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Crimson Desert: após 50 horas, o RPG de ação “escondido” que mistura mundos e combate como poucos

Crimson Desert: após 50 horas, o RPG de ação “escondido” que mistura mundos e combate como poucos
Crimson Desert: após 50 horas, o RPG de ação “escondido” que mistura mundos e combate como poucos
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Crimson Desert me prendeu por 50 horas — e, sinceramente, não quero parar. O RPG de ação chama atenção por unir um combate visceral, com pegada de fantasia pesada, ao tamanho e à sensação de aventura de mundos abertos modernos. Embora o jogo puxe referências de títulos populares, ele não se limita a copiar: introduz mecânicas próprias que mudam a forma como você explora, combate e interage com o cenário. No fim, Crimson Desert parece mais um “projeto ambicioso” do que um simples lançamento para preencher prateleiras.O jogo está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S, com preço de US$ 69,99 (aproximadamente R$ 350, dependendo de impostos e variações do câmbio). E, apesar do valor, a experiência entrega algo raro: um mundo que tenta ser vivo de verdade, um sistema de habilidades que incentiva experimentação e um conjunto de controles que, no começo, pode frustrar — mas que depois vira parte do charme.

Primeiras impressões: uma curva de aprendizado que exige paciência

Em Crimson Desert, você assume o papel de Kliff, líder de um esquadrão mercenário chamado Greymanes. A história começa com um momento de tensão: o grupo se reúne para prestar homenagens a membros recentemente perdidos, mas o descanso dura pouco. O ataque vem sem aviso e, após uma sequência de combates, o esquadrão se dispersa. Kliff acaba morto — e só é trazido de volta por uma intervenção divina, que o coloca em um caminho maior do que ele imaginava.

O que impressiona logo de cara é a ambição do jogo. Só que essa ambição vem acompanhada de uma curva de aprendizado alta. Crimson Desert é um título “cheio de sistemas”, que usa praticamente todos os botões do controle (e até combinações) para acionar habilidades. Em contrapartida, isso abre portas para interações incomuns com o mundo — como um sistema de mira que lembra o estilo de Ocarina of Time, permitindo focar alvos com precisão. Até conversar com NPCs passa por esse tipo de direcionamento.

O problema é que, em alguns momentos, a complexidade parece desnecessária. O jogo não simplifica o básico; ele exige que você aprenda. Um exemplo simples, mas revelador: nas primeiras horas, o jogador pode passar tempo demais no escuro tentando descobrir como usar uma lanterna. Como a lanterna não funciona com a arma equipada, é preciso guardar a arma antes. Só que o jogo não “facilita” a transição: você tem que lembrar o comando correto.

No meu caso, isso virou uma sequência constrangedora de exploração às cegas em cavernas, áreas florestadas e até uma montanha com neve próxima da região inicial — tudo sem luz por tempo demais.

Esse tipo de detalhe reforça a identidade do jogo: Crimson Desert é manual, no sentido mais literal. Os controles têm particularidades que não são “automáticas” e, para muitos jogadores, isso vai exigir reaprender hábitos comuns do gênero. Até correr funciona de um jeito diferente: em vez de segurar um botão, é preciso tocar para ativar.

A sensação é parecida com a de sair de um carro automático e entrar em um com câmbio manual. Depois que você pega o ritmo, porém, o jogo fica mais fluido — e, aí sim, a diversão aparece com força.

Um mundo “à la GTA”, com consequências para suas ações

Se existe um ponto em que Crimson Desert tenta se destacar, é no esforço para criar um mundo que pareça habitado. O jogo tem uma atmosfera que lembra o realismo de Red Dead Redemption 2, mas filtrado por fantasia. Há atenção a detalhes e, principalmente, NPCs com rotinas e reações que respondem ao que você faz. Atitudes pequenas — como interagir com animais, sentar em bancos ou encostar em paredes — ajudam a dar vida ao cenário.

Entre as surpresas, está o sistema de “procurado” no estilo de Grand Theft Auto. Você pode agredir e intimidar NPCs, mas, ao fazer isso, é marcado como criminoso. A partir daí, precisa fugir antes de ser capturado por guardas. A primeira vez que isso aconteceu comigo foi quando testei uma habilidade de luta corporal em uma mulher passando pela estrada. Eu achava que as reações dos personagens ao sacar a arma eram apenas efeitos visuais. Não eram. Eu fui tratado como criminoso e tive que correr para escapar.

O jogo deixa claro que falhar em fugir — ou piorar a situação — coloca sua liberdade em risco. Até o momento, eu não fui preso, mas a ideia de “ver no que dá” faz parte do meu planejamento. Roubo e furtos também existem como possibilidades, e o jogo sugere que há um lado criminal mais profundo do que parece à primeira vista. É um tipo de conteúdo que, quando você percebe que existe, passa a influenciar a forma como você joga.

As missões e batidas de história podem soar, em alguns momentos, mais genéricas. Ainda assim, a dublagem e a forma como os personagens falam dão vida ao que poderia virar apenas trabalho repetitivo. Uma missão aparentemente simples, como resgatar uma vaca de bandidos, ganha interesse quando o agricultor descreve o problema com detalhes e emoção. Esse tipo de construção ajuda a sustentar o realismo e a atmosfera do mundo.

