O lançamento da Artemis II é um convite perfeito para mergulhar no universo das histórias espaciais. Mesmo sem pousar na Lua, a missão — um sobrevoo lunar dentro do programa Artemis — tem um objetivo que chama atenção: em vez de tocar o solo, a nave vai passar “por trás” do satélite para obter uma nova perspectiva do lado oculto. Com isso, faz sentido aproveitar o clima do evento e colocar na tela séries que combinam exploração, tecnologia, tensão e imaginação. Afinal, poucas coisas combinam tanto com a expectativa de um lançamento quanto ver personagens enfrentando o desconhecido entre planetas.
Há muitas séries de ficção científica que se passam no espaço, mas nem todas conversam bem com o tom de uma missão real como a Artemis II. Algumas são mais leves e aventureiras, outras são dramáticas e políticas, e há ainda as que apostam em realismo e consequências. A seguir, reunimos três títulos que, por motivos diferentes, funcionam como companhia para quem quer assistir ao período do voo lunar com a sensação de estar “junto” da aventura — seja em uma nave improvisada, em uma corrida espacial alternativa ou em um sistema solar em conflito.
3) Firefly (2002)

Firefly é uma série criada por Joss Whedon que mistura ficção científica com o espírito de um space western. A história se passa no ano de 2517, quando a humanidade já chegou a um novo sistema estelar. Nesse cenário, os planetas que formaram a Aliança acabam envolvidos em uma guerra contra os Independentes. No fim, a Aliança vence, e aqueles que lutaram do outro lado são empurrados para as bordas do sistema — um detalhe que ajuda a explicar o tom da série: é um mundo grande, mas com personagens que vivem à margem, tentando sobreviver e manter algum controle sobre o próprio destino.
No centro da trama está o capitão Mal Reynolds (Nathan Fillion) e sua segunda comandante, Zoe Washburne (Gina Torres). Junto da tripulação da nave Serenity, eles aceitam trabalhos “esquisitos”, fogem da autoridade e tentam não se tornar apenas mais um problema para o poder central. A dinâmica muda quando Simon (Sean Maher) e River Tam (Summer Glau) entram para a equipe: os dois estão fugindo após a Aliança realizar experimentos com River, o que adiciona uma camada de mistério e tensão ao cotidiano da tripulação.
Apesar de ter sido cancelada após apenas 11 dos 14 episódios exibidos, Firefly ganhou o status de cult classic — e, para quem gosta de maratonar, é uma porta de entrada fácil. A série também ganhou um desfecho mais completo com o filme Serenity, de 2005. E, mesmo anos depois, o interesse pelo universo continua: há uma série animada em desenvolvimento. Para o momento da Artemis II, Firefly funciona como uma espécie de “contraponto” emocionante: enquanto a missão real busca dados e novas imagens da Lua, a série lembra que explorar o espaço também pode significar improvisar, arriscar e seguir em frente mesmo quando o sistema tenta impedir.
2) For All Mankind (2019-presente)

For All Mankind é uma ficção científica com cara de drama histórico, criada por Ronald D. Moore, Matt Wolpert e Ben Nedivi. Estreada no Apple TV em 2019, a série apresenta uma versão alternativa de 1969: nela, o primeiro pouso humano na Lua não é dos Estados Unidos, mas da União Soviética — com Alexei Leonov como o nome que muda o rumo da corrida espacial. A partir daí, a história acompanha como os Estados Unidos tentam recuperar o atraso e, em uma lógica de competição que não parece ter fim, tentam manter a vantagem tecnológica.
Um dos pontos mais interessantes do programa é que cada temporada avança aproximadamente uma década, começando no fim dos anos 1960 e seguindo pelos anos 1970, até chegar aos 2010 na quinta temporada. Isso permite que a série mostre não apenas avanços técnicos, mas também mudanças sociais. Em For All Mankind, a corrida espacial não fica restrita a foguetes e trajes: ela afeta quem pode participar, como as instituições se reorganizam e quais grupos passam a ter espaço dentro do programa de astronautas.
O resultado é uma mistura de grandes conquistas e consequências humanas. A série apresenta saltos tecnológicos impressionantes, como a colonização de Marte, mas também coloca em evidência transformações culturais, incluindo a integração de mulheres e minorias no programa espacial em um ritmo que, na realidade, só ocorreria mais tarde. Além disso, o trabalho de roteiro e direção ajudou a série a conquistar elogios de críticos e do público.
Até o momento da produção deste texto, For All Mankind se prepara para a sexta e última temporada, com previsão de lançamento para 2027. Para quem está acompanhando a Artemis II, o apelo é claro: a série transforma a ideia de “missão” em algo maior do que um evento isolado. Ela mostra como cada passo no espaço repercute no tempo, molda decisões políticas e redefine expectativas — exatamente como acontece quando uma agência real tenta avançar, mesmo sem pousar, com um objetivo específico e ambicioso.
1) The Expanse (2015-2022)

Entre as séries espaciais mais aclamadas dos últimos anos, The Expanse se destaca por construir um futuro complexo e, ao mesmo tempo, emocionalmente convincente. Desenvolvida por Mark Fergus e Hawk Ostby, a série é baseada na série de romances de James S. A. Corey. O enredo se passa em um futuro em que a humanidade colonizou o Sistema Solar, mas, como em muitas histórias do gênero, a expansão não resolve os conflitos — ela apenas muda o cenário onde eles acontecem.
Em The Expanse, existe uma espécie de Guerra Fria entre a Terra, Marte e a Aliança dos Planetas Exteriores. Enquanto os dois primeiros exploram e oprimem os territórios mais distantes, a tensão cresce e o equilíbrio frágil do sistema começa a ruir. A série acompanha personagens de diferentes origens — um detetive, um capitão de cargueiro e uma diplomata — que, aos poucos, se aproximam de uma conspiração capaz de ameaçar a paz já instável. No meio disso, surge também a presença de tecnologia alienígena potencialmente perigosa, adicionando um componente de risco que vai além de disputas políticas.
O que torna The Expanse especialmente atraente para quem quer assistir durante um evento como a Artemis II é o seu senso de consequência. Não é apenas “aventura no espaço”: é um mundo com regras, interesses e custos. A série é frequentemente lembrada por seus visuais e pela construção cuidadosa de personagens, o que contribuiu para que ela fosse considerada uma das melhores ficções científicas da TV. Outro fator que reforça o impacto do título é a trajetória de produção: após três temporadas, a série foi cancelada pelo canal Syfy, mas acabou resgatada pela Prime Video, que continuou a história.
Com seis temporadas no total, The Expanse oferece uma experiência mais densa e envolvente, ideal para quem prefere um drama espacial com investigação e política, além de ação. Enquanto a Artemis II prepara um sobrevoo lunar para ampliar o conhecimento sobre o lado oculto da Lua, a série lembra que explorar o espaço também significa lidar com incertezas — e que, em qualquer “fronteira”, o que está em jogo raramente é apenas científico. É humano, é social, é estratégico.
Seja pelo tom aventureiro de Firefly, pela visão histórica alternativa de For All Mankind ou pela tensão realista de The Expanse, essas três séries têm em comum a capacidade de transformar o espaço em palco de histórias que prendem. E, em um momento em que o mundo olha para a Lua com expectativa, elas funcionam como uma forma de prolongar a sensação de descoberta — mesmo que, na tela, a viagem seja ficção.
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Fonte: ScreenRant



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