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11 melhores animes do estúdio MAPPA (sem Jujutsu Kaisen e Chainsaw Man)

11 melhores animes do estúdio MAPPA (sem Jujutsu Kaisen e Chainsaw Man)
11 melhores animes do estúdio MAPPA (sem Jujutsu Kaisen e Chainsaw Man)
Índice

É difícil olhar para o cenário atual de animes sem esbarrar na sombra — grande, constante e, muitas vezes, inevitável — do estúdio MAPPA. Para muita gente, o nome virou sinônimo de grandes produções, hype e séries que dominam conversas nas redes sociais. Não por acaso, o estúdio ganhou ainda mais força com Jujutsu Kaisen e, mais recentemente, com o sucesso de Chainsaw Man – The Movie: Reze Arc. Mas, quando a gente tira o foco dos “carros-chefe” e procura o que existe além da energia amaldiçoada, aparece um retrato bem mais amplo: o MAPPA também é um estúdio de escolhas ousadas, adaptações improváveis e histórias que fogem do padrão.

Fundado em 2011 por Masao Maruyama, cofundador da Madhouse, o estúdio nasceu com uma ideia quase artesanal: ser um espaço para diretores e equipes criarem com liberdade, longe das amarras de comitês corporativos. Com o tempo, essa identidade “de nicho” se misturou ao crescimento acelerado do MAPPA, gerando uma combinação curiosa. De um lado, a capacidade de entregar produções de alto impacto; do outro, uma inclinação para apostar em projetos autorais, com estética própria e temas que nem sempre são fáceis de vender.

A seguir, você confere 11 animes do estúdio MAPPA (e um filme) que mostram exatamente isso: o MAPPA tem mais repertório do que apenas as franquias mais famosas — e, sim, dá para curtir sem depender de Jujutsu Kaisen ou Chainsaw Man.

01. Maboroshi (2023)

Poucos projetos resumem tão bem a disposição do MAPPA de “ir para o lado” quanto Maboroshi, também conhecido como “Alice and Therese’s Illusory Factory”. Dirigido por Mari Okada, o filme se passa em uma cidade japonesa chamada Mifuse, que fica congelada no tempo após um desastre industrial misterioso no inverno de 1991. A partir daí, as crianças não envelhecem, não há novos nascimentos e surgem rachaduras no céu sempre que alguém se envolve emocionalmente com algo — como se o mundo reagisse ao sentimento.

O roteiro usa o elemento sobrenatural para falar de medo de mudança, adolescência e luto. Mesmo sem alcançar o mesmo nível de reconhecimento popular de outras produções do estúdio, Maboroshi se mantém como um dos trabalhos originais mais ambiciosos do MAPPA. É um lembrete de como a fase inicial do estúdio valorizava a autoria e a experimentação, antes de o nome se tornar tão associado a adaptações de grande escala.

02. Dororo (2019)

Dororo é uma das raras remakes do catálogo do MAPPA que realmente justificam a existência. Baseado no mangá de Osamu Tezuka, a obra ganha uma nova roupagem com lutas estilizadas e uma trilha sonora que dá peso às cenas de ação. O equilíbrio aqui é um dos pontos mais fortes: há brutalidade, mas também espaço para construção emocional de personagens.

A história acompanha Hyakkimaru, um jovem guerreiro que teve partes do corpo sacrificadas para demônios antes mesmo de nascer. Em busca de vingança, ele tenta recuperar membros e sentidos perdidos, enfrentando um mundo em que as chances parecem sempre contra ele.

A direção ficou a cargo de Kazuhiro Furuhashi, veterano conhecido por trabalhos como Hunter x Hunter, Rurouni Kenshin e Mobile Suit Gundam. No conjunto, Dororo ajudou a consolidar a ideia de que o MAPPA consegue modernizar propriedades queridas sem apagar o que as torna especiais.

03. Terror in Resonance (2014)

Nos primeiros anos, o MAPPA conseguiu atrair um dos nomes mais respeitados do meio: Shinichiro Watanabe. Responsável por clássicos como Cowboy Bebop e Samurai Champloo, Watanabe tinha uma relação próxima com Maruyama, o que abriu espaço para propor um projeto original inspirado tanto na intriga política do filme The Man Who Stole the Sun (1979) quanto na atmosfera do pós-rock islandês do grupo Sigur Rós.

