Beyond Good & Evil 2 sobrevive à reestruturação da Ubisoft e entra no 18º ano de desenvolvimento
Índice
- Beyond Good & Evil 2 resiste ao “reset de qualidade” da Ubisoft
- Um recorde histórico (e incômodo) na indústria dos games
- Um desenvolvimento marcado por caos, reboots e polêmicas
- Por que a Ubisoft não cancela Beyond Good & Evil 2?
- Um retorno cada vez mais difícil de justificar
- O futuro de Jade segue envolto em mistério
Contra todas as expectativas — e talvez contra a lógica da indústria — Beyond Good & Evil 2 segue vivo. Mesmo após a recente e agressiva reestruturação da Ubisoft, que resultou no cancelamento de vários projetos e no fechamento de estúdios, o aguardado (e lendário) jogo não só escapou do corte como entrou oficialmente em seu 18º ano de desenvolvimento, estabelecendo um novo recorde histórico.
A informação foi revelada pelo jornalista Tom Henderson, do Insider Gaming, que afirma ter confirmado com fontes internas que o projeto continua em desenvolvimento ativo, apesar de sucessivos adiamentos, reboots internos e mudanças profundas de liderança ao longo dos anos.
Beyond Good & Evil 2 resiste ao “reset de qualidade” da Ubisoft
A sobrevivência do jogo chama ainda mais atenção porque faz parte de um contexto turbulento. Recentemente, a Ubisoft anunciou um “reset focado em qualidade”, que levou ao cancelamento de seis jogos que não atendiam aos novos critérios da empresa. Entre eles estavam:
- O problemático remake de Prince of Persia: The Sands of Time
- Três novas IPs ainda não anunciadas
- Um título mobile
Nesse cenário, muitos acreditavam que Beyond Good & Evil 2 seria o próximo da lista — especialmente por seu histórico conturbado e custos elevados. No entanto, segundo Henderson, o projeto não apenas sobreviveu como continua recebendo investimentos, mesmo caminhando para um orçamento estimado em mais de US$ 500 milhões.
Um recorde histórico (e incômodo) na indústria dos games
Anunciado oficialmente em 30 de maio de 2008, Beyond Good & Evil 2 agora ultrapassa marcas antes consideradas inalcançáveis. Seu tempo de desenvolvimento já supera:
- Duke Nukem Forever (14 anos, reconhecido pelo Guinness)
- Metroid Dread (cerca de 16 anos, ainda não certificado)
Com aproximadamente 17 anos e meio de produção contínua, o jogo entra em 2026 como o game em desenvolvimento há mais tempo da história moderna, um feito que mistura curiosidade, incredulidade e preocupação.
Um desenvolvimento marcado por caos, reboots e polêmicas
O caminho até aqui foi tudo menos tranquilo. Após chamar atenção com trailers ambiciosos em 2017, o projeto passou por uma sequência de eventos problemáticos:
- 2018: a Ubisoft pediu que fãs enviassem artes e músicas gratuitamente para o jogo, gerando forte backlash
- 2020: o criador da franquia, Michel Ancel, deixou a indústria em meio a denúncias de liderança tóxica e desorganização
- 2022: relatos indicavam que o jogo ainda estava em “estágio inicial”, apesar de anos de trabalho
- 2023: saída abrupta do diretor-gerente Guillaume Carmona e morte do diretor criativo Emile Morel
Além disso, vazamentos de playtesters sugerem que o projeto passou por um reboot interno completo após a demonstração pré-alpha apresentada em 2018, praticamente reiniciando boa parte do desenvolvimento.
Por que a Ubisoft não cancela Beyond Good & Evil 2?
Essa é a pergunta que ecoa há anos — e uma teoria popular ajuda a explicar. Segundo um usuário do Reddit citado no relatório, o jogo pode ter se tornado “grande demais para falhar”.
A ideia é simples: cancelar Beyond Good & Evil 2 agora teria um impacto direto e negativo no valor de mercado da Ubisoft, afetando ações, relatórios financeiros e a confiança de investidores. Manter o jogo em desenvolvimento, mesmo sem progresso visível, permitiria à empresa adiar o prejuízo contábil enquanto tenta se reestruturar.
Em outras palavras, o jogo continuaria existindo não por estar perto de ficar pronto — mas porque seu cancelamento imediato seria financeiramente mais doloroso do que mantê-lo no limbo.
Um retorno cada vez mais difícil de justificar
Com um orçamento que pode ultrapassar meio bilhão de dólares, a pergunta que se impõe é brutal: que tipo de sucesso Beyond Good & Evil 2 precisaria ser para compensar esse investimento?
Mesmo em um cenário extremamente otimista, é difícil imaginar um retorno que cubra anos de salários, tecnologia descartada, mudanças de escopo e atrasos constantes. Para muitos analistas e fãs, o projeto se transformou em um símbolo dos excessos da indústria AAA — onde ambição sem direção pode se tornar um buraco sem fundo.
O futuro de Jade segue envolto em mistério
Até agora, a Ubisoft não explicou claramente por que insiste no projeto nem apresentou uma nova visão concreta para o jogo. Não há janela de lançamento, não há gameplay recente e não há garantias de que o produto final se pareça com qualquer coisa já mostrada.
O que existe é apenas a certeza de que Beyond Good & Evil 2 continua vivo — pelo menos no papel.
Se um dia ele será lançado, ou se ficará para sempre como um estudo de caso sobre desenvolvimento descontrolado, ainda é impossível dizer. Mas uma coisa já é certa: independentemente de seu destino, Beyond Good & Evil 2 já entrou para a história dos videogames.
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Fonte: boundingintocomics





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