisa que costuma aparecer em jogos de orçamento mais baixo. Ainda assim, o que chama atenção é que Dragonkin não é apenas “barato”: ele tem conteúdo e ambição suficientes para fazer o jogador perceber que há ideias interessantes por trás. A arte e a variedade de atividades entregam mais do que o preço sugeriria, e quem estiver disposto a ignorar falhas de apresentação pode encontrar um jogo bem construído no núcleo.
O coração de Dragonkin: Ancestral Grid, um sistema de habilidades com personalidade
Se existe um motivo forte para colocar Dragonkin: The Banished na lista, ele está no seu sistema de habilidades. Chamado de Ancestral Grid, ele funciona como uma espécie de “tabuleiro” onde você posiciona habilidades e, em seguida, altera o comportamento delas com fragmentos. Esses fragmentos podem aumentar dano, mudar efeitos e até criar interações mais ousadas, como gatilhos que fazem habilidades serem ativadas a partir da presença do seu animal companheiro.
O resultado é um tipo de personalização que vai além do simples “troque uma habilidade por outra”. Você realmente sente que está montando um personagem com identidade própria, e não apenas escolhendo uma rotação fixa. Para quem gosta de experimentar builds — e de descobrir combinações — o Ancestral Grid oferece um playground interessante.
Mesmo com a limitação de ter apenas cinco habilidades principais, o sistema consegue manter a sensação de variedade, porque os fragmentos mudam a forma como essas habilidades se comportam e se conectam entre si. E, mais importante: isso transforma o processo de evolução em algo mais “criativo”, em vez de apenas repetitivo.
Há um potencial claro para expansão. O sistema é tão marcante que fica difícil não imaginar como ele poderia evoluir em um futuro, seja com mais slots, mais fragmentos ou ainda mais sinergias entre habilidades e companheiro. Por enquanto, o que existe já é suficiente para diferenciar o jogo dentro do gênero, que muitas vezes se apoia em progressões parecidas entre si.
Desenvolvimento da cidade: progressão que dá sensação de conquista
Outro elemento que ajuda Dragonkin: The Banished a se sustentar é o seu sistema de desenvolvimento da cidade. Em vez de ser apenas um “hub” estático, o jogo permite que você escolha melhorias para a base conforme avança na campanha. Isso inclui opções como novos serviços em lojas e a possibilidade de desbloquear encantamentos.
É um tipo de progressão que conversa bem com o restante do loop: você luta, coleta recursos e recompensas, e depois transforma isso em melhorias concretas no seu espaço. Em vez de ficar só no “voltar e repetir”, o jogo reforça a ideia de que seu tempo tem impacto.
O jogo também funciona tanto para quem prefere jogar sozinho quanto para quem quer encarar a campanha em modo cooperativo. Em ambos os casos, a proposta de construir e evoluir o hub ajuda a manter o interesse entre as missões, evitando que a experiência fique repetitiva. Não é um sistema revolucionário, mas é bem implementado e cumpre o papel de reforçar a sensação de conquista.
Vale a pena no PS5? Preço baixo, ambição alta
O preço é um dos grandes atrativos. Dragonkin: The Banished custa US$ 24,99, o que equivale a aproximadamente R$ 130 (varia conforme câmbio e impostos). Por esse valor, é difícil não recomendar a tentativa para fãs do gênero que buscam algo diferente sem precisar investir em um grande lançamento.
O jogo tem problemas de apresentação, com dublagem fraca e uma trama que pode ser difícil de acompanhar. Também há falhas na explicação de alguns sistemas. Ainda assim, os pontos fortes — especialmente o Ancestral Grid e o desenvolvimento da cidade — sustentam uma experiência que vai além do “barato por ser barato”.
No fim, Dragonkin se mostra um hack and slash com identidade. Quando o jogo acerta, a experiência é agradável e recompensadora. Quando falha, geralmente é em aspectos que não impedem o jogo de funcionar — apenas tiram parte do brilho.
Se a Eko Software continuar refinando as partes que hoje atrapalham a imersão, Dragonkin tem espaço para crescer. E, considerando o quanto o sistema de habilidades chama atenção, fica a expectativa de que uma sequência possa trazer ainda mais profundidade e uma produção mais consistente.
Disclosure: o publisher forneceu uma cópia digital para a análise de Dragonkin: The Banished no PS5. Avaliado na versão 1.005.000.
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Fonte: PlayStation Lifestyle




