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As 10 séries de anime originais mais bem-sucedidas da última década

As 10 séries de anime originais mais bem-sucedidas da última década
As 10 séries de anime originais mais bem-sucedidas da última década
Índice

As séries de anime originais obrigam estúdios a correr riscos. Na última década, obras sem adaptação de mangá — como Great Pretender, Lycoris Recoil e Zombie Land Saga — mostraram que histórias “do zero” podem alcançar o mesmo impacto de franquias já consolidadas. Em um mercado cada vez mais competitivo, essas produções provaram que criatividade, direção e execução podem transformar uma ideia inédita em fenômeno global, muitas vezes sem o “empurrão” de uma base editorial pronta.

Entre 2010 e 2023, várias séries originais ganharam espaço em plataformas de streaming, repercutiram em comunidades de fãs e ajudaram a redefinir o que o público espera de anime para televisão. A seguir, veja uma seleção com dez títulos que se destacaram justamente por serem originais — e por terem, em diferentes formatos, conquistado audiência, prêmios e reconhecimento.

10. Yuri!!! on Ice: do patinação artística a uma história romântica de construção lenta

Yuri!!! on Ice: do patinação artística a uma história romântica de construção lenta
Yuri!!! on Ice: do patinação artística a uma história romântica de construção lenta

Yuri!!! on Ice é uma série original do estúdio MAPPA, exibida de outubro a dezembro de 2016. A premissa é centrada em Yuuri Katsuki, patinador que precisa reconstruir a carreira após uma derrota devastadora, agora sob orientação de Victor Nikiforov. A direção de Sayo Yamamoto aposta em um elemento que poderia ser apenas “esportivo” e transforma cada apresentação em narrativa emocional: saltos, giros e rotinas funcionam como linguagem para o que os personagens sentem e para o que eles ainda não conseguem dizer.

O roteiro de Mitsuro Kubo acompanha a evolução de Yuuri e Victor, mostrando como a relação entre ídolo e fã vai se transformando em parceria com intensidade crescente. O anime trabalha com três perspectivas distintas: a ansiedade de Yuuri, a reinvenção de Victor em meio à carreira e a impaciência de Yuri Plisetsky. O resultado é uma obra que, mesmo sem fonte prévia, virou referência e segue sendo lembrada como um dos grandes marcos do anime dos anos 2010.

09. A Place Further Than the Universe: amizade, luto e coragem em uma jornada à Antártida

A Place Further Than the Universe: amizade, luto e coragem em uma jornada à Antártida
A Place Further Than the Universe: amizade, luto e coragem em uma jornada à Antártida

A Place Further Than the Universe nasceu como uma história original criada por Atsuko Ishizuka, com produção do estúdio Madhouse. O enredo acompanha Mari Tamaki, Shirase Kobuchizawa, Hinata Miyake e Yuzuki Shiraishi em uma busca por uma viagem à Antártida. A série mantém uma estrutura enxuta de doze episódios, em que cada parada e cada cena a bordo aproximam Shirase da verdade sobre o desaparecimento de sua mãe.

Exibida no Japão entre janeiro e março de 2018, a obra ganhou destaque ao conquistar o prêmio de Anime of the Year no 5º Anime Trending Awards. Parte do mérito está no equilíbrio entre humor amplo e momentos de luto silencioso. Em vez de oferecer “apoio fácil”, o anime coloca as personagens diante de desconfortos reais — e sugere que amizade verdadeira muitas vezes exige enfrentar o que dói. Em listas e rankings, o título também apareceu entre os melhores da década, incluindo menções em seleções como a do Crunchyroll.

08. Zombie Land Saga: quando um fracasso vira zumbi e, ainda assim, um retorno local

Zombie Land Saga: quando um fracasso vira zumbi e, ainda assim, um retorno local
Zombie Land Saga: quando um fracasso vira zumbi e, ainda assim, um retorno local

Zombie Land Saga foi lançado como um projeto original de idol anime pelo estúdio MAPPA, indo ao ar de outubro a janeiro de 2018. A história acompanha Sakura Minamoto e outras garotas revividas como zumbis, sob a liderança do produtor Kotaro Tatsumi, em uma Saga rural. A direção de Munehisa Sakai se apoia em mudanças bruscas de tom: em um episódio, a banda pode performar death metal; no outro, pode surgir com baladas delicadas. Essa alternância impede que o anime caia em fórmulas previsíveis do gênero.