Movimentação, armas e puzzles que recompensam curiosidade

Em termos de exploração, Crimson Desert se aproxima de jogos como Tears of the Kingdom ao permitir escalar praticamente qualquer superfície. Você também pode usar um planeador para estender saltos e mergulhos. O mais interessante é que isso não fica restrito a inimigos pequenos: dá para escalar criaturas maiores e enfrentar batalhas em cima delas, criando um tipo de combate que lembra a escalada e o “aproveitamento do ambiente” visto em Dragon’s Dogma e até em Shadow of the Colossus.

Além da movimentação, o jogo incentiva criatividade por meio de física e propriedades do cenário. Em uma situação, eu acendi uma flecha mantendo o arco sobre uma tocha acesa na parede. Depois, atirei para queimar cipós que bloqueavam uma passagem. Não foi só “um puzzle resolvido”: foi uma demonstração de que o jogo recompensa a curiosidade e a experimentação.

Os quebra-cabeças também têm um charme “old school”. Como o jogo oferece pouca orientação, você precisa entender como as mecânicas funcionam e aplicar por conta própria. Isso cria uma sensação de “descobrir” que nem sempre aparece em mundos abertos mais recentes. E, quando você erra, o jogo ainda conta histórias.

Em uma tentativa de minerar minério em uma formação rochosa, fui atacado por monstros do tipo caranguejo que imitavam o próprio minério. No desespero, subi até o topo da rocha e, ao chegar lá, vi flores bonitas. Aproximei para investigar e morri. Voltei do checkpoint e morri de novo. Foi bug? Era maldição? Eu não sei — mas a cena virou uma lembrança engraçada e estranha dentro do mundo de Pywel.

Combate com liberdade: wrestling, habilidades e batalhas que pedem iniciativa

O combate em Crimson Desert é, sem exagero, uma das maiores diferenças em relação a RPGs de mundo aberto lançados recentemente. Existem ataques leves e pesados, mas a diversão real começa ao desbloquear habilidades na árvore de skills. Uma delas permite aprimorar o Axiom Force, que puxa inimigos para você, facilitando o controle de multidões. A ideia lembra como alguns jogos usam habilidades para “organizar” a luta, mas aqui a execução é mais livre.

Outra rota de combate que funciona muito bem é o estilo de luta corporal. Eu aprendi movimentos como lariat e suplex para dominar bandoleiros com estilo. Algumas técnicas mais elaboradas não funcionam contra inimigos maiores e chefes, mas o jogo compensa com alternativas: dá para agarrar, escalar e reposicionar para eliminar ameaças grandes com eficiência.

O resultado é um combate aberto e “sem trilhos”. Você pode jogar de forma metódica, como em Dark Souls, usando ataques e bloqueios como base. Ao mesmo tempo, pode investir em habilidades extras para expandir o repertório. Cada nova habilidade vira um brinquedo novo para testar. E, quanto mais você joga, mais percebe que o sistema foi desenhado para recompensar esforço e adaptação.

Desempenho no PC: visual denso, iluminação dinâmica e quedas em momentos caóticos

Durante a análise, o jogo foi testado em um PC com AMD Ryzen 5 3600, Nvidia GeForce RTX 2080 e 16 GB de RAM, em configurações médias e resolução 1440p. Com isso, foi possível jogar em torno de 60 fps. Em áreas mais movimentadas e com ação intensa, a taxa caiu para cerca de 40 fps, e em alguns momentos chegou a 30 fps.

Como a proposta era manter a resolução, a alternativa de reduzir para 1080p foi considerada como compromisso aceitável.

O que chama atenção é como o jogo usa densidade visual. Folhagens reativas, iluminação dinâmica e efeitos visuais constroem um espetáculo constante. A forma como o sol e a luz da lua refletem em superfícies muda a leitura do ambiente conforme sua posição. À noite, uma floresta fica quase “preta”, enquanto um passeio sob luz lunar em uma montanha ganha tons frios e azuis. O mesmo vale para vilas e cidades: a iluminação e o design fazem até uma pedra simples na parede parecer detalhada.

As ruas de pedra e as construções antigas, com paredes rebocadas e estruturas de madeira, reforçam o cuidado com o cenário. Em um mundo aberto, isso é mais do que estética: é o que sustenta a sensação de estar em um lugar real, mesmo quando tudo é fantasia.

Um “mashup” de gêneros que pode virar referência

Crimson Desert tem potencial para se tornar um marco do gênero, ao lado de nomes como Breath of the Wild, Elden Ring e The Witcher 3. O jogo funciona como um buffet de ideias: mistura combate de ação pesado, exploração vertical, puzzles com física e um mundo com rotinas e reações.

O começo pode ser difícil por causa dos controles pouco intuitivos, mas a experiência tende a ficar mais natural quando a memória muscular entra em cena.

O combate, por sua vez, é quase “avassalador” em liberdade. Encontrar novas formas de derrubar inimigos é divertido de verdade, e a atmosfera hiper-detalhada ajuda a manter o interesse mesmo quando você está apenas caminhando. Depois de 50 horas, a conclusão é simples: o jogo entregou mais do que eu esperava — e ainda há muito para descobrir.


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Fonte: pcmag

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