Índice
- O desafio de transformar indicações em troféus
- Limited drama e drama: onde a disputa pode virar
- Adolescence é favorita — mas há detalhes que podem atrapalhar
- Atuação: Stephen Graham e Sheridan Smith aparecem como apostas
- Comédia, entretenimento e realidade: o peso do “contexto”
- Factual, soap, internacional e os “temas quentes”
- O prêmio escolhido pelo público e o que pode “vazar” para outras categorias
As Baftas de TV 2026 chegam com a mesma pergunta de sempre: quem realmente leva os troféus no domingo? Entre o peso histórico do prêmio e a mudança no consumo televisivo — com a força crescente do streaming —, o resultado pode surpreender. E, como a votação funciona por painéis, a forma como as obras são “distribuídas” entre jurados pode alterar completamente o placar.
Os Bafta TV Awards deste ano completam 71 anos. Ao mesmo tempo, o universo televisivo britânico vive marcos importantes: a BBC celebra 90 anos de televisão em agosto e David Attenborough acaba de completar 100 anos. É um cenário que reforça o simbolismo do prêmio. Mas, na prática, a disputa segue difícil de prever — principalmente quando elegibilidade, recortes de audiência e estratégias de votação entram na equação.
O texto a seguir reúne previsões e preferências sobre categorias específicas. Há um ponto importante: apesar de o autor afirmar ser votante do Bafta, não existe acesso privilegiado a quem vai vencer. Ainda assim, a lógica das votações e o histórico de escolhas ajudam a desenhar cenários.
O desafio de transformar indicações em troféus
Uma das regras que influenciam o resultado é o isolamento dos jurados por painel. Cada grupo fica sem saber quem é o provável vencedor em categorias que não está avaliando. Na teoria, isso reduz “efeitos dominó”. Na prática, porém, o texto sugere que alguns jurados podem votar pensando no que acham que vai acontecer em outras categorias — e isso pode prejudicar obras com muitas indicações.
O risco, segundo essa leitura, é que Adolescence (e também outras concorrentes muito lembradas, como A Thousand Blows e The Celebrity Traitors) sejam punidas por uma espécie de cálculo: “se já deve ganhar em algum lugar, talvez não precise levar aqui também”.
O problema fica ainda mais sensível quando há sobreposição de nomes em categorias diferentes. O texto menciona, por exemplo, duas atrizes mulheres indicadas tanto em categorias principais quanto em categorias de apoio. Isso aumenta a chance de decisões “em cadeia” afetarem o resultado.
Limited drama e drama: onde a disputa pode virar
Na categoria de Limited drama, o texto coloca como concorrentes fortes Trespasses (Channel 4) e I Fought The Law (ITV). Mas o argumento central é que Adolescence tem um impacto digital e cultural que torna a ausência de vitória um cenário improvável.
A comparação usada é a de um favorito que tropeça perto da linha final — ou seja, a sensação é de que a série “deveria” converter a força em prêmio. Mesmo assim, o caminho até o troféu não é automático: ele depende de como os votos se distribuem entre painéis e de como jurados interpretam o “momento” da obra.
Em Drama series, a leitura é que Adolescence enfrenta um obstáculo duplo. De um lado, há o receio de parte do público e dos jurados em relação a streamers dominando o Bafta. De outro, o texto aponta que o favoritismo de A Thousand Blows (uma saga de boxe do século XIX) pode ser contido por uma resistência a Disney+.
Nesse cenário, o principal rival seria Blue Lights, série policial ambientada na Irlanda do Norte. É uma concorrente que pode capturar votos de jurados que preferem “contexto” e familiaridade ao que vem do streaming com mais pressão de presença.
Adolescence é favorita — mas há detalhes que podem atrapalhar
Entre os nomes em destaque, Adolescence aparece como favorita por ter 11 indicações, com Greg Davies como apresentador. Só que há um detalhe que pode mexer com as chances: o período de elegibilidade considera o ano anterior.
Isso significa que parte do público pode ter visto a série há meses. Além disso, Adolescence foi retirada da Netflix em 13 de março do ano passado. Para alguns jurados, esse tipo de mudança pode influenciar a percepção de “frescura” — como se a obra já tivesse “cumprido” seu papel.
Em resumo: se o favoritismo existe, ele não está blindado. A votação por painéis e a leitura sobre o que “ainda está em evidência” podem pesar a favor ou contra.
Atuação: Stephen Graham e Sheridan Smith aparecem como apostas
Nas categorias de atuação, o texto sugere que Stephen Graham pode ser um nome difícil de barrar. Em Leading actor, a previsão é que sua performance — descrita como intensa e imersiva, ligada ao tema de um “pesadelo parental” — seja praticamente impossível de ignorar pelos jurados.
Em Leading actress, a disputa é apresentada como a mais contestada e complexa. O texto destaca que Aimee Lou Wood e Erin Doherty aparecem indicadas por trabalhos em “outras” produções, e não por The White Lotus e Adolescence, respectivamente.
Ainda assim, a preferência defendida é por Sheridan Smith, apontada como a atriz britânica mais tecnicamente preparada e emocionalmente impactante desde Julie Walters. A justificativa é o papel de Sheridan Smith como Ann Ming, mãe de uma filha assassinada, em I Fought The Law.
O texto descreve a atuação como uma transformação de luto profundo em engajamento social. Na leitura do autor, esse tipo de reconhecimento combina com o que o Bafta costuma valorizar.
Em Supporting actor, a aposta recai sobre Owen Cooper, por sua performance em Adolescence. O texto também chama atenção para o fato de ele ser um talento jovem, com potencial de carreira longa, citando inclusive sua participação como Heathcliff em Wuthering Heights.