O sucesso do primeiro Zombie Land Saga levou o estúdio e a Avex Pictures a aprovarem Zombie Land Saga Revenge, reforçando que a proposta — por mais improvável que pareça — encontrou público fiel. A série também foi associada a premiações relevantes, incluindo reconhecimento como Animation of the Year em festivais ligados ao setor. No fim, o anime mistura comédia e horror de forma que a jornada das personagens, mesmo absurda, se torna emocional e memorável.

07. Great Pretender: um golpista de cidade pequena em golpes de nível mundial

Great Pretender: um golpista de cidade pequena em golpes de nível mundial
Great Pretender: um golpista de cidade pequena em golpes de nível mundial

Great Pretender é uma série original de heist criada pelo estúdio Wit Studio. O enredo coloca Makoto Edamura, um golpista japonês, no meio de operações conduzidas por Laurent Thierry, um mestre do crime. Visualmente, o anime se destaca por paletas de cores marcantes e ângulos bem definidos, fazendo com que cada caso — de Los Angeles a Singapura — pareça um “filme” dentro da temporada.

O compositor Yutaka Yamada contribui com uma trilha em estilo jazz, combinando com a estética e com os momentos de tensão. A direção artística e o design de personagens são assinados por Yoshiyuki Sadamoto, conhecido por trabalhos como Neon Genesis Evangelion. Em termos de lançamento, os primeiros três casos foram disponibilizados no Japão em junho de 2020 na Netflix, simultaneamente, e o último caso, “Wizard of Far East”, chegou em novembro.

06. Deca-Dence: ficção científica completa, com reviravolta e sem depender de mangá

Deca-Dence: ficção científica completa, com reviravolta e sem depender de mangá
Deca-Dence: ficção científica completa, com reviravolta e sem depender de mangá

Deca-Dence é uma série original em que Natsume, uma lutadora, e Kaburagi, um mecânico de armaduras, defendem uma fortaleza em movimento contra monstros da espécie Gadoll. A criação é de Yuzuru Tachikawa, diretor ligado a títulos como Mob Psycho 100 e Death Parade. Em vez de tratar o mundo como cenário fixo, o anime usa a própria estrutura para esconder uma virada mais radical sobre sistemas e vigilância.

O que começa como uma configuração pós-apocalíptica relativamente direta vai se transformando em algo mais caótico, com camadas de significado. O estúdio NUT entrega uma história de ficção científica fechada em um único curso, sem depender de light novels ou mangás. Isso ajuda a explicar por que a obra costuma ser lembrada como “completa”: há um senso de propósito narrativo que não fica preso ao formato de adaptação.

05. SK8 the Infinity: corridas secretas viram drama de personagens

SK8 the Infinity: corridas secretas viram drama de personagens
SK8 the Infinity: corridas secretas viram drama de personagens

SK8 the Infinity foi lançado pelo estúdio Bones como uma série original de skate. O anime coloca Reki Kyan e Langa Hasegawa contra corredores excêntricos em uma pista subterrânea chamada S. A direção de Hiroko Utsumi dá ao título um ritmo acelerado e uma linguagem visual que exagera manobras e rivalidades, com personagens como Adam e Cherry Blossom empurrando a animação para um território mais expressivo.

O programa estreou no bloco de programação Animazing!!! da ANN em janeiro de 2021. Além do impacto na audiência, o anime também mostrou capacidade de virar marca: campanhas e produtos licenciados ajudaram a consolidar o universo. Há também um detalhe que costuma chamar atenção dos fãs: as pranchas exibidas no anime foram pensadas para funcionar na vida real, o que reforça o cuidado com a “ponte” entre ficção e prática.

04. Vivy: Fluorite Eye’s Song: uma cantora de IA atravessa cem anos de história

Vivy: Fluorite Eye’s Song: uma cantora de IA atravessa cem anos de história
Vivy: Fluorite Eye’s Song: uma cantora de IA atravessa cem anos de história

Vivy: Fluorite Eye’s Song é um projeto original de ficção científica desenvolvido pelo Wit Studio e exibido de abril a junho de 2021. A série acompanha Vivy, uma cantora de IA, em uma jornada que atravessa cem anos de história. Os criadores Tappei Nagatsuki e Eiji Umehara estruturam o enredo em arcos conectados, em que Vivy enfrenta eventos-chave que moldam a relação entre humanos e inteligência artificial.

