Criador de God of War detona Sons of Sparta: “O que eles estavam pensando?!”
Índice
- O que é God of War: Sons of Sparta?
- A fúria de David Jaffe
- “Não é o Kratos que os fãs conhecem”
- Comparações com outros metroidvanias
- Problemas técnicos e de design apontados
- Co-op bloqueado gera controvérsia
- Recepção do público e da crítica
- Nostalgia versus evolução da marca
- A indústria AAA mudou?
- O futuro da franquia
O lançamento de God of War: Sons of Sparta mal esfriou e já se tornou alvo de uma das críticas mais explosivas do ano. David Jaffe, criador do God of War original e diretor dos dois primeiros jogos principais da franquia, usou seu canal no YouTube para atacar duramente o novo título anunciado no último PlayStation State of Play.
Sem medir palavras, Jaffe questionou as decisões criativas do projeto, classificando o jogo como mal projetado, genérico e desrespeitoso com o legado da série. “O que diabos eles estavam pensando?”, disparou em um de seus vídeos.
O que é God of War: Sons of Sparta?
Anunciado como um metroidvania 2D ambientado no início da linha do tempo da franquia, God of War: Sons of Sparta coloca os jogadores no papel de um jovem Kratos durante seu treinamento espartano.
A proposta inclui:
- Exploração em 2D por diferentes regiões da Grécia
- Combate contra monstros da mitologia
- Narrativa centrada na juventude de Kratos
- Participação de Deimos, irmão do protagonista
Diferente da trilogia original e dos títulos mais recentes (2018 e Ragnarök), o novo jogo possui classificação indicativa “T for Teen” (equivalente a 12-14 anos), abandonando o tradicional “M for Mature” que sempre marcou a violência brutal da franquia.
Além disso, a história é narrada por Kratos adulto contando eventos do passado para sua filha — sugerindo que o tom pode ter sido suavizado propositalmente.

A fúria de David Jaffe
Jaffe publicou três vídeos analisando o jogo. No primeiro, após jogar cerca de uma hora, afirmou que a jogabilidade era apenas “aceitável” e declarou que não pretendia continuar.
Mas a maior parte de sua indignação foi direcionada às decisões criativas da Sony Interactive Entertainment, da Santa Monica Studio e da Mega Cat Studios.
Segundo ele, o estúdio estaria priorizando narrativa em detrimento da experiência de gameplay — algo que considera incompatível com a essência da série.
“Isso não é God of War!”, afirmou, criticando especialmente os diálogos frequentes e a abordagem mais contida do protagonista.
“Não é o Kratos que os fãs conhecem”
Um dos principais pontos levantados por Jaffe é a descaracterização do personagem.
Para ele, transformar Kratos em uma versão juvenil mais “genérica” compromete o apelo da marca. Em tom provocativo, sugeriu que ninguém quer jogar com um Kratos adolescente, comparando a abordagem a um desenho infantil.
O criador também afirmou que poucos fãs se importam com uma história explicando como o personagem se tornou quem é.
“Não é isso que torna a franquia poderosa”, argumentou.
Comparações com outros metroidvanias
Jaffe foi além e comparou God of War: Sons of Sparta com outros jogos do gênero que, em sua visão, entregam qualidade superior.
Ele citou títulos como:
- Ninja Gaiden: Ragebound
- Neon Inferno
- Shinobi: Art of Vengeance
Além disso, mencionou o recém-anunciado Castlevania: Curse of Belmont, sugerindo que o novo God of War parece visualmente mais próximo de um jogo mobile do que de uma produção AAA.
Problemas técnicos e de design apontados
Após jogar cerca de quatro horas no total, Jaffe detalhou críticas específicas:
- Parry prejudicado por excesso de efeitos visuais
- Linha de mira atravessando paredes intransponíveis
- Inconsistências visuais que impactam a jogabilidade
- Interface confusa
- Plataforma mal ajustada
- Dublagem considerada fraca
Para ele, esses seriam “erros básicos” que antes seriam barrados por executivos criativos mais rigorosos.
Co-op bloqueado gera controvérsia
Outro ponto polêmico envolve o modo cooperativo.
Apesar de o trailer mostrar Kratos e Deimos lutando lado a lado, jogadores descobriram que o co-op só é desbloqueado após concluir o modo single-player.
Na PlayStation Store, a descrição destaca que o jogador “guia Kratos e Deimos” e enfatiza a jornada conjunta dos irmãos, mas não deixa claro que o multiplayer é inicialmente bloqueado.
Alguns usuários classificaram a comunicação como enganosa, especialmente porque o material promocional dá a entender que a cooperação estaria disponível desde o início.
Recepção do público e da crítica
Curiosamente, apesar da revolta de Jaffe, o cenário geral não é tão negativo.
Na PlayStation Store, o jogo registra avaliações majoritariamente positivas. No Metacritic, tanto críticos quanto usuários apresentam notas relativamente altas.
Isso evidencia um contraste interessante: enquanto o criador original demonstra profunda frustração, parte significativa da base de jogadores parece satisfeita.
Nostalgia versus evolução da marca
A reação de Jaffe também levanta uma questão maior: até que ponto uma franquia deve permanecer fiel às suas origens?
Desde 2018, God of War passou por uma reinvenção significativa, priorizando narrativa mais intimista, câmera próxima e desenvolvimento emocional de personagens.
Essa transformação foi amplamente elogiada e gerou bilhões de dólares em receita para a Sony.
No entanto, Sons of Sparta parece representar uma terceira fase — explorando o passado do personagem em formato metroidvania 2D.
Para alguns, isso é inovação. Para outros, é descaracterização.
A indústria AAA mudou?
Em seu terceiro vídeo, Jaffe refletiu sobre as mudanças na indústria. Ele afirmou que hoje não trabalharia em grandes produções AAA, citando orçamentos elevados, política interna e falta de liberdade criativa.
Segundo ele, a era do PlayStation 1 e 2 permitia maior experimentação e decisões ousadas. Hoje, a estrutura corporativa dificultaria esse tipo de abordagem.
Essa crítica vai além de Sons of Sparta — é uma análise sobre o estado atual do desenvolvimento de grandes jogos.
O futuro da franquia
Durante o mesmo evento que revelou Sons of Sparta, também foi anunciado um remake da trilogia original, com participação do dublador clássico de Kratos, T.C. Carson.
Isso pode funcionar como contrapeso para fãs mais tradicionais, que desejam reviver a brutalidade e a estética da era grega.
A grande questão agora é: o público abraçará essa nova interpretação do passado de Kratos?
Se as avaliações positivas se mantiverem e as vendas acompanharem, é provável que a Sony considere expandir a ideia.
Por outro lado, a forte reação de um dos criadores da franquia mostra que nem todos estão convencidos de que essa é a direção certa.
O debate está longe de terminar — e, como sempre em God of War, a batalha é intensa.
Confira mais novidades em nosso Portal de Notícias!
Fonte: boundingintocomics





No Comment! Be the first one.