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BBC vai adaptar Kiki’s Delivery Service em série live-action (sem Studio Ghibli)

BBC vai adaptar Kiki’s Delivery Service em série live-action (sem Studio Ghibli)
BBC vai adaptar Kiki’s Delivery Service em série live-action (sem Studio Ghibli)
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A história de Kiki’s Delivery Service (no Japão, Majo no Takyubun) vai ganhar uma nova etapa: uma série live-action produzida pela BBC. O anúncio, porém, já chama atenção por um ponto importante para fãs do clássico: o Studio Ghibli não estará envolvido no projeto.

Depois de remasterizações e exibições especiais do filme animado, a obra agora mira a TV e/ou o streaming. A ideia é transformar a narrativa em uma série, com episódios de cerca de 30 minutos, explorando com mais fôlego o começo da jornada de Kiki.

BBC e produção japonesa: como será a série live-action

A adaptação não deve chegar como um filme único para o cinema. Em vez disso, o plano é desenvolver uma série, com previsão de 10 episódios e duração aproximada de 30 minutos por capítulo.

Até o momento, não há confirmação de elenco, data de estreia ou janela de lançamento. Mesmo assim, o formato já indica uma intenção clara: dar mais espaço para acontecimentos do começo da trajetória da jovem bruxa que sai de casa em busca de independência.

O projeto será desenvolvido pela BBC em parceria com a Kadokawa, editora japonesa responsável pelo livro original que inspirou a história. A obra de origem é o romance Kiki’s Delivery Service, escrito por Eiko Kadano.

Além da BBC e da Kadokawa, também participa a produtora britânica Wheel in Motion. A adaptação para roteiros ficará a cargo de Irena Brignull, com créditos como The Little Prince (2015) e The Boxtrolls (2014).

Sem Studio Ghibli: o que muda na recepção do público

Um dos detalhes mais relevantes do anúncio é a ausência de coordenação com o Studio Ghibli, além da indicação de que não haverá trabalho conjunto com a Nippon Television Holdings, empresa ligada ao grupo que costuma se envolver em produções do ecossistema do estúdio.

Na prática, isso sugere uma separação entre a nova série e o “modelo” visual e narrativo que muitos fãs associam ao filme animado dirigido por Hayao Miyazaki e produzido pelo Studio Ghibli.

Nos últimos anos, o mercado viu tentativas de transformar obras japonesas em produções ocidentais ou internacionais — e os resultados variaram. Em alguns casos, a aposta funcionou com o público; em outros, a comparação com o original ou com versões anteriores acabou pesando.

No caso de Kiki’s Delivery Service, o desafio é ainda mais particular: a história já é amplamente reconhecida por uma versão específica, justamente a do Studio Ghibli. Então, a série live-action vai competir não só com a lembrança do livro, mas principalmente com a imagem mental construída pelo longa animado.

Para muitos espectadores, o “jeito” de Kiki, o ritmo da narrativa, a atmosfera e até a trilha sonora parecem inseparáveis da obra do estúdio. Sem o Ghibli por trás, a série precisa encontrar uma forma de manter a essência sem soar como uma reprodução direta do que já foi consagrado.

Livro de 1985, filme de 1989 e a sombra da adaptação mais famosa

O romance original de Eiko Kadano foi publicado no Japão em 1985. Quatro anos depois, em 1989, estreou o filme animado dirigido por Hayao Miyazaki, produzido pelo Studio Ghibli.

Além disso, Kadano continuou a história com cinco romances de continuação entre 1993 e 2009, além de três livros de histórias paralelas lançados entre 2016 e 2022.

Apesar de o primeiro livro ter recebido vários prêmios na categoria de literatura infantil, a fama internacional — e também a familiaridade dentro do Japão — ficou muito mais concentrada no filme do Ghibli. Por isso, quando o público menciona Majotaku (abreviação de Majo no Takyubun), a referência imediata tende a ser ao longa animado.

Essa diferença de popularidade cria um efeito curioso: mesmo que livro e filme não sejam “mundos separados”, a adaptação cinematográfica acabou definindo, para grande parte do público, como a história “deveria” soar e ser percebida.

Assim, tentativas anteriores de levar Kiki ao live-action — como um filme japonês de 2014 e musicais de palco em 2017 no Japão e no Reino Unido — tiveram dificuldade para ganhar tração significativa. Em parte, o problema foi não conseguir escapar da comparação com a estética e o ritmo do Ghibli.

O que a série pretende fazer: foco no primeiro livro

Com a série planejada para se concentrar principalmente no primeiro livro, a produção tende a acompanhar a mesma “porção” da história que o filme animado também explorou.

Isso pode atrair quem já conhece o arco inicial e quer ver a jornada de Kiki em outro formato. Ao mesmo tempo, aumenta a chance de comparação direta com o filme do Studio Ghibli — afinal, a base dramática é conhecida.

Ainda assim, há espaço para a série abrir caminho com identidade própria. O romance de Kadano oferece material suficiente para expandir a jornada além do começo, especialmente se a produção conseguir construir uma linguagem consistente para a TV/streaming.

Além disso, a existência de sequências e histórias paralelas sugere que, caso a série estabeleça um caminho próprio, ela poderia continuar avançando por novos episódios e situações.

Em declarações atribuídas a Kadano, a autora teria demonstrado entusiasmo com a adaptação. Ela teria dito: “Tenho certeza de que será um programa maravilhoso. Mal posso esperar para ver a série ganhar forma.”

Apoios desse tipo costumam ser um sinal positivo sobre o cuidado com a adaptação. Mas, no fim, a recepção vai depender da execução: direção, elenco, fotografia, trilha sonora e, principalmente, a capacidade de traduzir a essência da história sem apenas reproduzir o que já foi consagrado pelo cinema.

Vale a pena esperar? O desafio do live-action para Kiki

Transformar obras queridas em live-action é sempre delicado. Existe o risco de parte do público sentir que a produção não capturou o que tornava o original especial.

Por outro lado, o novo formato pode revelar aspectos que o desenho não enfatizou tanto. Em séries, por exemplo, há mais tempo para construir personagens em cenas mais longas, trabalhar a dinâmica de convivência e explorar o cotidiano com um registro diferente.

No caso de Kiki’s Delivery Service, a expectativa tende a ser alta porque a obra já tem uma referência global. A série da BBC, ao não contar com o Studio Ghibli, pode ser vista como uma tentativa de reaproximar a história do livro — e, ao mesmo tempo, oferecer uma experiência distinta para quem conhece o filme.

Por enquanto, o que se sabe é o essencial: a série live-action terá 10 episódios, será produzida com a BBC e a Kadokawa, contará com a participação da Wheel in Motion e terá roteiros de Irena Brignull. O restante — elenco, data de estreia e como a produção vai equilibrar semelhanças e diferenças — ainda está em aberto.

Para fãs de Kiki, a pergunta que fica é direta: a nova adaptação vai conseguir conquistar o público sem precisar “pedir permissão” ao clássico do Studio Ghibli?


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Fonte: Cinema Today

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