O que sustenta a popularidade do título é a combinação de narrativa completa, canções inseridas com força e cenas de ação bem polidas — tudo sem depender de franquia existente. Ao longo da história, o anime cria momentos que deixam o espectador desconfortável, como se a própria Vivy fosse uma espécie de testemunha de algo maior. Em vez de tratar a IA como “apenas tecnologia”, a obra dá a ela peso emocional e faz o público refletir sobre realidade e destino.

03. Odd Taxi: uma cidade inteira de mistérios e suspeitos

Odd Taxi: uma cidade inteira de mistérios e suspeitos
Odd Taxi: uma cidade inteira de mistérios e suspeitos

Odd Taxi foi concebido por Baku Kinoshita (direção) e Kazuya Konomoto (roteiro) como um mistério original. O protagonista é Odokawa, motorista de táxi — um personagem com aparência de morsa — que circula por um mundo antropomórfico enquanto lida com passageiros excêntricos. O anime se apoia em bairros comuns de Tóquio, mas organiza o enredo como um quebra-cabeça: o crime central ganha sentido aos poucos, recompensando quem presta atenção em detalhes recorrentes.

Uma das marcas do trabalho é a forma como conversas, programas de rádio e postagens em redes sociais vão revelando camadas do caso. A série foi exibida de abril a junho de 2021 e recebeu elogios por sua escrita e por personagens bem desenvolvidos, além de um estilo visual que ajuda a diferenciar a obra no meio de tantos títulos do gênero.

02. Lycoris Recoil: café, balas e missões secretas em um único dia em Tóquio

Lycoris Recoil: café, balas e missões secretas em um único dia em Tóquio
Lycoris Recoil: café, balas e missões secretas em um único dia em Tóquio

Lycoris Recoil é uma série original de ação que coloca Chisato Nishikigi, despreocupada, e Takina Inoue, mais séria, trabalhando no café LycoReco. A direção de Shingo Adachi organiza o anime em torno de cenas de ação que alternam o cotidiano com explosões de violência: Chisato desvia de tiros com movimentos acrobáticos, enquanto Takina lida com poder de fogo pesado.

O desempenho inicial em vendas e o crescimento de fanarts online ajudaram a impulsionar a expansão do universo. A-1 Pictures anunciou novos projetos ambientados no mesmo mundo original. O anime também abraça o “girls with guns” com eficiência e acabou se tornando tão popular que apareceu em votações semanais do Anime Corner durante semanas consecutivas após a estreia em julho de 2022. Em plataformas de avaliação, o título também acumulou números expressivos de usuários cadastrados.

01. Buddy Daddies: dois assassinos cuidando de uma criança cheia de energia

Buddy Daddies: dois assassinos cuidando de uma criança cheia de energia
Buddy Daddies: dois assassinos cuidando de uma criança cheia de energia

Buddy Daddies é uma série original do P.A. Works que parte de uma premissa improvável: assassinos profissionais, Kazuki Kurusu e Rei Suwa, acabam assumindo a criação de Miri Unasaka. O anime alterna cenas domésticas — como Kazuki cozinhando ou Rei jogando — com tiroteios estilizados e de alto risco. Essa combinação cria um contraste que funciona tanto para o humor quanto para a tensão.

Em alguns materiais de divulgação em streaming, o título foi apresentado como uma espécie de “companheiro” de Spy x Family, embora mantenha foco em personagens originais e em uma dinâmica própria. A série foi exibida de janeiro a abril de 2023 em várias redes, incluindo Tokyo MX. Também recebeu reconhecimento como Best Original Anime no 8º Crunchyroll Anime Awards e mantém uma avaliação sólida em sites internacionais de crítica.

O que essas dez séries têm em comum é a capacidade de transformar o “risco” em identidade. Sem mangá para guiar o ritmo, os estúdios precisaram acertar em direção, roteiro, ritmo de episódios e construção de mundo. E, quando acertaram, o resultado foi um tipo de sucesso que não depende de adaptação: depende de criação — e de execução.


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