Embora a obra tenha enfrentado obstáculos financeiros consideráveis, o resultado chegou à TV após quase cinco anos de desenvolvimento. Terror in Resonance acompanha dois adolescentes que se tornam terroristas e desafiam autoridades por meio de ataques enigmáticos em Tóquio.

A recepção do enredo pode dividir opiniões, mas o que não dá para negar é o caráter de “projeto de prestígio” que o estúdio queria defender naquela fase. Entre a direção de Watanabe, a trilha de Yoko Kanno e o design visual marcante, a série permanece como uma das evidências mais claras das ambições artísticas do MAPPA no começo.

04. Zombieland Saga (2018)

Zombieland Saga mistura paródia e drama com uma naturalidade que surpreende. A premissa é, à primeira vista, absurda: um grupo de garotas ressuscitadas recebe a missão de salvar a província de Saga, no Japão, por meio da música pop. Ainda assim, poucos esperavam que um anime sobre “zumbis e ídolos” virasse um dos grandes sucessos inesperados do meio.

Se o MAPPA costuma ser lembrado por dramas mais sombrios e séries de ação, aqui a aposta é outra: humor, leveza e personagens que crescem enquanto tentam encontrar um lugar no mundo. O resultado é uma obra que alterna horror e comédia de forma inteligente, usando o cenário e a ideia central para criar situações memoráveis.

É um exemplo de como o estúdio consegue prosperar fora do eixo do “grande épico”, sem perder identidade.

05. Zenshu (2025)

Zenshu é um dos mais novos originais do MAPPA e, ao mesmo tempo, uma espécie de celebração da própria indústria de anime. A história acompanha Natsuko Hirose, uma animadora exausta que acaba transportada para o universo de um filme animado querido. A partir daí, o enredo funciona como uma homenagem ao processo de produção, com foco no trabalho, nas frustrações e na paixão que sustentam o dia a dia de quem cria.

O título faz sentido: Zenshu (全修) pode ser entendido como “corrigir tudo” ou “revisão completa”, um termo usado quando um diretor precisa refazer completamente uma sequência de animação.

Mesmo ainda não tendo o mesmo peso de audiência das maiores franquias do estúdio, Zenshu parece representar bem o espírito do MAPPA: um lugar onde a técnica e a emoção caminham juntas, e onde o público é lembrado de por que tantos criadores dedicam a vida ao que fazem.

06. Inuyashiki: Last Hero (2017)

Antes de dirigir Dorohedoro, Shuhei Yabuta comandou Inuyashiki, um sci-fi subestimado que muita gente só descobriu depois. A série adapta o mangá de Hiroya Oku e acompanha um homem idoso que, após um acidente misterioso, ganha poderes extraordinários.

O problema é que existe outro receptor mais jovem com as mesmas habilidades — e, enquanto um tenta lidar com a própria humanidade, o outro usa o poder para fins horríveis.

O anime transita entre a lógica de um “super-herói” e um drama existencial. Ele discute mortalidade, conexão humana e o que significa usar força quando a vida já não é simples. Quase uma década depois, Inuyashiki segue entre as produções mais ousadas do estúdio, justamente por não tentar agradar todo mundo com facilidade. É uma obra que exige atenção e, por isso, costuma ficar na memória.

07. Banana Fish (2018)

Adaptar um mangá tão celebrado quanto Banana Fish não é tarefa simples. Ainda assim, o MAPPA transforma a história em algo inesquecível, com uma abordagem moderna do drama criminal de Akimi Yoshida.

A série acompanha Ash Lynx, líder de gangue, e Eiji Okumura, fotógrafo, enquanto ambos desvendam uma conspiração mortal. A trama mistura ação, tragédia e romance, criando uma experiência emocional intensa.

Além de reforçar a habilidade do estúdio em construir personagens com profundidade, Banana Fish ajudou a apresentar para uma nova geração um dos títulos mais importantes do mangá. É um daqueles animes em que o ritmo e a atmosfera importam tanto quanto o que acontece em tela, e em que a direção trabalha para que cada revelação tenha impacto real.

08. Yuri on Ice (2016)

Se existe um projeto que mudou o MAPPA de forma definitiva, esse é Yuri on Ice (estilizado como Yuri!!! on Ice). O drama sobre patinação artística virou fenômeno global rapidamente, recebendo elogios principalmente por retratar relações raramente vistas em animes esportivos mainstream.

Mas o efeito foi ainda maior: o estúdio ganhou reconhecimento amplo fora do público tradicional de anime, e até patinadores reais comentaram o nível de autenticidade.