Já em Supporting actress, o texto reconhece que Aimee Lou Wood (moral heart de The White Lotus) e Rose Ayling-Ellis (em Reunion) poderiam ter recebido mais atenção. Mas a preferência defendida é por Erin Doherty, por interpretar uma psiquiatra forense em Adolescence.
A atuação é descrita como exemplo de quietude e inteligência — qualidades que, segundo o autor, fazem uma grande performance no audiovisual.
Comédia, entretenimento e realidade: o peso do “contexto”
Em Scripted comedy, o texto pede para os jurados ignorarem fatores externos, incluindo gênero. Mesmo assim, a disputa é descrita como um confronto entre humor feminino (como em Amandaland e Things You Should Have Done) e humor masculino (como em How Are You? It’s Alan e Big Boys).
A previsão do autor é que Lucy Punch pode levar a melhor por “frescura”, em uma categoria que, segundo ele, não deveria ser decidida por estereótipos.
Em Best actress in a comedy, o texto aponta um risco de divisão de votos: metade das possibilidades indicadas vem de Amandaland. Isso poderia abrir espaço para Diane Morgan vencer por Mandy, descrita como “não relacionada” a Amandaland — uma forma de dizer que, se a votação se fragmentar, a obra com menos disputa interna pode se beneficiar.
Em Best actor in a comedy, a categoria é tratada como aberta, com seis resultados possíveis. O texto cita desde nomes consagrados, como Steve Coogan em Partridge, até um nome mais recente, como Oliver Savell em Changing Ends.
A previsão popular do autor, porém, é Mawaan Rizwan em Juice, lembrando que o vencedor do ano anterior foi Lenny Rush em Am I Being Unreasonable?.
Em Entertainment, o texto lembra que The Graham Norton Show e Would I Lie To You? já venceram antes. O autor sugere que Michael McIntyre’s Big Show pode finalmente ser premiado. Mas, se não houver “medo de streamers”, a escolha inteligente seria Last One Laughing (Prime Video).
Em Entertainment performance, a ausência de Joe Lycett — vencedor nos dois anos anteriores — abre espaço para Rob Beckett e Romesh Ranganathan. Ainda assim, o texto destaca que o Bafta também tenta contar a história do que aconteceu na TV no ano anterior, o que favoreceria Claudia Winkleman pela visibilidade de The Celebrity Traitors.
Em Reality, a previsão é ainda mais direta: The Celebrity Traitors seria um “quase certo” vencedor. A justificativa é que, se o rival Virgin Island (Channel 4) ganhasse, o Bafta precisaria lidar com uma espécie de crise de comunicação — uma referência ao impacto que a disputa pode gerar.
Factual, soap, internacional e os “temas quentes”
Em Factual entertainment, o texto aponta como escolhas interessantes The Assembly (ITV), uma conferência de imprensa sobre neurodiversidade, e Go Back To Where You Came From (Channel 4), um reality ligado a imigração.
A ideia é que jurados tendem a evitar conceitos ou concorrentes que considerem “difíceis”, o que tornaria a primeira opção mais provável.
Em Soap, a categoria é descrita como cada vez mais apertada, com menos espaço e audiência. O texto lembra que EastEnders venceu no ano anterior e Casualty venceu antes disso. Para o autor, por uma questão de “rodízio” e frescor, Coronation Street deveria voltar a ganhar.
Em Daytime, a observação é mais cética: “quem se importa muito?”. Ainda assim, a preferência marginal é por Scam Interceptors (BBC One), por ser um serviço público real, em vez do quiz The Chase (ITV).
Em International, o texto critica a própria lógica da categoria. Ele argumenta que a chegada de streamers ampliou a oferta internacional e que algumas produções britânicas são movidas para outras categorias por causa de “pessoal britânico”.
A preferência do autor é por The Diplomat (Netflix), descrita como o melhor drama político desde The West Wing. O texto coloca concorrentes fortes como Pluribus, The Bear e The Studio.
Em Current affairs, o autor menciona Gaza: Doctors Under Attack, que foi rejeitado pela BBC, mas “reprisado” pelo Channel 4. Mesmo com instruções para ignorar ruídos externos, ele considera que pode haver um “upset” caso a narrativa chame atenção de jurados.
Em Specialist factual, a discussão volta ao impacto do streaming. O texto sugere que, se Adolescence e A Thousand Blows converterem indicações em prêmios, isso pode ser visto como um momento em que a presença de streamers atingiu um ponto de virada.
A aposta do autor é que Vietnam: The War That Changed America (Apple) tem força, mesmo com concorrentes clássicos da BBC como Belsen: What They Found e Simon Schama: The Road To Auschwitz.
Em Single documentary, a preferência é por Louis Theroux: The Settlers, mas o texto destaca que One Day In Southport pode levar por apelo emocional mais próximo do público. Também é citado Grenfell: Uncovered (Netflix) como um desafio ao gênero britânico tradicional.
Em News coverage, a categoria é descrita como desconfortável, porque pede que jurados façam distinções técnicas entre cenas consideradas “terríveis”. O texto menciona o confronto entre Sky News (com Gaza: Fight For Survival) e Channel 4 News (com Israel-Iran: The Twelve Day War).
O prêmio escolhido pelo público e o que pode “vazar” para outras categorias
Por fim, o P & O Cruises memorable moment award é o único troféu escolhido por votação popular. Como esse tipo de prêmio favorece momentos fáceis de reconhecer mesmo fora do contexto, o texto aponta que Adolescence tem um exemplo marcante, mas que The Celebrity Traitors pode ser ainda mais beneficiado.
A aposta do autor é que Alan Carr vença.
O Bafta Television Awards 2026 acontece na BBC One, às 19h (horário local), no domingo.
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Fonte: theguardian