Anos depois, a série continua sendo uma das definições da década de 2010 e, para muitos, a produção televisiva mais importante da história do MAPPA. Um dos segredos está no cuidado com a coreografia: o estúdio chamou Kenji Miyamoto, dançarino de gelo aposentado, para coordenar cada rotina.

Além disso, houve registro de sons de lâminas raspando o gelo em diferentes arenas, para que os detalhes — do atrito ao ritmo — parecessem verdadeiros. É um exemplo de como técnica e sensibilidade podem andar juntas.

09. Dorohedoro (2019)

Por quase duas décadas, Dorohedoro, de Q Hayashida, foi considerado “impossível” de adaptar por causa do estilo visual caótico e sujo. O mangá é cheio de personagens grotescos e energia desordenada, ambientado em um amontoado de lixo que parece mais um sonho do que um lugar real.

Para quem esperava uma adaptação, parecia que o projeto nunca sairia do papel.

O MAPPA, porém, encontrou um caminho. A adaptação captura a mistura peculiar de horror, humor negro e fantasia do material original, mantendo uma identidade visual própria que não se confunde com o resto do catálogo do estúdio.

Dorohedoro parece “bagunçado” de propósito — e é justamente isso que funciona. A obra se tornou uma das entradas mais marcantes do MAPPA, provando que o estúdio não tem medo de arriscar em materiais difíceis e pouco convencionais.

10. In This Corner of the World (2016)

Os animes do MAPPA nem sempre são lembrados como “choráveis”, mas um dos primeiros filmes do estúdio é, sem exagero, um dos mais tristes que muita gente já viu. In This Corner of the World costuma ser colocado ao lado de Grave of the Fireflies quando o assunto é retratar a guerra com humanidade e delicadeza.

O filme captura o ritmo da vida cotidiana com graça, como se fosse uma pintura em movimento, baseada em eventos reais.

A história acompanha Suzu, uma jovem que atravessa as dificuldades do Japão em guerra enquanto tenta manter pequenos momentos de alegria. O enredo acompanha sua trajetória do início dos anos 1930 até 1945, incluindo o casamento arranjado com um jovem funcionário militar e a mudança para a casa da família dele em Kure. A cidade fica a cerca de 15 milhas de Hiroshima, onde Suzu e sua família eram de origem.

O resultado é um retrato profundo de resiliência, comunidade e perdas. Antes do MAPPA se tornar sinônimo de ação em grande escala, In This Corner of the World já mostrava que o estúdio também sabia sustentar um cinema de animação excepcional.

A recepção crítica no Japão e no exterior ajudou a consolidar a reputação do filme. Para quem gosta de anime, é uma recomendação quase obrigatória: mostra um lado da Segunda Guerra que nem sempre aparece com a mesma força — e que, ainda assim, é tão importante quanto os demais.

11. Kids on the Slope (2012)

Em seu 15º aniversário, é impossível ignorar o projeto que deu início a tudo. Lançada em 2012, Kids on the Slope foi o projeto de estreia do estúdio e, mesmo 15 anos depois, continua sendo uma de suas maiores conquistas. Dirigida por Shinichiro Watanabe e baseada no mangá de Yuki Kodama, a série de 12 episódios acompanha uma amizade improvável forjada por meio de um amor compartilhado pelo jazz no Japão de 1966. Ambientada em Sasebo, Nagasaki, a série retrata o choque entre a cultura tradicional japonesa e o crescente fluxo de americanos após a Segunda Guerra Mundial.

Dado o intenso amor de Watanabe pela música autêntica — particularmente o jazz, como visto em Cowboy Bebop — Kids on the Slope contou com músicos de jazz profissionais para capturar a atmosfera da série, o que incluiu não apenas o áudio musical, mas até mesmo os movimentos das mãos. A MAPPA instalou câmeras no estúdio de gravação para capturar os movimentos corporais dos músicos de praticamente todos os ângulos, fornecendo aos animadores o modelo para dar vida à arte do jazz na tela como nunca antes. É uma produção especial, típica da MAPPA.

O que torna Kids on the Slope tão especial não é apenas sua música ou sua história de amadurecimento, mas a confiança com que anunciou a chegada da MAPPA à indústria. A série estabeleceu muitas das qualidades que definiriam o estúdio nos anos seguintes: direção ambiciosa, narrativa emocionante e a disposição de apoiar projetos que fossem artisticamente significativos. Como declaração de propósito, a MAPPA nunca fez uma mais forte.


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